Créditos: Rosinei Coutinho/STF
14-02-2026 às 09h35
Direto da Redação*
O caso que envolve o Banco Master e investigações de fraudes financeiras bilionárias atingiu diretamente o coração do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta semana, o ministro Dias Toffoli decidiu deixar a relatoria do inquérito após aumentarem as pressões internas e externas sobre a sua condução do processo.
O que é o “Caso Banco Master”?
O Banco Master — um banco de porte médio que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 sob acusações de gestão fraudulenta, concessão de créditos fictícios e prejuízos ao sistema financeiro — tornou-se um dos maiores escândalos financeiros em investigação no Brasil. O empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição, foi alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF) e monitorado com tornozeleira eletrônica desde sua prisão.
A investigação abrange suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, uso de informação privilegiada e manipulação do mercado, entre outros crimes.
Pressão da Polícia Federal e suspeição de Toffoli
A situação ganhou um novo capítulo dramático quando a Polícia Federal encontrou, no celular de Vorcaro, mensagens que mencionavam o nome do ministro Toffoli e outras autoridades com foro privilegiado, levantando suspeitas de possível relação ou influência indevida. Em consequência, a PF pediu formalmente ao presidente do STF, Edson Fachin, que Toffoli fosse declarado suspeito no caso.
Internamente, o clima no STF ficou descrito como “péssimo”, com ministros divididos sobre a permanência de Toffoli na relatoria, diante da pressão para preservar a credibilidade da Corte e evitar conflitos de interesse.
Embora o gabinete de Toffoli tenha negado veementemente qualquer pagamento ou relação financeira com Vorcaro, afirmando que ele “jamais recebeu qualquer valor” do banqueiro, as menções no material apreendido foram suficientes para intensificar o debate sobre sua imparcialidade.
Decisão de saída da relatoria
Após reuniões entre os ministros do STF, Toffoli optou por se afastar da relatoria da investigação. A decisão foi apresentada como uma tentativa de proteger “o bom andamento dos processos” e os “interesses institucionais” do tribunal, mesmo com a Corte reconhecendo oficialmente a validade dos atos praticados sob sua condução até então.
Um novo relator será sorteado, abrindo uma nova fase para o caso e para as tratativas jurídicas que podem chegar até a instâncias inferiores.
Críticas e consequências políticas
O episódio gerou repercussão além do Judiciário:
- Pressão política: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sinalizado desconforto com a condução do caso por Toffoli e evitado defendê-lo publicamente diante das críticas.
- Crise de credibilidade do STF: Artigos e análises na mídia destacam que as ligações entre ministros e figuras ligadas ao Banco Master reacenderam debates sobre blindagem institucional, principalmente porque apenas o próprio STF pode autorizar investigações criminais contra seus membros.
- Divisão interna: Ministros no STF chegaram a defender enviar o caso para a primeira instância como uma “saída honrosa”; outros resistiram, alegando riscos à independência institucional.
Próximos passos
Com a relatoria do caso nas mãos de um novo ministro sorteado, as investigações continuam tramitando no Supremo até que se esclareçam todos os fatos envolvendo a atuação do Banco Master, as possíveis conexões com autoridades públicas e o aprofundamento das suspeitas observadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

