Créditos: Divulgação
03-10-2026 às 10h13
Amauri Meireles*
Domingo próximo, dia 04 de outubro, teremos eleições, no Brasil, para Presidente, Governadores, Senadores e Deputados, federais e estaduais. Um evento, que se apresenta quadrienalmente, para exercitarmos um de nossos maiores direitos: o de votar e ser votado. E, mais do que isso, uma oportunidade de exercermos a cidadania ativa, em nosso regime democrático.
Paradoxalmente, porém, uma intrigante constatação: o Brasil tem em torno de 160 milhões de eleitores e, segundo informações do TSE, 40 milhões, em média, não se utilizam corretamente do voto, dessa preciosa ferramenta de soberania popular.
É lamentável que 20% (vinte por cento) se abstenham e 5% (cinco por cento) “estraguem” seu voto. Quanto à abstenção, otimistamente, diria que 10% (dez por cento) decorrem de fatores impeditivos insuperáveis e 10% (dez por cento) podem ser creditados ao desinteresse ou a um protesto do eleitor, desiludido com um sistema político, que faz a opção de não comparecer às urnas.
Em relação aos votos “desperdiçados”, o contrassenso é maior porque o eleitor se dá ao trabalho de comparecer ao local para votar, em branco ou nulo, mas, ao final, seu voto é simplesmente descartado, ou seja, seu esforço não terá tido qualquer utilidade.
Então, sob minha óptica, nestes dois procedimentos, o eleitor, imperceptivelmente, está equivocado, está abrindo mão do raro momento de praticar seu poder de decisão, deixando que outros escolham, com sua omissão, quem nos governará. E, assim, lhe resta a alternativa de choramingar, de maldizer a escuridão dos quatro próximos anos, quando teve a oportunidade de acender uma vela.
Uma constatação extremamente relevante, contudo, refere-se ao eleitor maior de 70 anos, que está desobrigado de votar. Em 2018 eram 12 milhões e, desses, aproximadamente 62,7% (perto de 6,9 milhões) não votaram, ao passo que, em torno de 37,3% (4,5 milhões) de eleitores compareceram às urnas. Já em 2022 eram 14,8 milhões. Desse número, a abstenção teve uma leve queda, ficando em 58,9% (cerca de 8,7 milhões de ausentes), enquanto 41,1% (aproximadamente 6,1 milhões) de eleitores idosos exerceram o voto.
A par de se considerar o inexorável envelhecimento demográfico da população brasileira, é oportuno (conveniente e necessário) ressaltar o crescente engajamento político do idoso brasileiro. Seu comparecimento às urnas é um exemplo vivo, para gerações que o sucederam, de que não podemos nos omitir. Ele nos mostra que, sobretudo, respeitando posições contrárias, a hora, de acatar determinada proposta de governo, de manifestar nossa vontade política, é agora.
Quero crer que o comparecimento do idoso às urnas tem um simbolismo residual muito importante.
É um convite aos omissos, aos choramingões de amanhã, aos revoltados, aos descrentes, aos que não compreenderam o enorme valor que tem o seu voto, enfim, aos abstencionistas para que façam um esforço e se desloquem para os locais de votação. Afinal, lá, é o sagrado reduto da soberania popular.
Enfim, no dia da eleição, reverenciem o idoso que se desloca para votar, desafiando o tempo e as limitações do corpo. Ele carrega na mão o título e, na alma, o peso da história que ajudou a construir. Sua presença na seção eleitoral é uma bofetada na face do desinteresse e uma cobrança viva aos que preferem choramingar a agir.
Abram alas para essa inspiradora referência de civismo, mas, acima de tudo, sigam o seu rastro. Afinal, se quem já cumpriu seu papel cívico continua na linha de frente, a ninguém é dado o direito de desertar.
*Amauri Meireles é coronel Veterano da Polícia Militar de Minas Gerais

