Margem equatorial - créditos: Agência Brasil
24-01-2026 às 14h42
Direto da Redação
Daqui para frente, a Marinha do Brasil (MB) tem o seu leque de responsabilidades aumentado, com especial atenção e atuação na Margem Equatorial e na região marítima junto à Costa Norte Atlântica da América do Sul, nas proximidades da linha do Equador. Mas por quê?
A pergunta é inevitável e vem carregada de certa dose de surpresa por parte de quem inicia a leitura deste texto, numa ocasião em que o petróleo, ouro negro epitetado na década de 1930 pelo escritor Monteiro Lobato, ganha predominância e é motivo de ganância e até de pretexto de invasão como a ocorrida na Venezuela, vizinha nossa.
Não será nenhum exagero dizer que o Brasil vai pender para a região Norte do País devido aos eventos que começam a aflorar na Margem Equatorial brasileira que se estende por 2.200 quilômetros, entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, na linha onde estão cinco bacias sedimentares, Foz da Amazônia, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.
Antes de dar outro passo, base deste artigo, convém recordar, o escritor Monteiro Lobato lançou, em 1930, uma campanha nacionalista denunciando: “o Brasil tem petróleo, mas a exploração é bloqueada por interesses internacionais e técnicos do governo”.
Concomitantemente Lobato cunhou a frase “O Petróleo é Nosso”, que ganhou as ruas do Brasil, e expressava “o sentimento de Lobato, que via a extração do petróleo como fundamental para o desenvolvimento brasileiro”.
Se em 2024, no mês de dezembro, a reserva petrolífera do Brasil, comprovada, era em torno de 16,8 bilhões de barris, hoje a margem brasileira comprovada gira em torno de 30 bilhões de barris. E se o espírito do escritor Monteiro Lobato for convocado para dar sua opinião, é possível que ele informe potencial da reserva brasileira bem maior.
A Marinha do Brasil informa, em uma publicação, que a Petrobras enfatiza ser a produção de óleo “a partir da margem brasileira uma decisão estratégica e necessária para que o País não tenha que importar petróleo por dez anos”.
A região em tela já possui atividades econômicas importantes, como o escoamento de minérios de ferro, manganês e bauxita, além de variados produtos agrícolas via Arco Norte, mas ainda assim, precisa contar com investimentos em sua infraestrutura que possam assegurar o seu desenvolvimento.
Há insuficiente oferta de transporte, energia e comunicação, como aponta o artigo da MB para estruturação do setor de óleo e gás, tendo em vista a futura exploração da Margem Equatorial e aspectos de segurança marítima e defesa devem ser considerados prioritários para a região.
Outra coisa é a provável expansão da exploração de óleo e gás e a atribuição da MB na formação e capacitação dos aquaviários para as embarcações que irão operar naquela área marítima, sendo gestora do Sistema de Ensino Profissional Marítimo (RPM).
Na referida publicação, a MB exalta a importância de tudo isso, socialmente falando, mas jamais deixaria de alertar sobre a questão de segurança sob todos os aspectos. Precisa estar presente o tempo todo com a finalidade também de coibir ilícitos em embarcações; presente na prevenção e resposta a incidentes ambientais; presente na fiscalização do cumprimento da Legislação Nacional das Águas Jurisdicionais Brasileira (AJB).
Evidentemente, a MB deverá dispor de todos os meios necessários a fim de mostrar presença ostensiva na região porque de fato, a previsão é a de incremento de tudo na Margem Equatorial brasileira e adjacências, que, numa antevisão do quadro, é como a descoberta de outro Brasil, bem brasileiro, soberano, dotado de autonomia e da acuidade e competência da Marinha do Brasil.

