Créditos: Magnific
10-09-2026 às 10h25
Fernanda Ventura*
Sete em cada dez estudantes brasileiros do Ensino Médio que usam internet já recorrem à inteligência artificial generativa para pesquisas escolares. O dado aparece na TIC Educação 2024, pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), e mostra como a tecnologia entrou rapidamente na rotina dos alunos. Ainda segundo a pesquisa, apenas cerca de um terço dos estudantes afirma ter recebido dos professores orientação para identificar erros e vieses em conteúdos gerados por inteligência artificial.
Uma resposta produzida por IA pode parecer correta e não ser. Isso pode acontecer em uma conta, na interpretação de um gráfico ou na explicação de um conceito. Sem conhecimento sobre o assunto, o aluno pode não perceber o problema e simplesmente aceitar o resultado.É aí que leitura e Matemática ganham outro papel. Para conferir uma resposta, o aluno precisa entender o enunciado, cruzar informações, reconhecer uma premissa equivocada e perceber quando o resultado não fecha.
Segundo o Diretor Pedagógico do Ensino Fundamental Anos Finais e Coordenador de Matemática da Rede Alfacem Global Academy, Marcelo Filho, uma porcentagem pode estar certa, mas aplicada à base errada. Um gráfico pode ser interpretado sem levar em conta a escala. Uma resposta pode partir de uma informação incorreta e, ainda assim, apresentar uma explicação convincente.
“A inteligência artificial pode entregar uma resposta em segundos, mas não pode decidir pelo aluno se aquela resposta está correta. Essa continua sendo uma tarefa humana e depende de conhecimento, leitura, interpretação e capacidade de questionar. A escola precisa preparar o estudante justamente para esse cenário”, afirma o diretor.
O desempenho dos estudantes brasileiros ajuda a dimensionar esse cenário. No Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), avaliação internacional que mede conhecimentos e habilidades de jovens de 15 anos, o Brasil registrou 379 pontos em Matemática e 410 em Leitura em 2022.
Em Matemática, apenas 27% dos estudantes brasileiros atingiram o nível mínimo de proficiência considerado pelo PISA. O resultado mostra a dificuldade que parte dos alunos ainda enfrenta para interpretar informações, resolver problemas e aplicar conhecimentos a situações concretas.
Na escola, uma das formas de trabalhar essa habilidade é colocar a própria IA sob análise. Alunos do Alfacem recebem soluções produzidas pela tecnologia e precisam identificar erros, corrigi-los e explicar o raciocínio utilizado. Também trabalham com problemas ligados a situações reais, nos quais precisam analisar diferentes possibilidades antes de chegar a uma conclusão.
“Quando o estudante precisa encontrar o erro em uma resposta produzida pela IA, ele não pode apenas dizer se está certo ou errado. Precisa explicar onde está o problema e mostrar como chegou à conclusão. Esse processo ajuda a desenvolver uma postura mais crítica diante da tecnologia”, explica Marcelo.
O objetivo não é impedir o uso da ferramenta, mas evitar que ela vire uma resposta automática para tudo. Se a IA consegue chegar rapidamente a uma solução, o aluno precisa ser capaz de entender como ela foi construída e decidir se o resultado é confiável.
A habilidade também aparece fora da escola. Está na leitura de uma pesquisa, na interpretação de um gráfico, na comparação de preços ou no cálculo de juros. Ter acesso à informação não significa, necessariamente, saber avaliá-la.
Com a IA fazendo parte cada vez mais cedo da rotina dos estudantes, a escola ganha uma tarefa adicional: ensinar a usar a tecnologia sem abrir mão da capacidade de duvidar dela.
Sobre o Alfacem Global Academy
O Alfacem Global Academy foi idealizada através do sonho de uma professora de História e tem uma filosofia educacional que impulsiona a percepção do aluno, fazendo-o refletir, questionar e principalmente transformar. A instituição aposta na diversificação metodológica para gerar o prazer da aprendizagem, seguida pelo desenvolvimento de múltiplas formas de aprender durante toda a vida, o que permite obter resultados em primeiro lugar nos últimos anos do ENEM em toda a rede e manter a taxa de 100% de aprovação das Provas de Proficiência de Cambridge. Saiba mais em: alfacem.com.br.

