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20-02-2026 às 12h15
Direto da Redação*
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial (AI Impact Summit), em Nova Délhi, na Índia, onde líderes de cerca de 20 países, chefes de Estado, empresários de tecnologia e especialistas debateram o papel, os riscos e as oportunidades da IA no mundo.
Em seu discurso na sessão plenária, Lula destacou que a Quarta Revolução Industrial — impulsionada pela tecnologia digital e pela inteligência artificial — avança em ritmo acelerado, enquanto a cooperação multilateral enfrenta retrocessos, o que torna urgente estabelecer normas internacionais para o uso seguro e ético da IA.
Para o presidente brasileiro, a regulação da IA não pode ficar apenas nas mãos de países ou corporações isoladamente: é preciso uma governança verdadeiramente global e multilateral, preferencialmente sob o guarda-chuva da Organização das Nações Unidas (ONU), capaz de garantir que a tecnologia fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países.
“A governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico”, disse Lula, ao defender que regras internacionais sejam elaboradas para minimizar desigualdades e proteger sociedades de práticas prejudiciais.
O presidente recordou iniciativas já existentes — como propostas chinesas de cooperação internacional em IA e a Parceria Global em Inteligência Artificial criada no âmbito do G7 —, mas insistiu que nenhum fórum substitui o papel universal da ONU na construção de normas que representem os interesses de todos os países, inclusive das nações em desenvolvimento.
Ao abordar o conteúdo de seu discurso, Lula alertou para os riscos que a tecnologia pode trazer quando não regulada, incluindo a disseminação de desinformação e conteúdos falsos, que podem colocar em risco processos democráticos e eleições, além de práticas como discurso de ódio, pornografia infantil, feminicídio e precarização do trabalho.
O presidente criticou o modelo de negócios das grandes empresas de tecnologia (“big techs”), afirmando que quando poucos controlam infraestruturas digitais e algoritmos, isso não é inovação, mas dominação, aprofundando desigualdades e concentrando poder em poucas mãos.
Nesse contexto, Lula defendeu também a regulamentação de grandes plataformas tecnológicas, vinculando essa regulação à proteção dos direitos humanos, privacidade e integridade da informação.
Além do discurso, o presidente brasileiro se reuniu com o CEO do Google, Sundar Pichai, para discutir temas como investimentos no Brasil, atração de datacenters, planos estratégicos de IA e relevância do país no desenvolvimento tecnológico global. Pichai ressaltou a importância do mercado brasileiro e o compromisso da empresa com parcerias e expansão no país.
O encontro com líderes como o presidente francês Emmanuel Macron, também realizado durante a cúpula, reforçou a busca por alinhamentos internacionais em torno de uma governança que privilegie benefícios sociais e minimize riscos inevitáveis da IA.

