Créditos: Divulgação
14-06-2026 às 08h18
José Altino Machado*
Em história milenar, nunca se soube haver mau Samaritano. Acredito, até com possível inocência, que com esta denominação não seria possível a alguém, se dar ao vício de maldades.
Idos dos anos 80, tinha amigos importantes, aos montes, isso sem querer contar vantagens. De um deles, estando comigo aí pela Amazonia, ouvi que organizações alemãs teriam disponibilizado dinheiro grosso para investirem em hospitais no Brasil.
Agucei-me com todos os olhos que tenho. Afinal, saúde pública em minha terra natal sempre foi e sendo ainda, verdadeira zona. Estou falando de Governador Valadares, de nome antigo mais palatável, de Figueira do Rio Doce.
Nem tanto por maus administradores políticos, mas pelos atropelos que as necessidades de municípios vizinhos em torno, causam ao sistema; afinal são mais de 50. E com agravante, chegam em número expressivo em emergências, o que lhes garante atendimento prioritário sobre os “aborígenes”.
Os servidores hospitalares ainda passam maus momentos com os “ambulanceiros”, que acabam exigindo rápida devolução das macas transportadoras para regresso e a mais carentes a atendimento buscarem. Acima falei uma zona, pior que isso, um maluco cabaré assistencial que afeta e cansa médicos, enfermeiras e atendentes auxiliares e administrativos.
E quando a zorra é grande, aqueles ansiosos e nervosos que os buscam, chamam polícia e procuradores públicos. E eles tem que ouvirem calados, para não se caracterizar crime de omissão de socorro, art. 135 do código penal brasileiro.
E ninguém diz nada a favor ou sequer dá valor ao sacerdócio do serviço assistencial, aos médicos e a todos os outros abnegados de um serviço público que mal se aguenta em existir. Seria engraçado se não fosse tão ridículo, que governos nem em tais assuntos tocam.
Receitam picanhas fantasmas medicinais aos sonhos e ideias, ofertam flatulências de gases para cozinharem e luzes gratuitas não são as dos partos, mas as de interruptores de paredes. Um irresponsável país de política populista, tomado a nível de manicômio.
Esse assunto lá vai enegrecendo e radicalizando minhas ideias. Assim volto ao sonho dos investimentos alemães.
Sabedor das benfazejas intenções germânicas, embora soubesse que por traz da dádiva, haveria em seu país, gordo desconto a seus impostos, mandei-me direto e reto para meu torrão natal. Afinal, este era o grande anseio em todo o vale do Rio Doce. Vim de meu recanto amazônico à cata de organizações merecedoras da intenção.
Cheguei tal qual o esquecido e velho He-Man: eu sou a força. Hoje, até acho graça da minha pós juvenil agitação, afinal sempre acreditei em Papai Noel ou no mínimo em seu espírito.
Autoridades, tais como o “erudito” prefeito da época, nem muita confiança deram. Penso que imaginaram que tal projeto não daria votos a curto prazo, assim como a política educacional. Mal que perdura até nossos dias; quando muitos não investem em cultura e saber, pôr no imediato, não ensejarem intenções de votos.
Mas, estando na sala escritório de meu pai, homem ainda bem atuante, anunciaram a procura por mim de parte de jovem, nem tanto pude verificar, administrador de uma organização civil, sem fins lucrativos, operadora na área da saúde pública. Nome: Beneficência Social Bom-Samaritano- BSBS- conhecida até os dias de hoje apenas como Samaritano, suporte de tal correria pelo bom atendimento.
Ao ser recebido identificou-se como gestor daquela, diria fundação e foi logo puxando o assunto, após saber por informantes anônimos como disse, que eu procurava organismos já existentes com propósitos de ampliações em serviços hospitalares. Os “zóios” dele estavam grandes e a língua esbaforida. Já foi falando, deixa conosco, que já temos até o projeto.
Papo vai, papo foi, sonho enterrado. O projeto envolveria “apenas” 15 milhões, nem lembro se dólares ou reais, mas era muito dinheiro. Porém, um complicador apareceu contrariando o sonho. Consultados, os hunos impunham aplicação mínima de 50 milhões. O que o realista, ainda assim, o idealista, honesta e humildemente declinou da oferta.
Pelos valores envolvidos e por sua recusa na ampliação de seu projeto, visto por ele inviável ao momento, no instante nada disse, mas conjecturei que gente assim com honestidade de seus propósitos tem ficado raro no seio da politizada sociedade brasileira que processa novo Padre Nosso de: “vem a nós, ao vosso reino nada”.
Pois é, anos lá se foram de tais ambições, mas se a verba das europas não veio, aquele gestor a frente do Samaritano, fez mais do que valia tudo isso.
Ao começo, hoje com muitas histórias, fez vicejar de humilde nosocômio no alto de pequeno cume, a semente de um formidável aparato a bem de toda uma região. De cânceres, hemodiálises, cardiologias, abrangendo muitas outras áreas. Inclusive surpreso, compareci a um espetacular serviço de cintilografia. Logo eu, que de cintilar sabia apenas o das estrelas.
Enfim, o município de uma cidade mineira, G.V, abriga ou é abrigada hoje, por uma tremenda e eficiente organização, não ambiciosa, embora os já citados políticos teimam em não reconhecerem.
É notado o costume do brasileiro, de além não reconhecer seus maiores valores, por mediocridade e inveja. Assim, quando se deparam com exemplos maiores em trabalho com eficiência, procuram destrui-los.
Aliás, o medíocre detesta a companhia da inteligência.
Atendem diariamente mais de 1600 pessoas de todo o Vale do Rio Doce e interior, ainda gerando filhote externo, nascido gigante, atendendo 600/700 pessoas dia. Tudo também entregue ás mãos de gente ultra competente. Somou como uma inteira unidade de atendimento ambulatorial, próxima ao centro da cidade; que agora vem a se transformar também em hospital de atendimento ortopédico de urgência.
O interessante daquele, outrora rapaz, de agitação febril, levado a frente por forte fervor a Cristo é, da porteira adentro se cercar de pessoas e parceiros de alto valor, dedicação gostando do que fazem e do que servem.
Da porteira a fora, se aparece algum “achegante” sem vergonha, defeitos ainda que graves, embora trazendo utilidades úteis ao próximo, ele se faz observar apenas a este predicado.
Interessante, que ao longo de minha estada em terras da Amazonia, assim também procedo. Se apenas a unha, de um útil apresentado prestar, somente a ela procuro ter atenção.
Entes e companheiros queridos meus, e que nestes tempos, foram muitos, entre eles minha companheira de longas jornadas, partiram todos ao descanso, recebendo como tantos outros, destes abnegados senhores cristãos, melhores cuidados e dedicação, o que afaga a meu espírito pelas perdas.
E creio, aqueles que sofrem, doentes ou aos quais aconteça necessitar amparo a saúde, merecem serem tratados, não só a poder de remédios e assistências profissionais, mas o mais importante, com respeito puro aos seres humanos necessitados.
E que isto esteja não só a Minas e Gerais, mas ao Amapá, como a tantos outros, oxalá chegando a todo o Brasil.
O que muito lamento nesta Nação é o descaso, o não reconhecimento e a total desatenção dadas as grandes obras à bem social. Principalmente a gente de qualidades valorosas, como deste valadarense, pastor da saúde social e bom samaritano real: Renato Fraga Valentim.
Quanto a mim, em reconhecimento pessoal, a ele e a todos, muito obrigado, que Deus abençoe e cuide: DA ORGANIZAÇÃO SAMARITANA E DE SUA GENTE.
Belo Horizonte/Gov. Valadares/Macapá-14/06/26
* José Altino Machado é jornalista

