Créditos: Divulgação
11-09-2026 às 12h34
Tassiane Santos*
As fortes chuvas têm ampliado a pressão sobre a infraestrutura urbana e o debate sobre formas de preparar as cidades para grandes volumes de água. Em Minas Gerais, 306 dos 853 municípios estão entre os mais suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações, com cerca de 1,5 milhão de pessoas expostas, segundo o relatório Estado do Clima no Brasil 2025, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
As soluções baseadas na natureza (SBN) estão entre as alternativas para reduzir esses impactos e utilizam elementos naturais e estruturas permeáveis para reter, absorver e devolver gradualmente a água ao meio ambiente, complementando os sistemas convencionais de drenagem.
Em Juiz de Fora (MG), a Estrela Urbanidade, empresa da Humanidade, adota esse modelo desde 2020. A primeira aplicação ocorreu no Estrela do Lago e foi incorporada posteriormente ao Estrela do Parque, lançado em 2022, e ao Estrela do Bosque, de 2023. A estratégia combina intervenções nos lotes, nas ruas e em bacias de retenção para administrar a água da chuva em diferentes etapas.
As soluções adotadas incluem pisos drenantes, como pavimentos intertravados e concregrama, áreas permeáveis, vegetação com função ambiental e bacias transformadas em jardins. O objetivo é reduzir o escoamento imediato da água e favorecer processos de infiltração e evapotranspiração, diminuindo a pressão sobre a drenagem convencional.
“A lógica é cuidar da água desde o momento em que chove até sua devolução à natureza. Trabalhamos com estratégias nas casas, nas ruas e nas bacias, utilizando diferentes dispositivos e vegetação para reter essa água e devolvê-la gradualmente ao meio ambiente”, explica Rodrigo Mendonça, fundador da Humanidade e CEO da Estrela Urbanidade.
As estruturas foram colocadas à prova durante as chuvas intensas registradas em Juiz de Fora em fevereiro de 2026. Não houve registro de alagamentos, transbordamentos ou deslizamentos nos empreendimentos que utilizam as soluções. Os sistemas de retenção contribuíram para administrar o grande volume de água durante o período e para a proteção de taludes e lotes.
Mendonça ressalta que as SBN não substituem a infraestrutura tradicional de drenagem. A proposta é fazer com que os dois sistemas funcionem de forma complementar, ampliando a capacidade de resposta dos projetos urbanos em períodos de chuva intensa.
Além da retenção, a vegetação utilizada nas estruturas cumpre funções ambientais. Espécies são selecionadas pela capacidade de contribuir para a evapotranspiração da água armazenada, processo que também pode colaborar para o conforto térmico local. Esses sistemas ainda favorecem a filtragem da água antes de sua devolução ao ambiente.
Para os próximos projetos, a Estrela Urbanidade pretende manter a adoção de soluções baseadas na natureza e incorporar novas alternativas, como pavimentos drenantes nas pistas de rolamento e novas configurações de ruas voltadas ao manejo das águas pluviais.
“Precisamos pensar a drenagem como parte do planejamento urbano desde a concepção dos projetos. Quanto mais conseguimos reter e administrar a água onde ela cai, menor tende a ser a pressão exercida sobre o restante da infraestrutura da cidade”, afirma Mendonça.
Sobre a Humanidade
A Humanidade é uma chancela institucional criada pelo engenheiro e empresário Rodrigo Mendonça em Juiz de Fora (MG), que conecta iniciativas voltadas ao desenvolvimento urbano, à convivência, à memória e à transformação social. Sob a marca estão a Estrela Urbanidade, o Passeio Jotaefe, o Parque da Saudade e o Jotaefe Basquete, que atuam de forma independente em diferentes dimensões da vida nas cidades, de loteamentos e espaços de convivência a serviços cemiteriais e projetos esportivos gratuitos para crianças e adolescentes. Com raízes na Zona da Mata mineira e projetos de expansão regional, a Humanidade conecta essas diferentes atuações a partir de uma visão comum de desenvolvimento urbano, qualidade de vida e fortalecimento das comunidades.

