Créditos: Divulgação
03-05-2026 às 07h40
José Altino Machado*
Início da tarde de 30 de maio, doze e quarenta e cinco. Local, aeroporto de Confins que dizem ser em Belo Horizonte, mas o acho em com..fins do mundo. Dia anterior chegara de Nova York com escala em São Paulo e vindo ao BH pela avoante Azul. Começo de suplicio…
Bagagens expedidas, duas, uma grande e junto outra pequena mochila, daquela que se põe nas costas, despachada por comando de minha filha Duda, bem aquela que adora mandar em mim. Pra que!!!
Abrindo um parêntese, torna-se necessário tornar explicar, que aos 84 anos sou portador de um câncer ridículo, embora grave, bem na coluna cervical. Tendo a segunda substituída por uma cambada de fios de arame e um pequeno amortecedor também do mesmo material, o titânio. Movimentos limitados, difíceis de serem escondidos, estou mesmo tal qual o Robocop; só mais bonito que ele e ainda viril, de resto…
Prontos despachos, beijos paternos trocados à filha amada, firme na bengala, subi ao meu calvário. chek-in numa ponta do que deveria ser aeroporto com finalidade a servir passageiros, o ingresso ao setor de embarque se encontra em outro andar. Pelo bosta do engenheiro que projetou o prédio, poucos metros, mas com carência de saúde alimentada por idade avançada, longe pra cacete.
Revista aeroportuária, nem preciso dizer, que todo aquele aparato é tão suficiente ver-me chegar, que já começa a apitar e num agito de luzes como uma escola de samba de Crioulo Doido.
E não teve jeito, o funcionário revistador manda que tiro os sapatos, tênis novos complicados de calçar novamente e com finas luvas de plástico passou a mão por todo meu corpo. Mas, tal qual as mãos de Tiradentes unidas atrás do corpo eu também deixei claro, que tudo bem, porém na bunda não…
Desembaraçado, me pôs a andar no rumo do tal anunciado portão. Nem preciso dizer que esse é nos quintos dos infernos. E como a Azul está pouco se lixando para que possa acontecer desconforto para seus usuários, sebo nas canelas. Com tantas dores junto…
Depois de muito me arrastar, passando lojas sem fim, meio estonteado comecei a imaginar que errara tudo, eu estava era num shopping. Aliás, shopping e mercadão de tudo que se pensar. Vi até linguiça, acreditem. Pensei novamente no inconfidente e nos viajantes.
Sentado bem à frente do tal de 7 fiquei sabendo que ainda desceria escadas ao oito. Se vinha bem tratado dos States até ali, para minha cidade Governador Valadares, assim como outras mineiras, qualquer mordomia por mais besta que fosse ali se acabava. E ainda teria que andar de ônibus, pois o avião estaria nos quintos.
Senti mesmo, que mais merdas estariam a caminho. E como estavam…
13.35h, a moçoila ao microfone chama por mim. Já meio sofrido com a andação, fui lá. Com sorriso de pena me dizia que eu deveria descer novamente pois uma segurança secreta do aeroporto identificara uma pilha em uma de minhas malas. O que seria proibido.
Andei o que parecia quilometro para traz, desci, não antes de perguntar se corria o perigo em perder o voo. A menina com um sorriso bem safadinho disse que não, seria coisa rápida.
Lá nos “embaixos”, já cheguei perguntando cadê a mala. Estava incrédulo pois tudo viera de Los Angeles, passando por New York, New York, chegando ao BH pela própria, Azul, sem nenhum porém. E ainda afirmava não existir em minhas bagagens nada nem parecido com baterias.
!4 horas. As malas ignoraram as ordens de procura e não apareceram. Perdi a merda do voo. A Azul nem estava aí. E malas não apareceram. Lugar para sentar-se nem no colo dos atendentes. Água a beber, onde? Nem pensar…
15 horas, malas ainda fugidias. E eu já não estava achando mais graça nenhuma. Pensei com maldade com meus botões, não é à toa que esta empresa está, dizem, quebrando.
Já chamei minha filha de volta da “viagem” de regresso a BH. Ansioso via a marca vermelha como eu começara a ficar mostrando que o telefone indicava acabar a carga, tal qual carro elétrico chines.
15.45, opa apareceu a mochila. Por sorte a que seria investigada, nem sei por que, uma vez que não mais viajaria. Uma moça nova, de carinha fechada, para mostrar autoridade, pergunta se autorizo abrir. Digo claro, estamos aqui para isso. Pois não é que a sem-graça mandou-me, isso mandou-me sair de perto e esperar fora daquele recinto. Apenas repliquei, que por gentileza não fizesse acrescentar nada ilícito naquilo que era meu. Não disse sorrindo e ela também não achou graça. Em minutos empurrou tudo de volta a bolsa dizendo que fora engano, apenas uma tomada para iluminar internamente um cristal que mandara fazer para iluminar uma foto embutida da esposa que perdi em janeiro/25.
Mas, uma coisa faltava, a outra malona que era inocente. Cadê ela?
16.30 e nada… não queria nem mais saber de voar e nem nunca mais ouvir falar de Azul em minha vida. Me deram um papelucho dizendo que a mala sumira e que não poderiam ressarcirem o voo perdido, pois não fora culpa da empresa. Pensei comigo, cambada de filhos das p..as aqueles que instituíram tais regras. As meninas nem sabiam mais como mostrarem as caras coitadas.
17.00 minha filha Dudinha já chegara e com doce carinha, tentava me consolar. Mas, eu estava muito puto…
Percebia mentalmente que tudo deveria ser mudado se inteligente e preparado fosse nosso governo. Bastante séria, coibir o escorchamento das empresas pelas companhias cessionárias dos terminais aeroviários, um absurdo. Exploram mesmo. E em BH uma mesma empresa detém os dois aeroportos. Uma burrice de governo total e que permite assaltar no repasse àquele que final das contas paga por tudo… nós que voamos.
Por outro lado, não deixar de autorizar concorrências. Basta desregulamentar o setor de transporte aéreo, como os Estados Unidos o fizeram e qualquer um ou empresa que venda qualidade e segurança pode voar explorando o mercado para onde quiser.
Assim com certeza, empresas bagunçadas como essa azulina esculhambada, voaria para outra casa de mãe Joana.
Vocês estão pensando que tudo se acabou aí, nada. Apoiado na Duda e bengala, outra filha, Camila ao volante trouxera o carro para bem perto para que eu caísse desequilibrado mais ainda, com fome e sede, “morto” dentro dele.
Pois não é que um policial “bunitão” sargento sem barriga, todo empertigado desejoso em mostrar autoridade gritava aos berros que tirasse o carro dali senão a multaria. Sim, não havendo compreensão, multar talvez fosse seu dever, mas berrar deveria fazer com os seus em sua casa.
Já vinha pensando no militar símbolo da PM mineira e ainda me aparece uma figura arrogante daquela, foi muito, como muito o que em altos brados disse a ele, do que é ser um policial das Minas Gerais, pasmo calou-se. Ainda bem…
Finalmente vou dizer a todos, em que pese filhos “diamantes”, nessa Azul quero andar mais não, burro só uma vez, pois andar de “pés” para danar, foi tudo o que fiz…
BH/GV/Macapá- 03/05/2026
*José Altino Machado é jornalista

