Créditos: Divulgação
24-09-2026 às 07h33
Edilma Duarte*
Trinta anos depois, o caso que intrigou o Brasil continua sem uma resposta definitiva e os Estados Unidos ampliam o acesso a documentos e registros de fenômenos aéreos não identificados
O que realmente aconteceu em Varginha naquela manhã de janeiro de 1996? E qual teria sido o destino das criaturas que algumas testemunhas afirmaram ter visto? Três décadas depois, as perguntas continuam abertas.
O chamado caso do ET de Varginha, ocorrido em 20 de janeiro de 1996, ganhou repercussão nacional e internacional e permanece como um dos episódios mais emblemáticos da ufologia brasileira. Agora, enquanto os Estados Unidos ampliam a divulgação de documentos e registros relacionados aos chamados UAPs (fenômenos anômalos não identificados), o mistério mineiro volta à cena em uma nova edição de O enigma dos visitantes, do jornalista e escritor Jorge Fernando dos Santos.
Nos Estados Unidos, o assunto deixou de ocupar apenas o território da especulação. O National Archives mantém atualmente uma coleção específica de registros de UAPs, alimentada continuamente por documentos transferidos por diferentes órgãos do governo americano. Entre os materiais disponíveis estão documentos, fotografias e registros audiovisuais. Em agosto deste ano, por exemplo, o órgão americano responsável pela análise de fenômenos anômalos publicou novo registro em vídeo relacionado a um UAP, mas não associa automaticamente fenômenos não identificados a uma origem extraterrestre.
É justamente essa fronteira entre o que se sabe, o que se supõe e o que permanece sem explicação que interessa a Jorge Fernando. Jornalista experiente, com 54 livros publicados, ele investigou o caso de Varginha, à época, para reportagens do jornal Estado de Minas. A investigação despertou uma lembrança que o acompanhava desde a adolescência: a experiência de ter visto, aos 14 anos, em companhia de seus pais, um objeto que descreve como um enorme disco voador sobrevoando Belo Horizonte.
“Eu tinha 14 anos e nunca me esqueci”, afirma. “Em 26 de novembro de 1970, por volta das sete da noite, vimos um imenso objeto em forma discoide vindo em direção à nossa casa, no bairro Caiçara. Era silencioso, tinha escotilhas e luzes de todas as cores girando embaixo e em cima.”
A lembrança voltou, naturalmente, durante a investigação sobre Varginha e acabou, mais adiante, incorporada à ficção. Três personagens de O enigma dos visitantes testemunham o mesmo tipo de fenômeno que o autor afirma ter presenciado na adolescência.
Embora seja um entusiasta da ficção científica, Jorge Fernando revela que esta é sua única obra nesse gênero literário.
A nova edição, revista e ampliada, retoma a história sob outro título, pela Baobá Edições. O autor, entretanto, não pretende apresentar sua ficção como prova de qualquer hipótese. “Não podemos afirmar com certeza que os seres vistos em Varginha eram de outro planeta, mas o fato é que uma sucessão de ocorrências bizarras marcou a memória de várias testemunhas, que até hoje sustentam suas versões.”
É nesse território, entre testemunho e imaginação, investigação e mistério, que nasce O enigma dos visitantes. Talvez a pergunta mais intrigante não seja se eles existiram. Mas o que teria acontecido depois. E a resposta? Segundo o escritor, “não está lá fora”.
(*) Edilma Duarte é jornalista
LANÇAMENTO
O enigma dos visitantes, de Jorge Fernando dos Santos
Baobá Edições
24 de setembro, quinta-feira, às 19h
Livraria Leitura – BH Shopping
Belo Horizonte – MG
Preço de lançamento: R$ 60

