Jogo de xadrez - créditos: divulgação
28-02-2026 às 16h20
Alberto Sena
Jogo dama desde criança, apesar de que há muito tempo não sento com um tabuleiro para jogar uma partidinha. Mas xadrez, que acho ser bem mais interessante, eu nunca joguei, nem me interessei em aprender jogar, o que discordo de mim mesmo porque trata-se de uma invenção com um história ou lenda bastante curiosa.
Com os meus 14 anos de idade, dei de atacar a estante de livros do meu irmão Waldyr, 14 anos mais antigo do que eu. Dentre os livros que mais me chamaram a atenção, foram os da coleção de Malba Tahan*
Li toda a coleção, mas neste particular vou tratar de um conto do livro “O Homem que Calculava”.
É justamente sobre a invenção do xadrez, que teria sido da autoria de um peão desses de roça, só que lá da Índia, no Oriente, onde o rei estava depremido por ter perdido o filho e m um recente conflito.
Os súditos estavam precocupados com a saúde do rei e levavam a ele mil coisas para diverti-lo e ela continuava na mesma. Até que chegou o tal peão com um tabuleiro parecido com o jogo de dama, contendo 64 casas e mostrou ao rei como era o jogo e ele gostou, principalmente porque através da exibição, pôde entendeu o porquê de ter perdido o filho na batalha, e voltou às boas.
Agradecido, o rei deixou o reino à disposição do peão para escolher o que quisesse. Dinheiro, ouro, terras, qualquer coisa, mas o peão, simples como era pediu trigo para o povo dele e o rei achou até graça, considerou isso muito pouco, mas o peão insistiu e ele abriu os celeiros para cumprir o desejo.
O peão pediu que colocasse um grão de trigo no primeiro quadrinho do tabuleiro, dois no segundo, quatro no terceiro, oito no quarto, 16 no quinto quadrado e seguisse assim, numa progressão geométrica.
Resultado, não havia trigo no reino para tanto e o rei teria que recorrer à importação para cumprir com o pedido, porque dá um número deste tamanho, ó: 18.446.774,073.551.615 – ou seja mais de 18 quintilhões e 446 quadrilhões de grãos de trigo.
O celeiro para guardar essa quantidade de trigo precisava ter alguns quilômetros de cumprimento, segundo disse um matemático que circula pelo YouTube, e que tratou sobre esse conto de Malba Tahan, que recomendo a leitura a qualquer jovem de 7 a 110 anos de idade.
*Júlio César de Mello e Souza, mais conhecido como Malba Tahan, foi um professor, educador, pedagogo, conferencista, matemático e escritor do modernismo brasileiro, e, através de seus romances infanto-juvenis, foi um dos maiores divulgadores da matemática do Brasil. Ele nasceu em 6 de maio de 1895, Rio de Janeiro (RJ) e faleceu em 18 de junho de 1974, no Recife (PE).

