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03-09-2026 às 10h05
Carlos Domingos Mota Coelho*
Das metáforas do Dicionário da Fome, e que eu, especialista nos dois termos, acho que posso escrever, “barriga não ronca só uma vez” será um de seus verbetes, nessa ideia que acaba de surgir indagurinha mesmo, uma e pouco da madrugada deste 2 de setembro de 2.026, nesta Brasília pegando fogo em ambos os sentidos desta outra metáfora: “o calor infernal”, resultante de desastres ambientais e o calor político, resultante das más, mas também das boas escolhas dos eleitores brasileiros, e é justo que neste particular eu defenda os candangos, porque a maioria dos maus políticos não nasceu nem mora aqui, visto que eleita e vinda de várias partes do Brasil!
E por que resolvo escrever sobre esses dois temas, se fome não necessariamente tenho que passar, nem sofrer calor, se tenho aqui em casa geladeira farta, quatro ventiladores e ar-condicionado?
Amigo, é que desde domingo, um check up médico me impôs, primeiro abstenção etílica, e, d’ant’onte para ontem, uma “fome programada”, mas que preferi voltar dos exames ontem à tarde e não saciar a fome primeiro, mas sim tomar aquele vinho que diariamente tomo, que todavia foi suspenso.
Porém o tomei em quantidade tal que acabei capotando na cama cedo, e só agurinha mês me acordei!?!
E me acordei em meio a um pesadelo, porém misto de sonho também, pois me acordei numa Minas Novas muito diferente da normal, posto que a sua população desapareceu e só restando lá milhares de alunos de escolas públicas, quase todos pardos ou pretos, e naturais de centenas de cidades brasileiras e também africanas!
Caraca, que doideira, sobretudo porque eles estavam, não mortos de fome, mas mortos de alegria por estarem no refeitório de uma faculdade quilombola, degustando saladas,filés, pequis, costelas, abóboras, picanhas, galinhas caipiras, tomando pingas, cervejas e vinhos fabricados lá mesmo, após acordarem em camas limpas e confortáveis e em quartos otimamente climatizados.
Obviamente, tal sonho, mais do que um pesadelo, decorreu do que vivi desde domingo passado, mas também do bem-bom em que vivo, exceto o janeiro de 1975 em que passei fome em Belo Horizonte, quando lá cheguei para morar, trabalhar e estudar, mas desci em sua rodoviária literalmente sem um tostão para gastar!
Sorte foi que logo arrumei emprego e Dona Ana, a dona da Pensão aliviou a minha barra, me alugando um quartinho nos fundos e me servindo uma xícara de café e um pão, pois a pensão não servia refeições!
Mas voltando à vaca fria nesta madrugada ainda quente, o sonho (neste caso, mais do que um pesadelo) é que Minas Novas passou a sediar desde o ano passado, quando Janja e Lula lá estiveram, um INSTITUTO TÉCNICO FEDERAL QUILOMBOLA, e ele já está a todo o valor, com alunos de várias partes do Brasil lá chegando e vivendo condignamente, graças aos impostos pagos pelos brasileiros.
É certo que Minas Novas também vive o pesadelo de ter perdido um terço de sua população em menos de dez anos (o IBGE e os governos têm que explicar isso, pois lá não é Nepal ou Tailândia tristemente vítimas de um pavoroso desastre ambiental!)
Pesadelo para uns, mas benção para analistas que consideram o êxodo uma glória, coisa que aconteceu com os hoje ricos Japão, Alemanha e Itália, quando se livraram da pobreza ao mandarem os seus pobres para o Brasil; ex-pobres que hoje descem a lenha nos pobres brasileiros e que ocupam as terras, os empregos, as escolas e que não querem que os pobres brasileiros comam com eles, banhem com eles no Balneário de Camboriú etc etc etc!
Ex-pobres loiros e gordos de farta comida, mas aplaudidos lamentavelmente por pardos e pretos brasileiros, mas que tacam o pau nos que lhes proporcionaram bolsas-familia, bolsas-escola, faculdades e universidades públicas e gratuitas, Fies, tratamentos de dentes e uma ruma de outros projetos de inclusão social, verdade seja dita!
E o pior é que significativa parte deles está “cuspindo no prato em que comeu” (outra metáfora que será verbete certo em meu novo dicionário), a ser lido e interpretado em conjunto com a metáfora-título deste texto: “BARRIGA NÃO RONCA SÓ UMA VEZ”, pois “quem não ouve conselho ouve coitado” e “devagar com o andor, pois o SANTO (DA DEMOCRACIA) É DE BARRO E PODE SE QUEBRAR!
Palavra de quem já passou fome, mas que agurinha mesmo, antes de dormir numa cama boa e ventilador ligado, vai mata-la assaltando a geladeira aqui a meu lado! Kkk

