Créditos: Reprodução
28-07-2026 às 09h43
Samuel Arruda*
A sucessão estadual já movimenta os corredores do Palácio Tiradentes e começa a expor fissuras entre aliados do grupo político que chegou ao poder com Romeu Zema.
Nos bastidores do governo, interlocutores afirmam que o governador Mateus Simões promoveu uma ampla reformulação na estrutura administrativa, com a exoneração de centenas de ocupantes de cargos comissionados. Segundo essas fontes, as mudanças teriam atingido principalmente indicações políticas ligadas a diferentes grupos da base, provocando desconforto entre parlamentares e lideranças regionais. Até o momento, o governo não confirmou oficialmente o número de exonerações.
A movimentação coincide com a saída de Marcelo Aro da Secretaria de Estado de Governo.
A exoneração ocorreu dentro do calendário eleitoral, permitindo que o ex-secretário participe da disputa deste ano. Oficialmente, Aro deixou o cargo afirmando que pretende concorrer nas eleições e recebeu elogios públicos de Mateus Simões pelo trabalho desenvolvido na articulação política do Executivo.
Entretanto, nos bastidores da política mineira, cresce a avaliação de que Marcelo Aro passou a construir um projeto político próprio. Lideranças ouvidas reservadamente afirmam que o ex-secretário observa as dificuldades enfrentadas por Mateus Simões para consolidar sua candidatura à permanência no Palácio Tiradentes e considera que poderá surgir espaço para uma alternativa dentro do campo da centro-direita.
Embora aliados do governador neguem qualquer ruptura, interlocutores relatam que a relação entre diferentes grupos que sustentaram a gestão Zema já não apresenta a mesma unidade observada nos primeiros anos da administração. As recentes mudanças administrativas e a reorganização do secretariado alimentaram especulações sobre um reposicionamento das forças políticas para a disputa estadual.
Nos meios políticos, também circulam avaliações de que Marcelo Aro é um dos nomes considerados em articulações para a eleição estadual, embora sua saída do governo tenha sido oficialmente vinculada à preparação para a disputa eleitoral. Há registros recentes de que seu nome passou a ser mencionado como alternativa em negociações envolvendo partidos do campo de centro-direita.
Enquanto isso, Mateus Simões trabalha para manter a coesão da base governista e preservar o legado da gestão iniciada por Romeu Zema, em um cenário que promete intensificar a disputa interna por espaço político nos próximos meses.
*Samuel Arruda é jornalista e editor de política

