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26-06-2026 às 08h42
Daniela Rodrigues Machado Vilela*
Na vida, são essenciais os projetos, que pressupõem método, ou seja, um
caminho, um conjunto de passos, orientações e procedimentos sistematicamente
definidos e executados para ao final se alcançar um objetivo.
A caminhada para ser exitosa tem de ter balizadores, se fazer organizada,
mediante a delimitação de objetivos e esforços rumo aos resultados almejados e, desta
feita, estabelecer limites e expectativas, o que exige dedicação e adequação entre sonho
e realidade, teoria e prática.
É fulcral, desenhar um esboço preliminar do que se pretende, estabelecer um
recorte temático, limites de abordagem, com previsão de prazos, ordenações lógicas de
etapas, métodos e técnicas para execução das tarefas, a isto se denomina planejamento.
Para além, se estabelecer um cronograma com uma programação e depois partir para a
sua execução, que se realizará em etapas.
Por exemplo, quem vai escrever um livro, começa com o tema, normalmente lê
bastante sobre o assunto, sistematiza, tem o projeto de criação, relaciona
conhecimentos, conclui, infere, refuta, escolhe autores, tem um método de abordagem
para depois iniciar o processo de escrita. Tem dias bons e outros ruins, esboça o
material, um dia apaga o que foi escrito, no outro, complementa, corrige, adequa,
redireciona. Até que em um determinado momento, dá por terminado o processo.
Entre planejamentos e desenhos prévios, readequações fazem parte.
Diariamente, o ser humano dá dois passos para a frente e um para trás. Às vezes, um
para frente e dois para trás. Nestas circunstâncias, é momento de recalcular a rota,
readequar expectativas, redefinir os sonhos e compatibilizá-los com a realidade. A vida
se faz na corda bamba. Viver é uma experiência única. Literalmente.
Quando expectativas se frustram e quedas se sucedem, eis o momento de se
reerguer, ter coragem para enfrentar o que sai do desejado, avidez para continuar.
A dissonância entre expectativa e realidade é um cenário complicado de encarar,
que causa sofrimento, mas concede oportunidade de aprendizado, todos têm
vulnerabilidades.
As incertezas fazem parte, fracassar, não realizar, dar com a cara no chão é
enredo de todo ser humano. Mas dói e doer é sempre ruim. Porém, ninguém está imune
às decepções, ao que sai do planejado. Aceitar erros e acertos, lidar com a margem de
incerteza e, apesar disto, desenhar objetivos, rascunhar propósitos, aceitar falhas e
imperfeições dos projetos e lidar com isto, é difícil, mas necessário.
Sair da zona de conforto é dificultoso, adaptar-se ao novo, assim como um rio
que desvia das pedras, quando encontra percalços no caminho, é preciso calma, respirar
fundo e se readaptar, a caminhada ensina.
Ter um projeto inicial é importante e redefinir a rota, imprescindível. A vida
sempre se extravasa em possibilidades, é necessário, indispensável, aprender a
contornar e lidar com os imprevistos.
Como diz a famosa frase de Heráclito: um homem que entra duas vezes em um
mesmo rio, nem o rio nem ele serão os mesmos de outrora, tudo se renova sempre.
Enfim, tudo se constrói, reconstrói e destrói, até que um dia, as cortinas se fechem e
acabem-se as oportunidades de renovação das atuações. Estar vivo é condição de
possibilidade para mãos à obra, tempo de aprendizado, mudança e esperança. Eis o que
resta!
*Doutora, Mestra e Especialista em Direito pela UFMG. Cursou Residência Pós-
doutoral pela também UFMG com financiamento público da FAPEMIG (2023-2025).
Professora Universitária. Pesquisadora, com ênfase, na temática do Direito Premial,
com várias obras e artigos publicados sobre o assunto. Colunista no Jornal Diário de
Minas.

