Lula e Flávio seguem pré-campanha polarizada - créditos: O povo
08-06-2026 às 13h10
Samuel Arruda*
A pouco menos de quatro meses do primeiro turno das eleições de 2026, o cenário político nacional começa a ganhar contornos mais definidos. A corrida presidencial permanece marcada pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro, apontado como principal representante do campo conservador após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, candidaturas alternativas tentam construir uma terceira via, embora ainda encontrem dificuldades para romper a forte divisão do eleitorado brasileiro.
Entre os nomes que buscam espaço fora da polarização aparecem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o governador mineiro Romeu Zema, o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa e o escritor e psicólogo Augusto Cury. Também há movimentações no PSDB, onde lideranças buscam construir uma candidatura de centro, envolvendo nomes como Aécio Neves e Ciro Gomes. Apesar disso, pesquisas divulgadas ao longo do primeiro semestre indicam que Lula e Flávio Bolsonaro permanecem como os protagonistas da disputa nacional.
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, a sucessão estadual tornou-se uma das mais observadas do Brasil. O senador Cleitinho Azevedo aparece liderando os principais levantamentos divulgados até o momento e é considerado o favorito inicial na disputa pelo Palácio Tiradentes. Pesquisas da Quaest apontam vantagem do parlamentar em diferentes cenários de primeiro e segundo turno.
O principal nome ligado ao atual governo estadual é o governador Mateus Simões, sucessor de Romeu Zema após sua saída do cargo. Simões conta com o apoio da estrutura governista e busca consolidar a herança política da gestão Zema, cuja aprovação continua elevada em boa parte do interior mineiro. Seu desafio, porém, é transformar o apoio administrativo em intenção de voto e reduzir índices de rejeição identificados em pesquisas recentes.
Outro nome relevante é o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, que tenta retornar ao protagonismo político estadual. Kalil aposta no reconhecimento de sua gestão na capital e na possibilidade de reunir setores de centro e centro-esquerda. Entretanto, enfrenta a necessidade de ampliar sua presença no interior, onde Cleitinho apresenta desempenho mais consistente.
O PSB, por sua vez, decidiu lançar candidatura própria ao governo mineiro e apresentou o nome do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior como alternativa para a disputa. A aposta socialista busca explorar a imagem de gestor técnico e de combate à corrupção construída durante sua trajetória no Ministério Público. O desafio será transformar notoriedade institucional em competitividade eleitoral diante de adversários já conhecidos pelo eleitorado.
Uma das principais mudanças no cenário mineiro foi a retirada de Rodrigo Pacheco da disputa. Após meses sendo apontado como potencial candidato apoiado pelo presidente Lula, o senador anunciou que deixará a vida político-eleitoral, abrindo uma lacuna no campo de centro-esquerda e obrigando partidos aliados ao governo federal a buscarem novas estratégias para Minas Gerais.
O quadro atual indica uma disputa aberta em Minas, mas com vantagem inicial para Cleitinho. Já no cenário presidencial, a tendência continua sendo de forte polarização entre lulistas e bolsonaristas, embora candidaturas alternativas tentem construir um espaço para romper essa lógica. Como tradicionalmente ocorre, Minas Gerais poderá novamente desempenhar papel decisivo na definição dos rumos políticos do país, funcionando como um termômetro eleitoral tanto para a corrida ao Palácio do Planalto quanto para a formação das alianças nacionais que disputarão o poder em 2027.
*Samuel Arruda e jornalista e articulista

