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24-09-2026 às 10h23
Samuel Arruda*
A sucessão do governo de Minas Gerais começa a ganhar contornos mais definidos, mas ainda apresenta diferenças significativas entre os principais institutos de pesquisa. Os levantamentos divulgados nas últimas semanas colocam o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) na liderança da corrida pelo Palácio Tiradentes, enquanto Patrus Ananias (PT) e Alexandre Kalil (PDT) disputam espaço na segunda posição.
A fotografia mais recente, entretanto, revela um ponto importante: embora Cleitinho apareça na frente nas pesquisas de primeiro turno, os institutos apresentam resultados bastante diferentes quando simulam uma disputa direta entre ele e Patrus.
A Quaest, em pesquisa realizada entre 19 e 22 de setembro com 1.506 eleitores, aponta Cleitinho com 37%, Patrus com 16%, Alexandre Kalil com 8% e Mateus Simões (PSD) com 7%. Flávio Roscoe (PL) aparece com 4%, Gabriel (MDB) com 2% e Ben Mendes (Missão) com 1%. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 7%, enquanto 16% permanecem indecisos. A margem de erro é de três pontos percentuais.
No Datafolha, realizado entre 8 e 10 de setembro, Cleitinho também lidera, com 37%. Patrus registra 13% e Kalil, 11%, em situação de empate técnico. Mateus Simões, Flávio Roscoe e Gabriel aparecem com 4% cada. A pesquisa ouviu 1.204 eleitores e tem margem de erro de três pontos percentuais.
Já o RealTime Big Data, em levantamento realizado de 16 a 19 de setembro, encontrou Cleitinho com 35%, Patrus com 19%, Kalil e Simões com 10% cada, Roscoe com 8% e Gabriel com 6%. Foram entrevistadas 2.000 pessoas, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A AtlasIntel, por sua vez, encontrou um cenário mais concentrado nas duas primeiras posições: Cleitinho aparece com 39,3%, enquanto Patrus chega a 31%. Kalil tem 8,3%, Roscoe 7,3% e Simões 5,6%. A pesquisa ouviu 1.799 eleitores entre 15 e 20 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
O que as pesquisas têm em comum
Apesar das diferenças metodológicas e numéricas, os quatro levantamentos apresentam uma característica comum: Cleitinho aparece em primeiro lugar no primeiro turno.
A divergência está principalmente no tamanho da vantagem e na posição dos candidatos que disputam a segunda colocação.
No Datafolha, Patrus e Kalil aparecem separados por apenas dois pontos. Na Quaest, Patrus abre vantagem sobre Kalil. No RealTime, a distância entre os dois é ainda maior. Já a Atlas apresenta Patrus em um patamar de 31%, muito acima dos demais concorrentes e mais próximo de Cleitinho.
Isso significa que, neste momento, a composição do segundo turno ainda é uma das principais questões da sucessão mineira.
Segundo turno é o ponto de maior divergência
É justamente nas simulações de segundo turno que aparece a maior diferença entre as pesquisas.
Na Quaest, Cleitinho aparece com 50% contra 26% de Patrus em um eventual confronto direto. Contra Kalil, o senador teria 49% contra 26%. A pesquisa também testou Cleitinho contra Mateus Simões, cenário no qual os números são 50% a 18%.
O Datafolha encontrou vantagem semelhante nos dois confrontos testados. Contra Kalil, Cleitinho aparece com 54% contra 29%. Contra Patrus, o resultado é de 59% a 24%.
A AtlasIntel também registra vantagem de Cleitinho contra Patrus, mas em patamar diferente: 53,1% a 41,1%. Contra Kalil, o placar é de 51,2% a 36,8%.
O cenário mais distinto é apresentado pelo RealTime Big Data. No confronto entre Cleitinho e Patrus, o instituto encontrou 43% para Cleitinho e 42% para Patrus, resultado considerado empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Essa diferença é relevante para a leitura da sucessão. Enquanto Quaest, Datafolha e Atlas registram vantagem de Cleitinho nas simulações contra Patrus, o RealTime mostra uma disputa praticamente empatada.
O segundo turno dependerá da transferência de votos
Uma eventual segunda etapa modificaria completamente a dinâmica da eleição. Os eleitores que hoje apoiam candidatos que ficarem fora da disputa teriam de escolher entre os dois finalistas, votar em branco ou nulo ou permanecer indecisos.
O Datafolha oferece uma indicação sobre esse processo. No cenário Cleitinho x Kalil, o instituto identificou que 64% dos eleitores de Patrus migrariam para Kalil, enquanto 20% escolheriam Cleitinho e 10% optariam por branco ou nulo.
No cenário Cleitinho x Patrus, os eleitores de Kalil aparecem mais divididos: 45% indicam voto em Patrus e 41% em Cleitinho, enquanto 13% optariam por branco ou nulo. Segundo Datafolha
Esses números mostram por que a composição do segundo turno é tão importante. O comportamento de eleitores que hoje estão espalhados entre Kalil, Simões, Roscoe e outros candidatos pode alterar substancialmente os percentuais da segunda rodada.
A disputa pela segunda vaga
Com Cleitinho isolado na primeira colocação nos levantamentos recentes, a principal incógnita do primeiro turno passou a ser quem estará do outro lado em um eventual segundo turno.
Patrus ganhou terreno em alguns dos levantamentos mais recentes. Na RealTime, aparece com 19%, contra 10% de Kalil e 10% de Simões. Na Quaest, tem 16%, contra 8% de Kalil e 7% de Simões.
O Datafolha, porém, apresenta uma fotografia mais equilibrada entre Patrus e Kalil: 13% a 11%, diferença dentro da margem de erro.
A Atlas, por outro lado, coloca Patrus em 31%, deixando Kalil em 8,3%.
Portanto, as pesquisas não permitem tratar como definida a composição do segundo turno. Elas mostram tendências diferentes sobre o tamanho das bases eleitorais dos candidatos.
Mateus Simões tenta transformar a máquina estadual em capital eleitoral
Outro elemento da disputa é o desempenho do governador Mateus Simões. Atual chefe do Executivo mineiro e candidato à sucessão, Simões aparece com percentuais de um dígito nos principais levantamentos recentes.
O Datafolha registra 4%; a Atlas, 5,6%; e a Quaest, 7%. No RealTime, ele chega a 10%, empatado com Kalil.
O Datafolha também aponta uma avaliação dividida do governo Simões: 37% aprovam e 38% desaprovam seu trabalho, enquanto 25% não opinaram.
O desempenho do governador pode ser um dos fatores a acompanhar nas próximas rodadas, especialmente porque sua candidatura representa a continuidade administrativa do grupo que governou Minas nos últimos anos.
O papel do horário eleitoral
A campanha também começa a produzir efeitos sobre a exposição dos candidatos. O Datafolha foi realizado depois do início do horário eleitoral gratuito e mostrou crescimento de Cleitinho de 32% para 37% em relação ao levantamento anterior do instituto.
A pesquisa também identificou que 62% dos eleitores que declararam uma intenção de voto afirmaram estar totalmente decididos, enquanto 37% disseram que ainda poderiam mudar de escolha. Entre os eleitores de Cleitinho, 77% disseram estar totalmente decididos; entre os de Patrus, 74%; e entre os de Kalil, 62%, segundo o Datafolha
Ainda existe, portanto, espaço para mudanças, principalmente entre os eleitores que não demonstram preferência consolidada.
O que observar até o primeiro turno
A sucessão mineira chega a uma fase em que quatro fatores devem ser acompanhados de perto:
- A consolidação da liderança de Cleitinho nas próximas pesquisas;
- A disputa entre Patrus e Kalil pela segunda posição;
- A capacidade de Mateus Simões, Roscoe e Gabriel de ampliar suas bases durante a campanha;
- A transferência de votos no segundo turno, caso Cleitinho esteja novamente entre os dois finalistas.
Os levantamentos disponíveis até 23 de setembro mostram uma liderança consistente de Cleitinho no primeiro turno, mas não produzem uma resposta única sobre o segundo turno. Três pesquisas recentes — Quaest, Datafolha e Atlas — apontam vantagem de Cleitinho contra Patrus em seus respectivos cenários. A RealTime, entretanto, encontrou uma diferença de apenas um ponto entre os dois.
A leitura mais segura, portanto, é que a eleição ainda não pode ser tratada como definida. A liderança de primeiro turno é um dado recorrente nas pesquisas, mas a formação do segundo turno e a transferência dos votos dos candidatos eliminados continuam sendo variáveis relevantes para a disputa.
Além disso, pesquisas eleitorais representam a intenção de voto no período em que foram realizadas. Mudanças na campanha, debates, propaganda eleitoral, alianças e acontecimentos políticos podem alterar o cenário até a votação.
*Samuel Arruda é jornalista e editor de politica

