Créditos: Divulgação
30-10-2026 às 17h55
Verônica Bittencourt*
A menopausa marca uma nova fase na vida da mulher e traz mudanças que vão além do fim dos ciclos menstruais. Neste período, a redução da produção de estrogênio se soma a transformações naturais do envelhecimento, tornando ainda mais importante o cuidado com a saúde cardiovascular. A atenção à pressão arterial, aos níveis de colesterol e à glicemia, aliada à adoção de hábitos saudáveis, é essencial para prevenir doenças e preservar a qualidade de vida.
As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no mundo e também representam uma preocupação importante para a saúde feminina. Embora fatores como histórico familiar, tabagismo, sedentarismo, diabetes e hipertensão influenciem o risco em diferentes fases da vida, a transição para a menopausa pode coincidir com mudanças desfavoráveis no perfil metabólico, na distribuição da gordura corporal e nos níveis de colesterol.
“O período da menopausa é uma oportunidade importante para reforçar o cuidado preventivo com a saúde cardiovascular. As mudanças hormonais fazem parte deste processo, mas precisam ser avaliadas em conjunto com outros fatores, como pressão arterial, colesterol, glicemia, alimentação, atividade física e histórico familiar”, explica a cientista Izabelle Gindri, PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas, Dallas), farmacêutica, co-fundadora e CEO da bio meds Brasil.
Uma análise divulgada pela American Heart Association em maio de deste ano constatatou que mulheres na perimenopausa têm o dobro da probabilidade de apresentar uma pontuação global baixa de saúde cardiovascular, em comparação com mulheres que ainda menstruavam regularmente. A análise também identificou uma probabilidade 83% maior de uma pontuação baixa no indicador de glicemia entre mulheres na perimenopausa, em relação às mulheres na pré-menopausa.
Prevenção começa antes dos sintomas
Um dos desafios das doenças cardiovasculares é que alterações como hipertensão e colesterol elevado podem permanecer silenciosas por muito tempo. Por isso, não é necessário esperar o surgimento de sintomas para procurar atendimento. Consultas periódicas permitem avaliar os fatores de risco, identificar alterações precocemente e estabelecer medidas individualizadas de prevenção.
A frequência dos exames depende da idade, das condições clínicas e do histórico de cada paciente. Medir a pressão arterial, avaliar o perfil lipídico e verificar a glicemia quando indicado são medidas importantes para acompanhar a saúde ao longo dos anos. O profissional de saúde também pode investigar outros fatores relevantes, como qualidade do sono, peso corporal, alimentação e nível de atividade física.
A prevenção passa ainda por escolhas cotidianas. A prática regular de exercícios, uma alimentação variada, rica em frutas, verduras, legumes, fibras e fontes adequadas de proteínas, a redução do consumo excessivo de sal, a interrupção do tabagismo e a moderação no consumo de álcool contribuem para a proteção cardiovascular. A qualidade do sono e o manejo do estresse também merecem atenção.
Qual é o papel dos hormônios?
O estrogênio participa de diferentes processos do organismo, e a transição para a menopausa está associada a alterações que podem influenciar a saúde cardiovascular. No entanto, isso não significa que todas as mulheres terão problemas cardíacos ou que a reposição hormonal seja indicada para prevenir essas doenças.
“A terapia hormonal deve ser considerada de forma individualizada, levando em conta os sintomas, a idade, o tempo transcorrido desde a menopausa, o histórico clínico e as contraindicações. Ela não deve ser prescrita com o objetivo exclusivo de prevenir infarto ou outras doenças cardiovasculares. O mais importante é avaliar cada mulher de maneira integral e identificar as medidas preventivas adequadas”, ressalta Gindri.
A avaliação médica é fundamental para esclarecer dúvidas sobre os benefícios e riscos de tratamentos hormonais, quando houver indicação, e para evitar a automedicação. A prevenção cardiovascular deve ser conduzida com base nas evidências científicas e nas necessidades individuais, sem atribuir aos hormônios uma função que não esteja comprovada.
Cuidar do coração é cuidar da saúde a longo prazo
Reconhecer os fatores de risco e manter o acompanhamento preventivo são atitudes que podem fazer diferença durante a menopausa e nas décadas seguintes. A transição hormonal pode ser um momento oportuno para rever hábitos, atualizar exames indicados e estabelecer metas realistas de saúde.
Dor ou pressão no peito, falta de ar súbita, suor frio, desmaio ou desconforto acompanhado de náuseas podem indicar uma emergência cardiovascular e exigem atendimento imediato. Nas mulheres, os sintomas nem sempre se apresentam da mesma forma, o que reforça a importância de não ignorar sinais incomuns. Mais do que associar a menopausa ao risco de adoecimento, a orientação é aproveitar essa etapa para fortalecer o cuidado com o corpo. Com informação confiável, acompanhamento profissional e medidas preventivas adequadas, é possível reduzir fatores de risco e investir em um envelhecimento mais saudável.

