Créditos: Divulgação
29-08-2026 às 08h39
Daniela Rodrigues Machado Vilela*
Porque o ser humano se preocupa tanto em agradar, corresponder às expectativas do outro, alcançar sua métrica? A sua imagem corresponde a quem você é? Parte das pessoas têm uma visão totalmente distorcida a seu próprio respeito e em relação aos outros. Há o que projetamos como nossa autoimagem e como os outros nos enxergam. Porém, a busca por aceitação costuma ser dolorosa e, muitas vezes, desnecessária. Quem é você e como os outros o veem?
Identidade tem a ver com a percepção do outro sobre nós? Interessa a opinião do indivíduo sobre ele mesmo ou a projeção do olhar alheio? O problema de depender da aprovação do outro é que se moldar para agradar tem um alto custo emocional, isto porque, a aceitação pelo outro não deve ser buscada a qualquer preço.
Aparentar ou ser de fato? Definir-se é ato demasiadamente complexo e sujeito a incompletude. O ser humano é o extravasamento de uma infinidade de variáveis quanto a aspectos físicos, mentais, comportamentais. Quem vive escravo da opinião alheia, não encontra paz de espírito.
A autoimagem importa, mas não basta. Somos o resultado de nossa jornada, realizações, aprendizados, atitudes praticadas, recuos, sonhos. Nos performam e formam enquanto sujeitos: as feridas, obstáculos e superações experienciadas ao longo de uma vida. Contam: a inteligência emocional, a posição social e profissional, a afetividade, a generosidade, a bondade, enfim, tudo nos compõe enquanto sujeitos. Somos um aglomerado de características.
A realidade está posta. Não adianta brigar com o universo, não cabe se colocar diante de cobranças exageradas e descabidas impostas por parâmetros alheios que, por vezes, sequer façam o menor sentido.
Para viver é indispensável serenidade, a vida corresponde à somatória das experiências. Os dilemas são oportunidades para superar os desafios cotidianos. Cabe a cada um ser o que lhe aprouver.
Ao longo de uma vida, o que você aparenta aos outros é circunstancial. O tempo a tudo transforma e consome. Viva segundo suas próprias e particulares escolhas, não para agradar ninguém.
Há uma plêiade de possibilidades interpretativas sobre quem somos ou deixamos de ser. Reinventamo-nos a todo tempo, desempenhando papéis plurais, como: de esposa, amiga, profissional e por aí afora. Não há controle sob seres humanos em contínua transmutação e aprendizado abundante. Há uma falsa sensação de domínio sobre os fatos e circunstâncias, mas tudo nos escapa. O “ser” e sua “forma de representação no mundo” são um fluxo incerto, imprevisível, sempre se refazendo enquanto ainda há vida.
O homem se compõe de uma sucessão de características sobrepostas e entrepostas, além da adição de um sopro de Deus, uma centelha divina, presente em cada ser de seu modo particular. Há o indizível, imperceptível e indefinível presente em todos nós. O que nos marca em essência e aparência é algo que nos organiza e individualiza de modo irrepetível, sublime.
Se alguém se dispuser a conhecê-lo, sorte deste alguém. Caso não tenha interesse, que projete a imagem que quiser a seu respeito. Não se preocupe em agradar ao outro, mas a si mesmo. Tenha satisfação e gratidão pela trajetória construída. Somos a aposta das nossas escolhas e o resultado das experiências acumuladas e assimiladas. O reflexo no espelho não fala de um estranho, reconheça-se, assuma-se, seja autoconfiante.
Portanto, busque autoconhecimento, seja autêntico e construa seu bem-estar físico, mental e espiritual. Esteja à procura de paz, do que preenche a alma e faz transbordar de alegria. Seja você, pague o preço de suas escolhas. Enfim, divirta-se na trajetória. Quem sabe de si é você mesmo. Viva a sua ilusão ao seu modo particular, arrisque-se e siga a direção que lhe aprouver! O resto é acidental e pontual!
*Doutora, Mestra e Especialista em Direito pela UFMG. Cursou Residência Pós-Doutoral pela também UFMG, com financiamento público da FAPEMIG. Presidente da Comissão de Direito Premial Trabalhista, Compliance e Inteligências Aplicadas da OAB-MG. Professora Universitária. Pesquisadora com ênfase em Filosofia e Trabalho. Autodidata na arte da pintura.

