Evento da ANA, Agência Nacional das Águas - créditos: portal Gov.br
15-06-2026 às 11h40
Direto da Redação
O superintendente de Planos, Programas e Projetos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Nazareno Araújo, participou na última quinta-feira (11) do seminário “Florestas e Água – Conexões para um Futuro Sustentável”, promovido pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo.
O encontro reuniu representantes do setor produtivo, especialistas e gestores públicos para debater o papel das florestas na conservação ambiental, na restauração de ecossistemas e na promoção da segurança hídrica diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela crescente pressão sobre os recursos naturais.
A abertura contou com a participação do presidente executivo da Ibá, Paulo Hartung, e teve como foco o diálogo sobre a contribuição do setor privado para a segurança hídrica, a conservação ambiental e a proteção florestal. Durante o seminário, foram compartilhadas experiências voltadas à gestão sustentável dos recursos hídricos em diferentes regiões do país.
No painel “Florestas como infraestrutura natural para a segurança hídrica”, Nazareno Araújo apresentou a experiência da ANA com o Programa Produtor de Água, iniciativa pioneira baseada em mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que incentiva produtores rurais e proprietários de terras a adotarem práticas de conservação e recuperação ambiental em áreas estratégicas para a produção de água.
Ao abordar os resultados alcançados pelo programa, o superintendente destacou que a recuperação da vegetação nativa, a proteção de nascentes, a adequação de estradas rurais e a adoção de práticas conservacionistas vêm contribuindo para a melhoria da qualidade e da disponibilidade hídrica em diversas bacias hidrográficas brasileiras.
Segundo ele, a integração entre políticas públicas de recursos hídricos, restauração florestal e planejamento territorial é fundamental para ampliar o alcance das ações de conservação e fortalecer a capacidade de resposta dos territórios diante de eventos climáticos extremos.
“O Programa Produtor de Água demonstra que investir em soluções baseadas na natureza é uma estratégia eficiente para promover a segurança hídrica, gerar benefícios ambientais e fortalecer o desenvolvimento sustentável nos territórios”, afirmou.
O painel contou ainda com a participação de Camilla Marangon, gerente de Políticas Florestais e Sustentabilidade da Ibá, e Silvia Ferrari, coordenadora-geral de Recuperação da Vegetação Nativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A mediação foi conduzida pela analista de Políticas e Indústria da CNI, Geórgia Franco.
Embora iniciativas de conservação e recuperação ambiental avancem em diversas bacias hidrográficas, especialistas alertam que regiões historicamente marcadas pela escassez hídrica continuam demandando atenção prioritária. Em Minas Gerais, áreas como o Vale do Jequitinhonha permanecem enfrentando períodos recorrentes de estiagem, realidade também observada em partes do semiárido brasileiro, onde a segurança hídrica segue sendo um dos principais desafios ao desenvolvimento social e econômico.
O Diário de Minas entende que programas voltados à proteção de nascentes, recuperação florestal e incentivo aos serviços ambientais representam instrumentos importantes para a construção de uma política hídrica mais sustentável. No entanto, considera fundamental que os resultados dessas iniciativas alcancem de forma mais efetiva as regiões que convivem historicamente com a falta de água, como o Vale do Jequitinhonha e outras áreas vulneráveis do país. Nesse contexto, cabe à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) com a participação dos Comitês de Bacias e da Marinha do Brasil, responsáveis pelas águas interiores, poderão ampliar o olhar sobre os territórios que ainda enfrentam dificuldades estruturais de acesso e disponibilidade hídrica, transformando experiências bem-sucedidas em políticas de maior alcance social.

