Créditos: Divulgação
08-05-2026 às 13h34
Samuel Arruda*
Uma megaoperação deflagrada nesta quarta-feira (07-05) mobilizou a Polícia Federal, o Ministério Público e a Receita Federal em diversas cidades do país, incluindo o município de Itamarandiba, no Vale do Jequitinhonha.
A ação investiga um esquema de fraudes tributárias, lavagem de dinheiro, uso de empresas de fachada e desvio de recursos públicos que, segundo estimativas preliminares, pode ter causado prejuízos superiores a R$ 770 milhões aos cofres públicos.
A operação, denominada “Títulos Podres”, teve como alvo empresários, consultores tributários, escritórios de advocacia e suspeitos de integrar organizações criminosas especializadas em oferecer falsas soluções para quitação e redução ilegal de débitos fiscais. Entre os investigados estariam ao menos dez advogados e operadores financeiros espalhados por Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Maranhão.
Em Minas Gerais, os mandados foram cumpridos em cidades como Belo Horizonte, Nova Lima, Contagem, Campo Belo, Pouso Alegre e Itamarandiba. A presença do município do Vale do Jequitinhonha entre os alvos chamou atenção das autoridades pela suspeita de utilização de empresas e movimentações financeiras ligadas ao esquema investigado.
Segundo a Polícia Federal, a organização atuava por meio de consultorias tributárias e empresas de fachada que prometiam eliminar dívidas fiscais de grandes empresas utilizando créditos inexistentes ou títulos sem validade jurídica, prática conhecida no meio investigativo como “títulos podres”. O grupo também é suspeito de usar mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
Além das prisões temporárias e mandados de busca e apreensão, a Justiça Federal autorizou bloqueios de bens, sequestro de valores e quebra de sigilos bancários e fiscais dos investigados. A Receita Federal participa diretamente da operação para rastrear movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as atividades declaradas pelos alvos.
A operação reforça a crescente atuação das forças federais no combate a crimes financeiros e organizações criminosas em Minas Gerais, especialmente em regiões do interior que vêm sendo utilizadas como base para ocultação patrimonial e movimentações empresariais suspeitas. Nos últimos meses, o Vale do Jequitinhonha também foi alvo de outras ações federais relacionadas a mineração ilegal, crimes ambientais e lavagem de dinheiro.
As investigações seguem em sigilo e novas fases da operação não estão descartadas. A expectativa é que o aprofundamento das apurações revele conexões políticas, empresariais e financeiras ainda maiores, podendo ampliar o número de investigados nos próximos dias.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

