Créditos: Divulgação
02-05-2026 às 08h17
Anna Marchesini*
Em outubro de 2026, metade do Brasil vai votar sem saber pra que serve cada cargo.
E a outra metade vai votar achando que político é padrinho de casamento: dá tapinha nas costas, beija a testa, promete o céu e some por 4 anos.
Chega.
Político não é celebridade. É funcionário público.
E funcionário que não entrega, na vida real, é mandado embora.
Vereador não serve pra conseguir exame no posto.
Serve pra fiscalizar o prefeito e criar lei pro município funcionar. Se ele só arruma favor, ele tá te roubando duas vezes: rouba seu voto e rouba a função dele.
Prefeito não é dono da cidade.
É síndico. Foi contratado pra rua não alagar, pra luz acender, pra escola abrir, pra saúde atender. Se em 4 anos ele não tapou nem buraco, por que em mais 4 ele vai construir ponte?
Deputado Estadual não é despachante de emenda.
É quem vota o orçamento do seu estado. Decide se o dinheiro vai pra estrada ou pro bolso de amigo. Se ele passou 4 anos sumido e agora aparece na sua porta, ele não tá te visitando. Tá te assaltando com sorriso.
Deputado Federal não é turista em Brasília.
É quem mexe na lei que muda sua CLT, seu imposto, sua aposentadoria. Se ele só posta vídeo e não explica um projeto, ele não te representa. Ele te usa de palco.
A gente inverteu tudo.
A gente agradece quando político faz o básico. Agradece asfalto como se fosse presente. Agradece remédio como se fosse milagre.
Não é favor. É obrigação. É contrato. É pra isso que ele foi contratado com nosso dinheiro.
E tem mais: promessa de quem já está no poder não vale.
Quem teve 4 anos, 8 anos, 12 anos e não fez, não vai fazer agora.
Poder não dá amnésia. Dá ficha corrida.
Se não consta na ficha que ele entregou, não adianta ele jurar que “dessa vez vai”.
Em 2026, a pauta não é esquerda nem direita.
A pauta é: você sabe o que esse cara tem obrigação de fazer?
Se não sabe, você não tá votando. Tá assinando cheque em branco pra ser rasgado.
Tem coisa que a gente precisa preservar: democracia, voto, direito de cobrar.
Mas tem coisa que a gente precisa colher: político com medo de ser demitido pelo povo.
Preservar e colher. Só assim a conta fecha.
Em outubro, antes de apertar o verde, pergunta:
“Esse aqui já teve a chance. O que ele fez com ela?”
“Esse aqui sabe a função dele ou só sabe pedir voto?”
Porque gente real não quer tapinha.
Gente real quer serviço feito.
E político que não entende isso, que vá procurar outro emprego.
Em outubro, o patrão vota. E o patrão somos nós.
*Anna Marchesini é Palestrante

