Créditos: Divulgação
09-06-2026 às 16h25
Karol Ramagnoli*
Durante muito tempo, a escoliose foi tratada como um detalhe postural ou uma alteração estética sem grande impacto na rotina. Hoje, a percepção começa a mudar. O avanço da tecnologia médica, aliado ao aumento da informação entre famílias e profissionais de saúde, tem ampliado o debate sobre uma condição que ainda passa despercebida em milhares de jovens brasileiros.
Junho, conhecido internacionalmente como Junho Verde, marca o Mês de Conscientização da Escoliose e reforça a importância do diagnóstico precoce. Segundo a Sociedade Brasileira de Coluna, cerca de 6 milhões de brasileiros convivem com algum grau da condição. A forma mais comum é a escoliose idiopática do adolescente, que costuma surgir entre os 10 e 18 anos, justamente no período de crescimento acelerado.
Estudos baseados em critérios da Scoliosis Research Society indicam que entre 2% e 4% das crianças e adolescentes apresentam escoliose idiopática. Em muitos casos, os sinais aparecem de maneira discreta: diferença na altura dos ombros, assimetria corporal, roupas que parecem “tortas” no corpo ou dores recorrentes nas costas.
Para Pedro Gurgel, fisioterapeuta e head comercial e de negócios em equipamentos e dispositivos médicos, a maior dificuldade ainda está na identificação precoce. “Muitas famílias só descobrem quando a curvatura já avançou. No início, os sinais podem parecer apenas uma questão de postura ou fase de crescimento. O problema é que a escoliose tende a evoluir justamente durante o desenvolvimento do adolescente”, explica.
Nos últimos anos, hospitais, clínicas e centros especializados passaram a investir em ferramentas que ajudam a detectar e acompanhar a evolução da doença com mais precisão. Recursos envolvendo inteligência artificial, impressão 3D, escaneamento corporal e dispositivos personalizados vêm transformando a forma como a escoliose é monitorada e tratada.
O movimento acompanha uma mudança importante dentro da própria saúde. O paciente atual já não procura apenas tratamento. Existe uma busca crescente por diagnósticos mais rápidos, procedimentos menos invasivos, previsibilidade na recuperação e menor impacto na rotina escolar, social e emocional dos jovens.
O mercado global de dispositivos para coluna movimenta atualmente cerca de US$ 15 bilhões e deve ultrapassar os US$ 20 bilhões na próxima década, impulsionado pela demanda por tecnologias minimamente invasivas e tratamentos personalizados. “O comportamento das famílias mudou muito. Hoje existe pesquisa, comparação, interesse por novas tecnologias e preocupação com qualidade de vida no longo prazo. Isso também faz o mercado da saúde se movimentar mais rápido”, afirma Pedro.
A escoliose também esteve presente na trajetória de personalidades conhecidas mundialmente. A atriz Elizabeth Taylor conviveu durante anos com problemas na coluna, enquanto o velocista Usain Bolt revelou ter enfrentado a escoliose desde a infância. Com acompanhamento especializado, fisioterapia e fortalecimento muscular, Bolt construiu uma das carreiras mais vitoriosas da história do esporte. Para especialistas, casos como esses ajudam a ampliar a conscientização sobre diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e qualidade de vida.
Além da preocupação clínica, a escoliose também passou a ocupar espaço estratégico dentro do mercado de tecnologia médica. Empresas brasileiras vêm ampliando investimentos em equipamentos, softwares e dispositivos voltados à ortopedia e reabilitação, inclusive com projetos mirando expansão internacional. “Quando o diagnóstico acontece cedo, o paciente ganha tempo, alternativas de tratamento e qualidade de vida. Em muitos casos, isso evita procedimentos mais complexos no futuro e reduz impactos emocionais justamente em uma fase muito sensível da vida”, finaliza Pedro.
Sobre
Pedro Gurgel é fisioterapeuta e head comercial e negócios em equipamentos e dispositivos médicos com mais de 18 anos de atuação no mercado de dispositivos e tecnologias médicas. Especialista em estratégia comercial, expansão de negócios e desenvolvimento de operações na área da saúde, construiu carreira em empresas nacionais e multinacionais do setor médico-hospitalar, com atuação no Brasil e na América Latina. Atualmente, lidera projetos ligados à tecnologia médica, escoliose e dispositivos de alta complexidade, unindo visão clínica, gestão e desenvolvimento de mercado.

