Créditos: Carlos Moura/Agência Senado
12-05-2026 às 10h26
Samuel Arruda*
O senador Rodrigo Pacheco voltou definitivamente ao centro das articulações políticas para a disputa pelo Governo de Minas Gerais em 2026. Após meses de indefinição e especulações sobre uma possível aposentadoria política rumo ao Tribunal de Contas da União, o mineiro retomou nesta semana as conversas decisivas sobre seu futuro eleitoral, impulsionado diretamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo novo presidente nacional do PT, Edinho Silva.
Nesta segunda-feira, 11 de maio, Edinho Silva se reuniu com Pacheco em Brasília para discutir a construção do palanque de Lula em Minas Gerais, considerado estratégico para a eleição presidencial de 2026. A movimentação representa uma mudança importante no cenário político mineiro, já que interlocutores próximos ao senador afirmam que ele vinha demonstrando resistência em disputar o Palácio Tiradentes.
Nos bastidores, porém, o ambiente mudou. A avaliação dentro do PT e também entre aliados de Pacheco é de que o senador percebeu que sua entrada na corrida eleitoral pode transformá-lo no principal nome de centro apoiado pelo governo federal em Minas. O encontro com Edinho Silva teve justamente o objetivo de medir o tamanho do apoio partidário, da estrutura política e do engajamento que Lula estaria disposto a oferecer para viabilizar sua candidatura.
A expectativa agora gira em torno de uma conversa direta entre Lula e Pacheco ao longo desta semana. Integrantes do PT afirmam que o presidente da República não possui um “plano B” consolidado para Minas Gerais e considera o senador o nome mais competitivo para enfrentar o favoritismo do senador Cleitinho Azevedo, que lidera parte das pesquisas eleitorais já divulgadas para 2026.
O movimento também possui forte simbolismo político. Após deixar a presidência do Senado, Pacheco passou meses sendo cotado para ministérios, para o Supremo Tribunal Federal e, mais recentemente, para uma vaga no TCU articulada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Entretanto, aliados do senador passaram a enxergar que uma ida ao tribunal representaria um encerramento precoce de sua trajetória política nacional. A disputa pelo governo mineiro, ao contrário, recolocaria Pacheco como peça relevante do tabuleiro presidencial de 2026.
A aproximação entre Lula e Pacheco também tem impacto direto na reorganização das forças políticas mineiras. O PT mineiro vinha dividido entre lançar candidatura própria ou apoiar um nome de perfil mais moderado capaz de ampliar alianças. A entrada de Pacheco praticamente redesenha esse cenário, podendo unificar partidos de centro, setores empresariais e alas governistas em torno de uma candidatura única contra o grupo político ligado ao governador Romeu Zema.
Mesmo assim, o caminho ainda está longe de ser simples. Pesquisas recentes mostram que Cleitinho mantém vantagem em diferentes cenários, enquanto nomes como Alexandre Kalil também seguem competitivos na disputa. Dentro do próprio entorno de Pacheco existe a avaliação de que o senador só aceitará entrar definitivamente na corrida se receber garantias concretas de apoio político, financeiro e partidário robusto por parte do Planalto e da federação governista.
Ainda assim, o fato político desta semana é claro: Rodrigo Pacheco voltou ao jogo. E, desta vez, não mais como espectador das articulações nacionais, mas como possível protagonista da sucessão mineira em uma eleição que promete ser uma das mais disputadas e estratégicas do país em 2026.
*Samuel Arruda e jornalista e articulista

