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24-07-2026 às 10h00
Sebastião Martins*
Nos últimos anos, o hidrogênio verde consolidou-se como um dos principais temas da agenda energética mundial. Governos, organismos internacionais, instituições financeiras e veículos especializados têm destacado, de forma recorrente, seu potencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, impulsionar a descarbonização da indústria e criar oportunidades de desenvolvimento econômico.
Essa narrativa é, sem dúvida, tecnicamente consistente sob a ótica ambiental. Entretanto, observa-se que grande parte dos artigos publicados se limita a enfatizar os benefícios decorrentes da descarbonização, da transição energética e da geração de créditos de carbono, sem apresentar os fundamentos econômicos necessários para demonstrar que tais empreendimentos são efetivamente viáveis.
É relativamente comum encontrar afirmações de que o hidrogênio verde representa “o combustível do futuro” ou “uma oportunidade estratégica para o Brasil“, acompanhadas de referências a incentivos fiscais, financiamentos públicos e metas climáticas. Contudo, raramente esses textos apresentam os parâmetros técnicos e financeiros indispensáveis para responder à pergunta que realmente interessa a investidores, financiadores e agentes de crédito:
Em quais condições econômicas um projeto de hidrogênio verde torna-se financeiramente viável?
Essa é justamente a lacuna que merece maior atenção.
Projetos industriais dessa natureza exigem investimentos extremamente elevados, consumo intensivo de energia elétrica, utilização de tecnologias sofisticadas e horizontes de amortização de longo prazo. Por essa razão, a simples existência de incentivos governamentais ou de mercados potenciais não é suficiente para assegurar sua implementação.
Sob a perspectiva da engenharia econômica, qualquer empreendimento dessa magnitude somente pode ser adequadamente avaliado mediante a identificação e quantificação de um conjunto de parâmetros fundamentais, entre os quais destacam-se:
- investimento total (CAPEX);
- custos operacionais (OPEX);
- capacidade nominal de produção;
- consumo específico de energia elétrica por quilograma de hidrogênio;
- custo da energia elétrica;
- consumo de água;
- eficiência dos eletrolisadores;
- fator de utilização da planta;
- vida útil dos equipamentos;
- custos de manutenção;
- estrutura de financiamento;
- carga tributária;
- preços de comercialização do hidrogênio e de seus derivados;
- receitas acessórias, incluindo créditos de carbono;
- fluxo de caixa projetado;
- Valor Presente Líquido (VPL);
- Taxa Interna de Retorno (TIR);
- Payback;
- análises de sensibilidade;
- análises probabilísticas de risco.
Na ausência desses parâmetros, torna-se impossível avaliar se um projeto possui condições reais de atrair investidores privados ou financiamentos de longo prazo.
Em outras palavras, a viabilidade ambiental não implica, necessariamente, viabilidade econômica.
Essa distinção é fundamental.
Sob esse aspecto, observa-se que muitos artigos divulgados atualmenteconcentram-se na descrição dos benefícios ambientais do hidrogênio verde, mas deixam de enfrentar a questão central relacionada à sustentabilidade financeira dos empreendimentos.
Mesmo quando mencionam incentivos fiscais, linhas de crédito ou programas governamentais, raramente esclarecem qual a magnitude desses incentivos em relação ao investimento necessário, qual seu impacto sobre o fluxo de caixa do projeto ou em que medida são suficientes para alterar indicadores como a TIR, o VPL ou o prazo de retorno do investimento.
Essa abordagem pode transmitir ao leitor uma percepção excessivamente otimista sobre a maturidade econômica da tecnologia, sem oferecer elementos objetivos que permitam avaliar seus riscos e limitações.
É justamente nesse ponto que estudos de viabilidade econômica assumem papel decisivo.
Na metodologia desenvolvida pela DBEST PLAN, a análise de projetos de energia limpa não parte da premissa de que determinada tecnologia seja, por definição, viável ou inviável. O processo consiste em identificar as condições técnicas, econômicas, tributárias e operacionais que permitam transformar uma tecnologia promissora em um empreendimento efetivamente financiável.
Essa abordagem procura responder questões objetivas, como:
- Qual deve ser o custo máximo da energia elétrica para que o projeto alcance a TIR desejada?
- Qual o investimento máximo admissível por unidade de capacidade instalada?
- Qual a produtividade mínima necessária do eletrolisador?
- Qual o preço mínimo de venda do hidrogênio para assegurar determinado retorno ao investidor?
- Qual o impacto dos créditos de carbono sobre a rentabilidade?
- Qual o efeito das variações cambiais, tributárias e operacionais sobre o fluxo de caixa?
- Quais variáveis exercem maior influência sobre o risco do empreendimento?
Essas perguntas somente podem ser respondidas mediante modelos matemáticos consistentes, apoiados em engenharia econômica, projeções financeiras e análises probabilísticas, como a Simulação de Monte Carlo, metodologia amplamente empregada pela DBEST PLAN em seus estudos de viabilidade.
Mais do que confirmar expectativas favoráveis, essa metodologia permite identificar, com razoável grau de confiabilidade, os limites dentro dos quais o empreendimento permanece economicamente sustentável.
Assim, embora o crescente interesse pelo hidrogênio verde represente um avanço importante para a agenda ambiental e energética, torna-se desejável que futuras publicações avancem além da descrição de seus benefícios ambientais e passem a incorporar análises quantitativas capazes de demonstrar, de forma transparente, as condições econômicas necessárias para sua implementação.
Somente dessa forma será possível transformar expectativas em investimentos, projetos em empreendimentos e potencial tecnológico em desenvolvimento econômico efetivo.
O grande diferencial dos estudos da DBEST PLAN e dos demais profissionais e empresas está na sua Metodologia para Avaliação Econômico-Financeira de Projetos Estratégicos
Os estudos relacionados às novas tecnologias voltadas à transição energética, à economia circular e ao aproveitamento sustentável de resíduos normalmente concentram-se na descrição de seus aspectos tecnológicos, ambientais e sociais.
São amplamente discutidos temas como redução das emissões de gases de efeito estufa, economia circular, recuperação energética, sustentabilidade ambiental e mitigação das mudanças climáticas.
Essas contribuições são inquestionavelmente relevantes.
Entretanto, existe uma questão fundamental que raramente recebe tratamento quantitativo adequado:
Em quais condições econômicas essas tecnologias tornam-se efetivamente financiáveis e capazes de atrair investidores?
Responder a essa pergunta exige uma abordagem distinta daquela normalmente encontrada na literatura técnica.
A simples demonstração de que determinada tecnologia funciona ou produz benefícios ambientais não assegura sua implantação em escala industrial.
Todo empreendimento depende da existência simultânea de condições técnicas, econômicas, financeiras, tributárias, operacionais e mercadológicas que permitam sua sustentabilidade ao longo de toda sua vida útil.
Foi exatamente para responder a essa questão que a DBEST PLAN desenvolveu, ao longo de vários anos de pesquisas e aplicações práticas, uma metodologia própria de Engenharia Econômica voltada à avaliação de projetos estratégicos relacionados à transição energética e à economia circular.
Essa metodologia parte de um princípio simples:
Não basta demonstrar que uma tecnologia funciona. É necessário determinar objetivamente as condições que tornam sua implantação economicamente viável.
Sob essa perspectiva, cada empreendimento é analisado como um sistema integrado, no qual tecnologia, produtividade, investimentos, custos operacionais, tributação, financiamento, receitas e riscos interagem simultaneamente para determinar sua rentabilidade.
Em consequência, os estudos desenvolvidos pela DBEST PLAN procuram identificar, de forma quantitativa:
- o investimento máximo economicamente admissível (CAPEX);
- os custos operacionais compatíveis com a rentabilidade desejada (OPEX);
- a produtividade mínima necessária para assegurar a viabilidade do empreendimento;
- os preços mínimos de comercialização dos produtos;
- a estrutura tributária mais adequada;
- os efeitos da estrutura de financiamento sobre a Taxa Interna de Retorno (TIR);
- a sensibilidade da rentabilidade às oscilações de mercado;
- os riscos associados às principais variáveis do projeto;
- as políticas públicas capazes de ampliar sua competitividade.
Essas avaliações são realizadas mediante ferramentas clássicas de Engenharia Econômica complementadas por técnicas modernas de análise probabilística, destacando-se a Simulação de Monte Carlo, que permite quantificar os riscos associados às principais premissas utilizadas na modelagem financeira.
O resultado desse processo não é apenas um estudo de viabilidade econômica.
É um instrumento de tomada de decisão destinado a orientar investidores, financiadores, gestores públicos e desenvolvedores de tecnologia na identificação das condições necessárias para transformar uma inovação tecnológica em um empreendimento sustentável, competitivo e financiável.
Essa metodologia vem sendo aplicada pela DBEST PLAN em estudos relacionados à produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), biodiesel, etanol de segunda geração, hidrogênio verde, fertilizantes organominerais, ecoparques industriais e Unidades de Recuperação Energética (URE), sempre com o objetivo de integrar engenharia, economia, gestão de riscos e sustentabilidade em um único modelo analítico.
É sob essa perspectiva metodológica que o presente estudo deve ser interpretado.
Mais do que descrever uma tecnologia, ele procura responder, de forma quantitativa, à questão essencial para qualquer empreendimento:
Em quais condições econômicas esta tecnologia pode transformar-se em um investimento seguro, competitivo e capaz de contribuir efetivamente para o desenvolvimento sustentável do Brasil?
Eng. Sebastião Carlos Martins
Autor da Coleção Brasil do Futuro – Tecnologia, Inteligência e Desenvolvimento Sustentável
DBEST PLAN – Engenharia e Tecnologia da Informação

