Créditos: IA/Divulgação
04-02-2026 às 12h10
Lucas Evangelista*
Quando o material falha em silêncio
Na engenharia mecânica, nem toda falha acontece de forma visível ou gradual. Muitas vezes, peças que aparentam estar em perfeito estado se rompem de repente, mesmo sem terem sido submetidas a grandes esforços. Esse tipo de falha, comum em diversas áreas, tem uma explicação técnica bem conhecida: a fadiga dos materiais.
Apesar do nome, fadiga não significa “cansaço” como o humano sente. Trata-se de um fenômeno que ocorre quando um material é submetido a esforços repetitivos ao longo do tempo, como vibrações, pequenas variações de carga ou mudanças de temperatura.
Um exemplo simples ajuda a entender. Ao dobrar um clipe de papel uma única vez, ele não quebra. Mas, ao repetir esse movimento várias vezes, o metal acaba se rompendo de forma repentina. Isso é fadiga.
Quando o problema não é a força
Na maioria dos casos, a peça não falha por excesso de carga. O problema está na repetição do esforço, mesmo que ele seja pequeno. Com o tempo, surgem micro trincas internas, invisíveis a olho nu, que vão crescendo a cada novo ciclo.
Quando essas trincas atingem um ponto crítico, a ruptura acontece de forma súbita, sem grandes deformações prévias. Por isso, a fadiga é considerada um dos tipos de falha mais difíceis de perceber.
A fadiga no dia a dia
Embora seja um tema técnico, a fadiga está presente em situações comuns. Pontes e viadutos passam por milhares de ciclos de carga diariamente. Estruturas metálicas sofrem com vento e variações de temperatura. Veículos, bicicletas e equipamentos diversos também estão sujeitos a esse tipo de desgaste.
Por esse motivo, a fadiga é um fator essencial quando se fala em segurança e durabilidade.
O papel da engenharia mecânica
Cabe à engenharia mecânica prever esse comportamento desde o projeto. Isso envolve escolher bem os materiais, dimensionar corretamente as peças e evitar regiões onde as tensões se concentram.
A manutenção também é fundamental. Inspeções periódicas e substituições preventivas ajudam a evitar falhas inesperadas e aumentam a vida útil dos componentes.
Engenharia é antecipação
Entender por que peças “boas” quebram é compreender que muitas falhas não são acidentes, mas consequências previsíveis quando a fadiga não é considerada. A engenharia existe justamente para antecipar esses efeitos e garantir soluções seguras e confiáveis.
Quando o material falha em silêncio, a engenharia precisa estar atenta.
*Lucas Evangelista é Engenheiro Mecânico, Técnico em Mecânica Industrial e Mecânico de Usinagem. Especialista em análise de falhas, análise de fluidos, suporte ao produto e otimização de custos operacionais.
Atua no setor Comercial de Construção da Sotreq-MG

