Crédito: Drazen Zigic no Magnific
08-10-2026 às 14h34
Gabriela Araújo*
O Brasil está envelhecendo, e o tema ganha ainda mais destaque em outubro, mês dedicado à conscientização sobre a população idosa. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de brasileiros com 60 anos ou mais aumentou 58,7% em 13 anos, passando de 22,2 milhões em 2012 para 35,2 milhões em 2025. O cenário chama atenção para a saúde pública, especialmente para doenças como a hipertensão que pode evoluir para complicações graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal, problemas de visão e prejuízos cognitivos, evidenciando a importância da prevenção, tratamento e dos cuidados com esta faixa etária.
Segundo o Dr. Elzo Mattar, cardiologista e diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC), o envelhecimento natural das artérias provoca a perda de elasticidade dos vasos, o que contribui para o aumento da pressão arterial em idosos. Em 2024, 48,2% dos adultos entre 55 e 64 anos e 60,2% daqueles com 65 anos ou mais relataram diagnóstico médico de hipertensão. Os dados são do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico do Ministério da Saúde (Vigitel) divulgados neste ano.
“A pressão alta é resultado de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. O histórico familiar pode aumentar a predisposição à doença, enquanto hábitos como o consumo excessivo de sal e álcool, o tabagismo, o sedentarismo e o excesso de peso também contribuem para o aumento da pressão. Além disso, algumas condições de saúde, como diabetes, doenças renais e endócrinas, podem provocar danos aos vasos sanguíneos e favorecer o desenvolvimento da hipertensão. Nas mulheres, a menopausa também pode contribuir para esse processo”, explica.
Para preservar a qualidade de vida na terceira idade, alguns hábitos fazem a diferença. Confira:
- Consultas regulares
A frequência das consultas deve ser definida de acordo com as necessidades de cada paciente, mas manter o acompanhamento com cardiologista é fundamental para monitorar a pressão e prevenir as complicações. “Por tratar-se de uma doença sem cura, o paciente precisa ser acompanhado para avaliar a resposta ao tratamento e a necessidade de ajustes ou exames”, alerta.
- Mude os hábitos
É importante evitar álcool e cigarro e praticar atividades físicas regularmente, como caminhadas, hidroginástica e pilates adaptado. “Exercícios de equilíbrio e alongamento também ajudam a prevenir quedas. Antes de começar, é importante conversar com o médico para garantir que a atividade seja segura”, orienta.
- Cuide da alimentação
Reduza o consumo de sal, açúcar, gorduras e ultraprocessados e priorize frutas, verduras, legumes, fibras e proteínas magras. “O excesso de sódio é um dos principais vilões”, explica.
- Monitore
Medir a pressão em casa ajuda a identificar alterações. Para garantir um resultado confiável, é importante evitar café, álcool e cigarro nos 30 minutos anteriores à aferição, não praticar exercícios físicos uma hora e meia que antecede a medição e esvaziar a bexiga. “Também é importante anotar a data, o horário e os resultados para ajudar o médico a identificar padrões e avaliar a evolução do paciente”, recomenda.
- Siga corretamente o tratamento
Os medicamentos são imprescindíveis para o controle da pressão em alguns casos, por isso, é importante ingeri-los nos horários indicados. “Usar alarmes pode ajudar a manter a regularidade. Vale ressaltar que o paciente nunca deve interromper ou alterar a medicação por conta própria”, conclui o especialista.
Sobre o Departamento de Hipertensão Arterial da SBC
Criado no início da década de 1980, o Departamento de Hipertensão Arterial (DHA) é um braço da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) dedicado ao estudo, diagnóstico, tratamento e prevenção da hipertensão arterial (pressão alta). Ao longo de mais de quatro décadas, tornou-se uma das principais referências científicas e institucionais do país, com papel central na organização do conhecimento e na qualificação da prática clínica no Brasil. Atualmente sob a presidência da Dra. Erika Campana, no biênio 2026/2027, o departamento estabelece como missão a prevenção, inovação e educação médica continuada. Como parte desse compromisso, promove o 21º Congresso do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC), de 13 a 15 de maio de 2027, em Goiânia (GO). O encontro, realizado junto ao 7º World Hypertension Congress, da World Hypertension League (WHL), será o maior congresso de hipertensão já realizado no Brasil e um dos mais relevantes da América Latina, reunindo especialistas, pesquisadores, gestores de saúde, profissionais multiprofissionais e lideranças médicas de diversos países para debater os avanços e desafios no enfrentamento da hipertensão arterial.

