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01-07-2026 às 16h45
Vera Cristina Scheller dos Santos Rocha*
A América do Sul apresenta áreas de intensa atividade sísmica, principalmente ao longo da sua costa oeste.
Essa região está diretamente associada à dinâmica das placas tectônicas, especialmente ao contato entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana, processo responsável pela formação da Cordilheira dos Andes e pela ocorrência frequente de terremotos em países como Chile, Peru e Equador. Nesses locais, os abalos são comuns e, em alguns casos, atingem magnitudes elevadas, podendo algumas vezes ser sentidos em algumas regiões do Brasil com baixa intensidade.
Na porção norte do continente, a atividade sísmica ocorre em um contexto diferente. Países como Venezuela e Colômbia estão localizados na fronteira entre a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana. Nessa região, o deslocamento lateral das placas provoca o acúmulo de energia ao longo de falhas geológicas, que pode ser liberado na forma de terremotos.
Mesmo áreas consideradas mais estáveis, como o Brasil, podem registrar tremores, embora de baixa intensidade, geralmente associados a falhas geológicas internas da crosta terrestre.
Nos últimos dias, a atividade sísmica ganhou destaque devido a um forte terremoto ocorrido na Venezuela, em 24 de junho de 2026. O evento foi caracterizado por dois grandes tremores consecutivos, um de magnitude 7,2 e outro de 7,5, ocorridos com menos de um minuto de diferença, fenômeno conhecido como “dupleto sísmico”, quando dois terremotos de grande magnitude ocorrem em sequência, em um curto intervalo de tempo.
Esse tipo de ocorrência é considerado raro e acontece quando um primeiro terremoto altera as tensões na crosta terrestre, desencadeando um segundo abalo de maior intensidade. Os tremores tiveram epicentro próximo à região costeira do país, em áreas densamente povoadas, o que ampliou os impactos sobre a população.
Os levantamentos iniciais indicam que os abalos provocaram danos significativos em cidades como Caracas e La Guaira, com colapso total de edificações, interrupção de serviços e evacuação de áreas urbanas. As estimativas indicam centenas de mortos e milhares de feridos, com números que podem aumentar à medida que as equipes de resgate avançam.
A intensidade do terremoto também levou à emissão de alertas de tsunami para a região do Caribe, posteriormente cancelados após avaliações técnicas. O tremor foi sentido em outros países, como Colômbia e até mesmo em regiões do norte do Brasil, evidenciando a magnitude do evento.
Esse episódio reforça a importância da compreensão da dinâmica interna da Terra e da relação entre as placas tectônicas para explicar a distribuição dos terremotos. Também evidencia a necessidade de planejamento urbano adequado, de educação para prevenção, de adoção de atitudes adequadas e estratégias de mitigação de riscos, especialmente em regiões mais suscetíveis aos abalos e com maior vulnerabilidade.
*Vera Cristina Scheller dos Santos Rocha, é licenciada e Mestre em Geografia, professora da Área de Geociências do Centro Universitário Internacional Uninter.

