Senadores Cleitinho e Rodrigo Pacheco - créditos: divulgação
28-03-2026 às 13h00
Por Samuel Arruda*
A pré-campanha ao governo de Minas Gerais entrou em turbulência após o pedido de indiciamento do deputado federal Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos e principal padrinho político do senador Cleitinho Azevedo.
O caso, revelado no âmbito da investigação da CPMI do INSS, aponta Pettersen como um dos beneficiários de um suposto esquema envolvendo lavagem de dinheiro, corrupção e uso irregular de emendas parlamentares. Segundo o relatório, ele teria atuado na ocultação de recursos por meio de empresas de fachada e recebido milhões em repasses indevidos.
A crise atinge diretamente Cleitinho porque Pettersen não é apenas um aliado — ele é considerado fiador político da candidatura do senador ao governo mineiro e peça-chave na articulação partidária.
Além disso, há um compromisso político interno: Pettersen teria interesse em fortalecer seu próprio grupo, incluindo projetos eleitorais futuros, como a disputa ao Senado — o que torna a relação ainda mais estratégica e sensível.
Nos bastidores, analistas avaliam que o vínculo entre os dois deixa Cleitinho em uma posição delicada. Romper com o padrinho pode fragilizar sua base partidária e manter a aliança pode gerar desgaste eleitoral causando sérios danos à sua imagem.
Diante da repercussão, Cleitinho adotou um discurso de afastamento, afirmando que “não tem nada a ver com isso” e tentando blindar sua pré-candidatura.
Apesar disso, o movimento não tem sido suficiente para conter a pressão, principalmente nas redes sociais e entre eleitores mais alinhados ao discurso anticorrupção — base que sustenta sua popularidade.
O episódio foi rapidamente explorado pelo governador de Minas, Mateus Simões, que assumiu o cargo em 2026 e é pré-candidato à reeleição.
Simões elevou o tom ao afirmar que o Republicanos deveria explicar a situação de seu presidente, sugerindo que o escândalo compromete a credibilidade do grupo político adversário.
Antes mesmo do indiciamento ganhar força, o próprio Simões já vinha sinalizando que poderia usar o caso contra Cleitinho, numa estratégia clara de enfraquecer o rival dentro do campo da direita.
O embate revela uma disputa interna:
Cleitinho tenta se consolidar como nome popular e outsider;
Simões busca unificar a direita com apoio da máquina estadual.
A crise também provoca ruídos dentro do próprio eleitorado de Cleitinho. Parte de seus seguidores questiona a coerência do senador ao manter proximidade com um aliado investigado por corrupção — justamente o tipo de prática que ele costuma criticar publicamente.
No cenário político, isso abre três riscos concretos:
a) Erosão da imagem anticorrupção
b) Fragilidade dentro do Republicanos
c) Perda de espaço para concorrentes da direita
Com liderança nas pesquisas e forte apelo popular, Cleitinho ainda é um dos principais nomes na disputa pelo Palácio Tiradentes. Mas nas redes sociais passa recibo de incompetência quando diz que sua equipe será composta de pessoas mais inteligente que ele. No entanto, o caso Pettersen se tornou o primeiro grande teste de sua campanha.
Mais do que um problema jurídico de um aliado, a crise se transforma em um dilema político:
até que ponto é possível sustentar um discurso anti-establishment mantendo vínculos com estruturas tradicionais de poder sob investigação?
O desfecho desse episódio pode redefinir o equilíbrio da corrida eleitoral em Minas Gerais — especialmente em um cenário já marcado pela fragmentação da direita, fortalecendo o nome de Rodrigo Pacheco, que vem articulando sua pré-candidatura com um número considerável de alianças partidárias, e em silêncio.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

