Créditos: Divulgação
31-03-2026 às 07h20
Alberto Sena*
Hoje, 31, último dia do mês de março chuvoso, tive a grata satisfação de receber da parte do colega de décadas atrás, quando na Redação do jornal Estado de Minas, Ricardo Eugênio, uma notícia que considero da mais alta importância.
A China de Xi Jimping traduziu o professor Darcy Ribeiro (ele gostava de ser chamado de professor), “e transforma “O Povo Brasileiro”, livro que o fez “fugir do hospital” para concluir, em Maricá (RJ) comendo paçoca, “em ponte estratégica de reflexão entre duas civilizações”, como afirma no “Home Blog”, o seu autor Henrique Matthiesen, de quem Ricardo Eugênio me trouxe a notícia.
Evidentemente, esse gesto chinês de publicar o “O Povo Brasileiro” de Darcy em mandarim não significa só um salto editorial que “China International Communications Group” dá, mas se pode traduzir “no reconhecimento de que o Brasil precisa ser compreendido”, escreveu Mattihiesen na sua “Home Blog”. Com o que concordo plenamente, pois não há no globo raça mais rica, talentosa, resistente.
Sem a menor dúvida, a notícia trazida pelo colega de batalhas homéricas no EM mexeu comigo de todo jeito. Primeiro porque Darcy é conterrâneo meu e amigo. Tive o privilégio de com ele conviver diariamente por sete meses, aqui, em Belo Horizonte (MG), onde exerceu o cargo de secretário Extraordinário para Assuntos Sociais, na administração do governador Newton Cardoso.
Darcy veio a Minas Gerais com o intuito de lançar em todo o Estado, o ensino de tempo integral denominado Ciesps, o que havia feito, inclusive, no Rio de Janeiro (RJ). Infelizmente, em BH, colheu mais um dos seus famosos “fracassos”, dos quais se orgulhava e jamais estaria entre os vencedores.
Como um dos seus assessores de imprensa, nesse período de Belo Horizonte, em companhia do jornalista e escritor Carlos Olavo da Cunha Pereira, ouvi de Darcy várias vezes sobre o seu “temor” de não ser mais lembrado depois da morte. Claro que isso não passava de sua necessidade de provocar mimos. Dizia ser uma pessoa carente, vaidoso como foi e ainda é porque a sua obra está no meio de nós.
Só que levei o “temor” dele muito a sério, e anos depois da nossa convivência profissional e pessoal, escrevi o livro “Darcy Ribeiro do Fazimento”, recém-lançado em Montes Claros (MG), numa bela noite, no Centro Cultural.
Agora, para minha surpresa, Darcy é lançado em mandarim, na China, país de 1,3 bilhão de habitantes, e daí fiquei pensando, aqui, na intimidade das mangas de camisa, já pensou se “O Povo Brasileiro” for lido lá por metade da população irá atingir um espantoso índice de leitura.
E nesta esteira, o livro de minha convivência com ele – “Darcy Ribeiro do Fazimento” – poderá, se os chineses descobrirem, ocupar um espaço na China de Xi Jinpimg, porque uma coisa é o professor em sua obra tratar de como se deu no caldeirão étnico a raça brasileira – branco, índio e negro africano.
Outra coisa é vivenciar, o dia a dia profissional e pessoal com o professor, que logo no primeiro dia pediu a mim e ao Carlos Olavo:
- Quero de segunda a sexta-feira, às 8h, vocês dois, aqui, no meu gabinete.
Um privilégio para mim e Carlos Olavo. A partir daí nasceu “Darcy Ribeiro do Fazimento”, que tenho o maior prazer de levar, pessoalmente, aos correios para postar um ou mais exemplares, autografados; o que faço por meio de uma caminhada, que para mim funciona como uma terapia e exercício à criatividade.
Afinal, ninguém pode investir em mim senão eu mesmo.
*Jornalista e escritor autor também dos livros “Nos Pirineus da Alma, sobre as duas caminhadas pelas trilhas de Santiago de Compostela; e “Retrato de Nós Mesmos”. Memórias de Montes Claros.


