Créditos: Divulgação/IA
25-05-2026 às 11h34
Erika Ricci*
O Mundial de Futebol altera a rotina de consumo dos brasileiros antes mesmo das partidas iniciarem porque quando tem jogo, a casa se transforma em ponto de encontro, o supermercado entra no roteiro da torcida e gastos que parecem pequenos, passam a competir com as despesas fixas do mês. Carnes, bebidas, petiscos, delivery, looks, decoração verde e amarela, televisores, acessórios e apostas esportivas formam uma lista que, sem planejamento, pode pesar no orçamento familiar mesmo após o apito final.
Para a educadora financeira Adriana Ricci, o Mundial cria um ambiente favorável ao consumo por impulso porque reúne emoção, convivência e a sensação de oportunidade única. “O problema não está em comemorar, receber amigos ou participar do clima, o risco aparece quando o torcedor deixa a emoção comandar o cartão e só percebe o excesso quando a fatura chega”, diz.
Na prática, a pressão sobre o bolso aparece em situações comuns. Uma família decide assistir ao jogo em casa e calcula apenas o valor da carne, mas esquece bebidas, carvão, gelo, sobremesa, descartáveis e reposições de última hora. Depois, conforme o Brasil avança, o torcedor compra uma camisa parcelada, bandeirinhas, produtos temáticos, pede comida por aplicativo e faz pequenas apostas nos grupos do trabalho, dos amigos e da família. Cada gasto parece inofensivo quando visto de forma isolada, mas reunidos, eles podem comprometer uma parte relevante da renda do mês.
Para Adriana Ricci, que também é fundadora e head de Operações da SHS Investimentos, o primeiro passo é tratar os dias de jogo como eventos que precisam entrar no orçamento. A lógica se aproxima da preparação de uma equipe para uma competição curta: entusiasmo ajuda, mas não substitui a estratégia.
“Antes da partida, a família precisa definir quanto pode gastar, quem participa da divisão das despesas e quais itens realmente são necessários. O orçamento também precisa de escalação. Quando não há limite definido, qualquer convite vira consumo e a pessoa passa a jogar no improviso, por isso, o planejamento deve considerar quanto cabe no bolso para viver o Mundial sem comprometer o essencial e só a partir daí é que encontros serão organizados, compras divididas entre os convidados e nada de tomar decisões no calor da partida”, alerta Adriana.
O delivery merece atenção especial. A facilidade do pedido por aplicativo pode resolver a refeição, mas também eleva o custo quando entram taxa de entrega, bebidas, acompanhamentos e sobremesas. A recomendação da educadora financeira é comparar o valor total do pedido com alternativas preparadas em casa, principalmente em jogos com muitos convidados. Produtos temáticos também pedem critério. Decoração e descartáveis fazem a diferença no clima, mas as compra não precisam ser repetidas a cada partida.
O uso do cartão de crédito exige o mesmo cuidado. Ao parcelar produtos ou chutar gastos dos jogos para a fatura seguinte, o consumidor transfere para o futuro uma despesa criada no presente. O risco aumenta quando a família já tem outros parcelamentos, usa limite rotativo ou não dá conta do fechamento da fatura. A comemoração dura algumas horas, mas a conta pode permanecer por meses.
“Apesar dos riscos, por outro lado, o Mundial de Futebol também pode abrir espaço para conversas sobre educação financeira dentro de casa. Ao montar a lista de compras, comparar preços e dividir responsabilidades, adultos e crianças podem trabalhar conceitos como orçamento, prioridade, escolha e limite. O tema vem para a realidade e passa a fazer parte de uma situação concreta, vigente e ligada à convivência familiar”, finaliza Adriana Ricci, que tem mais de 25 anos de atuação e expertise em finanças.
Sobre a especialista: Adriana Ricci é especialista em investimentos e tem 25 anos de atuação no mercado financeiro. É fundadora, gestora e head de Operações da SHS Investimentos, empresa que atua no mercado financeiro desde 2008.
Possui certificações pela Ancord como Assessora de Investimentos, pela Anbima no PQO, Programa de Qualificação Operacional da Bolsa de Valores, e CPA-20, e pela Febraban, a FBB-100. Bacharel em Administração e Financista, pós-graduada com MBA em Finanças, Auditoria e Controladoria pela FGV.

