Créditos: Divulgação
27-08-2026 às 11h23
Edilma Duarte*
Entre utopia, aventura e política, o romance de Márcio Metzker chega às livrarias e ganha noite de autógrafos em Belo Horizonte
Há livros que chegam às livrarias. Outros chegam depois de uma longa espera. Utopia Tropical, o grande romance épico de Márcio Metzker, pertence à segunda categoria.
Publicado pouco antes da pandemia de Covid-19, o romance encontrou leitores justamente quando a leitura se tornava uma das poucas formas possíveis de atravessar o longo marasmo do lockdown. Agora, finalmente, chega às livrarias e poderá ser celebrado como merece.
Utopia Tropical passa a ser vendido nas lojas da Livraria Leitura e terá uma noite de autógrafos nesta segunda-feira, 31 de agosto, na Leitura Mega-Store do BH Shopping.
A história começa numa bucólica aldeia de pescadores no sul da Bahia. Aos poucos, porém, a paisagem tranquila dá lugar a uma narrativa de aventuras, para desembocar, mais adiante, numa trama de natureza política.
É a trajetória de um homem comum, empenhado em ganhar a vida, que conquista o respeito da comunidade, encontra um novo amor e, sem perceber, vê seu destino se entrelaçar ao de um antepassado que viveu na Alemanha e veio para o Brasil para trabalhar como guarda na corte de Pedro I.
É desse cruzamento entre memória familiar, imaginação e história que nasce a grande aventura do romance. Uma carta régia, elemento da própria ficção, abre ao protagonista a possibilidade de herdar um imenso território que, depois de muitas lutas, se transforma em um reino independente.
Mas a origem de Utopia Tropical está também em uma ideia política que acompanhou o autor por muitos anos.
Em 2003, durante uma conversa com o intelectual marxista François Chesnais, Márcio Metzker defendeu que o então presidente Lula, aproveitando o prestígio internacional conquistado no início de seu governo, poderia liderar uma espécie de Opep dos países devedores.
A proposta pretendia criar uma frente capaz de negociar em condições mais justas as dívidas com os bancos internacionais e, em último caso, ameaçar um calote coletivo que colocasse em xeque o sistema financeiro mundial.
A reação de Chesnais ficou gravada na memória do escritor:
O professor Chesnais deu um tapa na coxa e afirmou, com entusiasmo: “Se o senhor conseguir que o presidente Lula faça isso, o senhor será o Che Guevara do século 21!”.
Ao se despedir, ele disse: “Nunca desista das suas utopias. O Brasil é um dos poucos países onde ainda são possíveis as utopias”.
A ideia permaneceu latente durante anos, até encontrar um novo impulso numa viagem à Europa.
A pedido da mãe, Gelcira Metzker, o autor foi investigar os antecedentes do primeiro Metzker que chegou ao Brasil. Havia na família a crença de que seus antepassados seriam herdeiros de terras no sul da Bahia.
A pesquisa abriu uma porta para a imaginação e Márcio Metzker encontrou ali os elementos que precisava para construir sua trama.
Durante três anos, em sua casa no litoral baiano, cenário também da saga de seu herói, o escritor costurou as 596 páginas do romance. Personagens reais e fictícios convivem na mesma narrativa; episódios históricos e imaginários se entrelaçam. A história avança com fluidez e ganha densidade à medida que os conflitos se aprofundam.
Quando o reino imaginado pelo autor começa a dar exemplos de administração, prosperidade e desenvolvimento, justamente quando parece próximo de alcançar sua plenitude, uma nova ameaça surge no horizonte: o avanço de uma força de inspiração fascista.
É nesse ponto que a utopia deixa de ser apenas um sonho e passa a ser também uma provocação.
Afinal, o que pode acontecer quando um homem decide imaginar um país diferente e leva essa imaginação às últimas consequências?
*Edilma Duarte é Jornalista

