Senador Cleitinho Azevedo e o empresário e ex-prefeito de Betim MG - créditos: divulgação
03-05-2026 às 09h44
Por Samuel Arruda*
O anúncio da pré-candidatura do ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, ao governo de Minas Gerais, tendo como vice o senador Cleitinho Azevedo, redesenha de forma significativa o tabuleiro político estadual para 2026. A movimentação, que consolida uma aliança entre um perfil empresarial e uma liderança popular de forte apelo nas redes sociais, surge em um momento de indefinições e reposicionamentos relevantes, sobretudo diante da saída de cena do senador Rodrigo Pacheco como potencial candidato.
Nos bastidores, Medioli e Cleitinho já vinham se encontrando e discutindo a possibilidade de formarem uma chapa competitiva para o Palácio Tiradentes. A oficialização desse arranjo, agora com papéis invertidos em relação a especulações anteriores, indica uma tentativa de unificar setores da direita e do eleitorado conservador em torno de um projeto único, evitando a fragmentação que poderia enfraquecer esse campo político.
Cleitinho, que vinha liderando pesquisas de intenção de voto em diferentes cenários, aparece como peça central dessa engenharia eleitoral. Levantamentos recentes apontam o senador com índices superiores aos de adversários tradicionais, incluindo o próprio Rodrigo Pacheco. Sua presença como candidato a vice, em vez de cabeça de chapa, sugere uma estratégia que busca ampliar o alcance eleitoral com o nome de Medioli, especialmente junto ao empresariado e a setores urbanos da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A decisão de Rodrigo Pacheco de não disputar nem uma vaga no Supremo Tribunal Federal nem o governo de Minas introduz um elemento adicional de incerteza. Até então, ele era visto como um dos principais nomes de um campo político mais alinhado ao governo federal e poderia polarizar a disputa com candidatos identificados com a oposição. Sua retirada tende a desorganizar esse bloco, abrindo espaço para novas candidaturas ou rearranjos partidários que ainda não estão plenamente definidos.
Sem Pacheco, o cenário mineiro caminha para uma disputa menos previsível e potencialmente mais pulverizada. De um lado, a chapa Medioli-Cleitinho tenta capitalizar o sentimento de renovação e o desgaste de grupos tradicionais. De outro, aliados do atual governo estadual e setores ligados ao Planalto devem buscar alternativas capazes de ocupar o vácuo deixado pelo senador, possivelmente com nomes que ainda não ganharam densidade eleitoral.
O quadro que se desenha é de recomposição acelerada. A união entre Medioli e Cleitinho pode representar um polo competitivo robusto, especialmente se conseguir manter a liderança nas pesquisas e atrair apoios regionais. Ao mesmo tempo, a ausência de um adversário consolidado como Pacheco transforma a eleição em um campo aberto, onde alianças, tempo de televisão e articulações partidárias terão peso decisivo nos próximos meses.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

