Homem camaleão - créditos IA DM
21-03-2026 às 10h16
Por Carlos Mota Coelho*
De todos os animais saídos da prancheta de Deus ou da Natureza, o mais incompleto é o Homem, pois foi feito por último, apressadamente e com a missão de, por toda a vida, seguir se consertando, remendando e criando tecnologias para compensar os seus defeitos, como armas para se defender, veículos para compensar a sua lentidão ao caminhar e correr, casas para lhe abrigar das intempéries, livros e escolas para compensar a sua ignorância nata, óculos para enxergar melhor e, sobretudo, a Arte de Amar para ser amado, crescer e fazer crescer toda a Humanidade.
E todos os humanos, uns mais, outros menos, têm aptidões nessa tarefa eterna de se aperfeiçoar e ajudar os seus semelhantes a se aperfeiçoarem também, mas nem todos ou não se dão conta dessa aptidão, ou não querem, pois não são poucos os que deliberadamente trilham caminhos opostos aos colimados pela Criação, Divina ou Natural, jogando contra si e contra a Humanidade.
Há certos animais que trocam algumas partes de seu corpo, como a cobra troca de pele, o lagarto troca de rabo, e a estrela-do-mar que troca todos os seus braços, mas nenhum outro tem o dom que temos de nos reinventarmos “psicologicamente” e por inteiro, mas muito se reciclam ou se reinventam para pior, haja vista monstros como Hitler, Mussolini, Trump, Nethaniahu, Milei e Bolsonaro.
E o que é pior, pois, coisa de pouco mais de meio século atrás, o homem desenvolveu uma tecnologia para não apenas se matar, me matar, matar você que ora me lê, matar todos os homens da Terra e matar toda a vida aqui pulsando: as armas nucleares, e o mais grave é que o homem anda perdendo o bom senso de não detonar tais artefatos.
Nem adianta dizer “vou pagar pra ver”, pois, detonada a bomba, nem haverá tempo de a gente tentar ver o nosso morrer, sequer chorar o sangue derramado!
Não devemos querer ver para crer!
*Carlos Mota é escritor, procurador federal, ex-deputado federal e membro da ALVA – Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha

