04-04-2026 às 12h26
Samuel Arruda*
Após um longo período afastado da vida pública, o ex-senador e ex-ministro Hélio Costa oficializou nesta quinta-feira (2) sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro, marcando um movimento que pode redesenhar sua trajetória política e reacender seu protagonismo nacional.
Costa, que já ocupou cargos de destaque como senador por Minas Gerais e ministro das Comunicações durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, estava há anos fora do centro das articulações políticas. Seu afastamento prolongado chamou atenção justamente por contrastar com o período em que era figura frequente tanto nos bastidores de Brasília quanto na mídia nacional.
Antes de ingressar na política, Hélio Costa construiu uma carreira sólida no jornalismo televisivo, com passagem marcante pela TV Globo, onde se destacou como repórter internacional e apresentador. Essa experiência consolidou sua habilidade de comunicação — um ativo relevante em tempos de forte disputa narrativa no ambiente político.
Analistas avaliam que essa capacidade de dialogar com o público, especialmente por meio da chamada “velha mídia”, pode ter pesado em seu retorno. Em um cenário onde a comunicação política se fragmenta entre redes sociais e meios tradicionais, figuras com trânsito consolidado na televisão ainda exercem influência significativa.
Outro fator determinante para o reaparecimento de Costa é sua histórica relação com o presidente Lula. A proximidade entre os dois remonta aos mandatos anteriores, quando Costa integrou o primeiro escalão do governo federal. Sua filiação ao PSB — partido que integra a base de apoio do governo — é vista como um movimento alinhado ao campo político liderado por Lula.
Nos bastidores, a leitura é de que Costa pode atuar como um elo entre diferentes gerações da política e também entre distintos perfis de eleitores, especialmente aqueles mais conectados à televisão aberta.
O retorno de Hélio Costa ocorre em um momento em que partidos buscam quadros experientes para enfrentar desafios eleitorais e ampliar sua capilaridade. Ao mesmo tempo, levanta questionamentos sobre como políticos tradicionais podem se reinventar em um ambiente dominado por novas dinâmicas digitais.
Se por um lado sua ausência prolongada pode ter reduzido sua presença entre eleitores mais jovens, por outro, sua bagagem política e reconhecimento nacional ainda representam ativos importantes.
A filiação ao PSB, portanto, não apenas marca o fim de um período de afastamento, mas também abre um novo capítulo na trajetória de um político que já foi um dos rostos mais conhecidos da mídia e da política brasileira.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

