Sala de comando - créditos: divulgação
11-04-2026 às 09h14
Ana Cirico*
Exposições abertas ao público no Brasil ajudam a traduzir, de forma prática, como a vida dos astronautas mudou desde as primeiras viagens à Lua. Na Space Adventure, com unidades em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, os visitantes podem conhecer e comparar itens originais do programa Apollo com tecnologias associadas às novas missões.
A Artemis II, lançada em abril, marca o retorno da tripulação à órbita da Lua mais de cinco décadas após a Apollo 8, de 1968. À época, tarefas cotidianas como comer, dormir e ir ao banheiro exigiam soluções nada comuns. Hoje, avanços tecnológicos tornam a permanência no espaço mais segura e funcional.
Alimentação
Entre os exemplos está a comida: durante a Apollo 8, os astronautas consumiam produtos liofilizados e pastas em tubos, com restrições severas para evitar migalhas, que, em ambiente de microgravidade, podiam flutuar e danificar equipamentos. Atualmente, o cardápio continua desidratado, mas inclui maior variedade, melhor textura e sistemas que permitem reidratação e aquecimento mais precisos. Tortilhas substituem o pão, e o menu é pensado para manter não só a saúde, mas também o bem-estar psicológico da tripulação.
Higiene
As diferenças também aparecem nos sistemas de higiene. Nas primeiras missões, não havia banheiros. Para urinar, os astronautas utilizavam funis acoplados a mangueiras. Para outras necessidades, o processo envolvia sacos coletores que precisavam ser ajustados manualmente ao corpo, exigindo tempo, precisão e treinamento. Em alguns casos, era necessário manipular o conteúdo externamente para garantir o armazenamento adequado e impedir a proliferação de bactérias.
Já na cápsula Orion, usada na Artemis II, o sistema sanitário utiliza sucção a vácuo, direcionando os resíduos de forma segura e muito mais higiênica. O equipamento é projetado para oferecer mais ergonomia e eficiência.
Sono
Dormir no espaço nunca foi tarefa simples. Durante a era Apollo, os astronautas precisavam se prender para não flutuar pela cabine enquanto descansavam, frequentemente em posições desconfortáveis e sob ruído constante. A ausência de um ciclo natural de dia e noite — já que o Sol nasce e se põe diversas vezes ao longo de um único dia em órbita — também comprometia o relógio biológico das tripulações.
Décadas depois, o desafio persiste, mas com avanços relevantes. Atualmente, os astronautas utilizam sacos de dormir fixados às paredes das espaçonaves, contam com controle de iluminação para simular períodos de descanso e seguem protocolos específicos de adaptação fisiológica. Ainda distante das condições ideais na Terra, o sono no espaço tornou-se mais funcional e previsível.

Space Adventure
Quase 600 itens originais que fizeram parte da corrida espacial estão no Space Adventure, conhecido pelo público como “Parque da Nasa”.
Em Balneário Camboriú (SC), essa evolução ganha forma concreta. O público tem acesso a mais de 300 itens utilizados em missões da NASA, incluindo alimentos que estiveram a bordo da Apollo 8. A experiência aproxima o visitante da rotina dos astronautas e mostra, na prática, como era se alimentar fora da Terra.
Já na unidade de Canela (RS), a proposta é conectar passado, presente e futuro da exploração espacial. O espaço reúne a réplica da cápsula Orion, o icônico traje laranja de voo e o modelo desenvolvido para caminhadas lunares, além de uma representação da estação lunar Gateway. A exposição inclui, ainda, réplica de um rover semelhante aos usados em missões a Marte, ampliando a compreensão sobre os próximos passos da presença humana no espaço.
*Ana Cirico é do Grupo Oceanic

