Da esquerda para a direita, Otacílio Neto Costa Matos, presidente estadual do PSB-MG, Senador Rodrigo Pacheco, João Campos, presidente nacional do PSB e Geraldo Alckmim (PSB) vice-presidente da república - créditos: PSB-divulgação
25-03-2026 às 11h26
Por Samuel Arruda*
O senador Rodrigo Pacheco, após um jantar em Brasília ontem 25-03, com a cúpula do PSB – Partido Socialista Brasileiro, e aliados, deve oficializar nesta sexta-feira sua filiação ao PSB, movimento que marca sua entrada definitiva na disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026.
A mudança partidária ocorre após semanas de articulação política envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vê em Pacheco o principal nome para liderar um palanque competitivo no estado, considerado estratégico no cenário nacional.
Nos bastidores, o senador já é tratado como “plano A” do grupo governista. A filiação ao PSB surge como alternativa viável após dificuldades de acomodação em outras siglas, como MDB e União Brasil, que já possuem pré-candidaturas ou divisões internas.
A expectativa é que o ato desta sexta-feira funcione não apenas como filiação, mas como lançamento político de sua pré-candidatura, ainda que, pela legislação eleitoral, o status formal siga sendo o de “pré-candidato” até meados de 2026.
No cenário eleitoral em Minas, o movimento de Pacheco ocorre com grande expectativa. Pesquisas recentes mostram uma disputa fragmentada, com vantagem inicial de nomes da direita.
Levantamento de março indica o senador em segundo lugar, com cerca de 19% das intenções de voto, atrás de Cleitinho Azevedo, que aparece na liderança.
Outros nomes, como Alexandre Kalil, também figuram no páreo, enquanto o vice-governador Mateus Simões trabalha para consolidar apoio do campo governista estadual.
Analistas apontam que Minas vive um cenário de “vazio competitivo” no campo mais próximo ao governo federal, o que explica a pressão para que Pacheco entre na disputa.
Em uma análise pragmática sobre a rejeição de Pacheco preocupa? Nesse cenário, vale separar percepção política de leitura técnica. Não há ainda um número consolidado de rejeição.
Diferente de outros nomes, os dados públicos recentes destacam mais intenção de voto do que rejeição específica de Pacheco. Isso já é um primeiro sinal relevante:
Ele ainda não é um candidato totalmente testado negativamente pelo eleitorado e seu nível de conhecimento é médio — o que tende a crescer com a campanha. Ou seja: a rejeição existe, mas ainda não está cristalizada.
Sua posição intermediária é confortável. Com cerca de 19% e presença constante no pelotão de frente, Pacheco está numa posição típica de:
Candidato competitivo e com espaço para crescimento. Isso é bem diferente de candidatos que já largam com alta rejeição e teto baixo.
Existe um risco real em relação a sua associação política? O principal fator que pode elevar sua rejeição não é pessoal, mas político:
Ligação com o governo Lula e sua entrada num campo ideológico mais definido (centro-esquerda).
Em Minas, que costuma oscilar entre polos, isso pode ajudar (transferência de votos) ou aumentar rejeição em setores conservadores
Na comparação com outros adversários, ou seja, outros atores também enfrentam rejeições relevantes (como governistas ou nomes bolsonaristas). Em cenários assim, ninguém é “leve” eleitoralmente, e vence quem tiver menor rejeição relativa + maior capacidade de alianças.
A rejeição de Pacheco não parece, neste momento, um problema crítico.
Ela é difusa (não consolidada), potencialmente administrável e típica de um candidato que ainda não entrou plenamente em campanha
O que realmente vai definir seu futuro é a capacidade de se tornar mais conhecido, a construção de alianças fortes, e principalmente como será percebido como alternativa ao grupo hoje no poder em Minas
Se conseguir ocupar o espaço de “candidato de equilíbrio”, a rejeição tende a ficar sob controle.
Se for rotulado cedo demais como candidato de um lado específico, aí sim vira um fator de risco.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

