Aécio Neves presidente nacional do PSDB, Rodrigo Pacheco, senador ex-presidente do Senado e presidente Lula - créditos: divulgação
24-04-2026 às 10h40
Samuel Arruda*
O cenário político de Minas Gerais vive um momento de rearranjo silencioso, mas intenso, com vistas às eleições de 2026. No centro desse movimento está Aécio Neves, que, mesmo sem ocupar cargo majoritário desde o fim de seu ciclo como senador, volta a ser peça observada nas articulações de bastidores.
Aécio é deputado federal e figura histórica do PSDB, ele mantém influência relevante na política mineira, construída ao longo de décadas — como governador (2003–2010) e liderança nacional tucana . Apesar de negar publicamente intenções de disputar o governo estadual, seu nome segue sendo mencionado em cenários especulativos para 2026, inclusive como potencial ator em composições mais amplas, isso em função de sua capacidade de se reposicionar estrategicamente .
Nos bastidores, interlocutores avaliam que Aécio tem adotado uma postura pragmática: evitar protagonismo direto, mas preservar capital político para influenciar alianças. Esse movimento ganha relevância diante da possibilidade — ainda não confirmada — de aproximação entre setores do PSDB mineiro e o campo governista nacional.
A eventual candidatura do senador Rodrigo Pacheco ao governo de Minas surge como um dos eixos centrais do tabuleiro. Pacheco, hoje alinhado institucionalmente ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é citado como nome capaz de aglutinar forças de centro e centro-esquerda no estado .
Nesse contexto, analistas consideram que uma eventual participação indireta de Aécio — seja via apoio, seja por meio de setores do PSDB — poderia sinalizar uma reconfiguração relevante: a aproximação de quadros tradicionais tucanos com um projeto de reeleição presidencial petista, algo que historicamente foi improvável, mas que hoje não é descartado em cenários pragmáticos.
Enquanto isso, o atual governador mineiro, Mateus Simões, enfrenta um ambiente mais adverso do que o esperado para um candidato natural à sucessão com desgastes e desafios pela frente.
Simões herdou o governo após a saída de Romeu Zema e tenta se viabilizar como representante do campo liberal-conservador. No entanto, enfrenta alta rejeição — estimada em cerca de 65% em levantamentos recentes — e sucessivas crises políticas .
Entre os episódios recentes, confrontos com lideranças municipais — como o embate ocorrido em Ouro Preto em abril — reforçam a percepção de dificuldades na articulação política com prefeitos e bases regionais. Esse tipo de desgaste se soma a crises anteriores com parlamentares e entidades municipalistas, indicando fragilidade na construção de alianças.
Outro ator relevante é o senador Cleitinho Azevedo, que aparece bem posicionado em pesquisas e é listado entre os possíveis candidatos ao governo, mas enfrenta tensões em seu partido, o Republicanos.
Apesar da popularidade junto ao eleitorado nas redes sociais, Cleitinho enfrenta um cenário interno mais complexo. Há sinais de desconforto em sua relação com a direção nacional do Republicanos — incluindo divergências com lideranças partidárias, a exemplo da situação de seu padrinho político, Euclides Petersen que preside seu partido, o Republicanos e foi indiciado recentemente pela PF e a convivência com figuras tradicionais como Eduardo Cunha, que tenta retomar protagonismo político pelo Republicanos, agora em Minas Gerais.
Esse quadro expõe uma tensão recorrente: o contraste entre o capital eleitoral de outsiders ou figuras populares e a estrutura partidária tradicional, que cobra alinhamento e disciplina.
O panorama mineiro para 2026, em um tabuleiro aberto, segue indefinido, mas com algumas tendências claras:
Fragmentação do campo da direita, com Simões e Cleitinho disputando espaço;
Consolidação de uma alternativa de centro em torno de Pacheco;
Movimentos discretos de figuras tradicionais, como Aécio, buscando reposicionamento.
Nesse contexto, Minas Gerais — historicamente decisiva em eleições nacionais — volta a ser palco de articulações que ultrapassam as fronteiras estaduais. O comportamento de lideranças como Aécio pode indicar não apenas o rumo da política mineira, mas também possíveis rearranjos no equilíbrio entre governo e oposição no plano federal.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

