Cena de “Quando Abandonamos a Humanidade, O Que Resta de Nós?”, dirigido por Vita Pereira. Créditos: Divulgação
11-09-2026 às 11h26
Gabriela Salomoni*
A 2ª edição do PERIFERICU – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA E CULTURA DA QUEBRADA chegou ao fim em 6 de setembro e teve um total de 7 premiados. O evento aconteceu no bairro do Jardim Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, e promoveu a exibição dos 34 filmes de curta-metragem selecionados para esta edição. Com foco na arte vinda das periferias e realizada por pessoas LGBTQIAPN+, negras e indígenas, o evento tomou as ruas do bairro com rodas de conversa, apresentações musicais, discotecagens, ballroom, performances de poesia slam e sessões-debate para mais de 800 alunos das escolas públicas da região. O Festival ainda homenageou nomes importantes da cultura e do ativismo como Linn da Quebrada e Neon Cunha.
Este ano, o PERIFERICU recebeu convidados para mesas que discutiram a arte periférica, entre os quais se destacam a pedagoga e pesquisadora Renata Prado, a ativista Maria Cristina Quirino e a cantora Vita Pereira, que também teve seu filme “Quando abandonamos a humanidade, o que resta de nós?” selecionado para a competição do festival. O filme venceu o Prêmio Leo Moreira Sá, dado ao Melhor Filme segundo o voto do público.

O prêmio de Melhor Filme pelo Júri – Prêmio Seu Escurinho do Acordeon foi para “Quando eu for grande?”, dirigido por Mano Cappu, e o Melhor Filme pela Mostra Escolar – Prêmio Linn da Quebrada foi para “Clube da Velha Guarda”, de Ava Santos. Já as categorias de Filme Mais Revolucionário – Prêmio Dona Madalena, Melhor Roteiro – Prêmio Neon Cunha e Menção Honrosa do Júri foram, respectivamente, para os filmes “Escudo”, de Cauê Santiago e Andrey Haag; “Americana”, de Agarb Braga; e “Pocas pra Entender”, de Stheffany Fernanda e Pedro Miosso. A edição ainda contou com dois prêmios inéditos. O Prêmio Sinny Comunicação, que oferecerá uma consultoria de imprensa e redes sociais para o filme “Americana”, de Agarb Braga, e o Prêmio Todesplay, que irá adquirir “Exento”, de Otto Morales, para exibir na plataforma de streaming.
Entre as novidades também esteve o Desafio Cine-Corre, que propôs a produção de um curta-metragem de até três minutos em três dias. Com o tema “Só quem é de lá sabe o que acontece”, sorteado no início do festival, os curtas foram apresentados ao público, que escolheu um vencedor. A produção “Meu Amigo com Nome de Anjo”, de Edson Silva e Inara Santos, ganhou o desafio e um prêmio em dinheiro.
Além dos premiados, todos os títulos participantes receberam um cachê de exibição, uma decisão fundamental do festival, como explicou Nay Mendl, um dos idealizadores da iniciativa, em entrevista à Rolling Stone Brasil: “Para nós, pagar os artistas também é parte do que significa construir um festival periférico. A gente quer que os filmes cheguem ao público, mas também quer que exista uma dignidade mínima para quem faz cinema neste país”.
Confira a lista completa de premiados na 2ª edição do Festival Perifericu:
Melhor Filme pelo Júri – Prêmio Seu Escurinho: “Quando eu for grande?”, dir. Mano Cappu
Filme Mais Revolucionário – Prêmio Dona Madalena: “Escudo”, dir. Cauê Santiago e Andrey Haag
Melhor Filme pelo Público – Prêmio Leo Moreira Sá: “Quando abandonamos a humanidade, o que resta de nós?”, dir. Vita Pereira
Melhor Roteiro – Prêmio Neon Cunha: “Americana”, dir. Agarb Braga
Melhor Filme pela Mostra Escolar – Prêmio Linn da Quebrada: “Clube da Velha Guarda”, dir. Ava Santos
Menção Honrosa do Júri: “Pocas pra Entender”, dir. Stheffany Fernanda e Pedro Miosso
Prêmio Sinny Comunicação: “Americana”, dir. Agarb Braga
Prêmio Todesplay: “Exento” (Exemido), dir. Otto Morales
SOBRE A MALOKA FILMES
Maloka Filmes é uma produtora criativa de São Paulo, dedicada à produção, distribuição e difusão de cinema autoral periférico. Fundada por Well Amorim, Rosa Caldeira e Nay Mendl, desenvolve obras que partem de experiências negras, TLGB+ e faveladas, combinando excelência artística com uma metodologia própria de criação comunitária. Seus filmes já circularam por alguns dos principais festivais, laboratórios e mercados internacionais, como Berlinale, Cannes, IDFA, Clermont-Ferrand, Locarno, Tiradentes, Olhar de Cinema e Havana, consolidando uma trajetória que conecta o cinema de quebrada aos principais espaços de circulação do audiovisual contemporâneo.
SOBRE O FESTIVAL PERIFERICU
Sediado no território do Jardim Ibirapuera, na Zona Sul da cidade de São Paulo, o festival foi criado a partir da experiência da MALOKA FILMES, produtora formada por Nay Mendl, Rosa Caldeira e Well Amorim. Ao circularem com seus primeiros trabalhos pelo Brasil e pelo exterior, eles perceberam o apagamento sistêmico de determinadas narrativas em eventos tradicionais. Segundo Rosa Caldeira, “o PERIFERICU nasceu dessa inquietação e da própria contradição: se esses espaços não nos abrem espaço, a gente cria o nosso, do nosso jeito, reivindicando a potência dos nossos saberes, nossas referências e nossas tecnologias”.
Além do foco na vivência oriunda das periferias, com obras feitas por realizadores pretos e indígenas, essa perspectiva também orienta o foco do festival nas narrativas LGBTQIAPN+. “Aqui, realizadores TLGB+ podem apresentar suas obras sem precisar explicar o tempo inteiro porque seus corpos existem, mas simplesmente falar sobre cinema, sobre território, sobre amor, desejo, memória, futuro, partindo da certeza de que o cinema feito nas quebradas sempre foi e segue sendo vanguarda”, afirma Well Amorim.
A expressiva presença de pessoas trans, travestis e não-bináries entre os selecionados aponta para uma produção ativa que, muitas vezes, é invisibilizada por falta de dados oficiais no setor audiovisual brasileiro. A intenção do evento é não esperar que essas métricas apareçam para reconhecer uma produção que já existe e que exige visibilidade. “Para nós, fazer um festival é também construir memória e afirmar que esses territórios não são apenas lugares onde as histórias acontecem: são lugares onde as histórias são inventadas, produzidas e celebradas”, conclui Nay Mendl.
A 2ª edição do PERIFERICU é uma realização da MALOKA FILMES, viabilizada com patrocínio da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com apoio da Associação Cultural Bloco do Beco, Fundação Julita, IbiraLAB e Todesplay.
SOBRE A VALE
A Vale acredita que a cultura transforma vidas. Pelo quinto ano consecutivo é a maior apoiadora privada da Cultura no Brasil, patrocinando e fomentando projetos em parcerias que promovem conexões entre pessoas, iniciativas e territórios. Seu compromisso é contribuir com uma cultura cada vez mais acessível e plural, ao mesmo tempo em que atua para o fortalecimento da economia criativa.

