O que tem haver Cemig e o Caso Master - créditos: Cemig
12-05-2026 às 08h32
*Samuel Arruda*
Uma denúncia apresentada pelo deputado estadual Professor Cleiton voltou a colocar a CEMIG no centro de questionamentos políticos e pode aumentar a pressão por investigações envolvendo contratos e operações financeiras ligados ao setor de energia em Minas Gerais. O parlamentar levantou suspeitas sobre negociações realizadas entre a empresa SIM, braço de comercialização de energia solar controlado pela estatal mineira, e a empresa ForGreen, ligada ao empresário Felipe Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, alvo de desdobramentos da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
Segundo a denúncia apresentada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a ForGreen teria captado cerca de R$ 120 milhões em Certificados de Recebíveis em operação financeira realizada em outubro de 2024, envolvendo estruturas ligadas à estatal mineira. O caso passou a ganhar repercussão após o avanço das investigações da Polícia Federal sobre o grupo empresarial associado a Daniel Vorcaro e ao Banco Master. A PF já realizou diversas fases da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, crimes contra o sistema financeiro e organização criminosa.
Embora não exista, até o momento, confirmação oficial de investigação específica da Polícia Federal sobre a operação envolvendo a SIM e a ForGreen, o discurso do deputado elevou a tensão política em torno da gestão da estatal mineira e abriu espaço para cobranças por maior transparência nas relações comerciais da companhia. Nos bastidores políticos de Minas Gerais, parlamentares da oposição já defendem a abertura de apurações mais profundas sobre eventuais favorecimentos, critérios utilizados nas operações financeiras e possíveis conexões empresariais entre grupos privados e estruturas públicas do setor energético.
A repercussão também atinge o governo de Romeu Zema, uma vez que a CEMIG é uma das principais estatais sob influência administrativa do Executivo mineiro. Até agora, não há qualquer acusação formal ou prova pública que relacione diretamente o governador às operações mencionadas pelo parlamentar. Ainda assim, críticos da atual gestão cobram esclarecimentos sobre os mecanismos de governança da estatal e sobre o nível de fiscalização exercido pelo governo nas negociações envolvendo empresas privadas do setor energético.
O caso ganhou ainda mais visibilidade porque Felipe Vorcaro vinha se apresentando publicamente como um dos empresários ligados à expansão da energia limpa e da transição energética no país. Em declarações anteriores ao mercado, o empresário defendia investimentos em descarbonização, descentralização energética e democratização do acesso à energia solar. Agora, porém, o avanço das investigações envolvendo integrantes da família Vorcaro lança novas dúvidas sobre a origem de recursos, relações políticas e possíveis conexões empresariais construídas nos bastidores do setor financeiro e energético brasileiro.
Nos últimos meses, a Operação Compliance Zero passou a atingir nomes de grande influência política e empresarial. Investigações divulgadas pela imprensa apontam que mensagens apreendidas pela Polícia Federal teriam indicado supostas articulações políticas e pagamentos investigados envolvendo empresários e agentes públicos. Os investigados negam irregularidades e afirmam que irão comprovar a legalidade de suas atuações.
A nova denúncia envolvendo a CEMIG e a empresa SIM pode ampliar a crise institucional em torno das investigações e aumentar a pressão sobre órgãos de controle, Ministério Público e Polícia Federal para aprofundarem a apuração sobre contratos, captação de recursos e eventuais relações de influência política dentro do setor energético mineiro. Enquanto isso, cresce no meio político a avaliação de que o escândalo pode produzir novos desdobramentos com impacto direto no ambiente empresarial e na imagem da principal estatal de energia de Minas Gerais.
*Samuel Arruda e jornalista e articulista

