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12-05-2026 às 17h55
Carolina Lara*
O calendário de 2026 colocou empresários diante de uma combinação incomum de fatores que afetam diretamente operação, consumo, produtividade e fluxo de caixa. O ano reúne Copa do Mundo, eleições presidenciais, dez feriados nacionais e nove pontos facultativos, muitos deles em dias úteis, segundo calendário oficial do governo federal. Ao mesmo tempo, empresas seguem pressionadas por juros elevados, necessidade de ganho de eficiência e maior cobrança por resultado.
Na visão de Ravell Nava, estrategista empresarial e fundador da BRL Educação, escola de negócios voltada para empresários no Brasil, o impacto não está apenas nos eventos isolados, mas na soma deles ao longo do ano. Segundo ele, negócios que ainda operam sem processos claros, integração tecnológica e controle de execução tendem a sofrer mais com oscilações de demanda e perda de produtividade. “2026 exige uma empresa mais organizada. Não basta vender bem em alguns períodos do ano. O empresário precisa conseguir manter ritmo operacional, acompanhar indicadores, adaptar rotas rapidamente e tomar decisão com agilidade. Quem depende apenas do improviso perde margem, perde tempo e perde previsibilidade”, afirma.
A pressão por eficiência ganhou força nos últimos meses com o avanço da inteligência artificial dentro das empresas, o aumento da cobrança por produtividade operacional e um ambiente econômico mais imprevisível para planejamento e crescimento. Relatório “Technology Trends Outlook 2025”, da McKinsey & Company, mostra que organizações que conseguem integrar tecnologia às decisões estratégicas respondem com mais velocidade a períodos de instabilidade e mudança econômica.
Controle e previsibilidade entram no centro da gestão
A discussão ganhou espaço também porque 2026 será marcado por interrupções frequentes na rotina corporativa. A Copa do Mundo acontece entre junho e julho, enquanto as eleições presidenciais devem concentrar debates políticos e oscilações econômicas no segundo semestre. Paralelamente, o número elevado de feriados prolongados deve alterar o comportamento do consumo e reduzir dias úteis em diversos setores.
Segundo Ravell Nava, empresas que possuem integração entre gestão, comercial, financeiro e operação conseguem reagir mais rápido aos períodos de instabilidade. “O empresário que acompanha os números em tempo real consegue ajustar equipe, campanhas, estoque e fluxo de caixa antes do problema acontecer. A diferença agora não está só em vender mais, mas em conseguir operar com eficiência durante um ano muito mais fragmentado”, diz.
O especialista afirma que muitas empresas ainda crescem sem estrutura operacional compatível com o próprio faturamento, o que aumenta o risco de perda financeira em períodos de maior pressão. “Tem empresa aumentando receita e ao mesmo tempo perdendo capacidade de execução. Quando o calendário aperta, isso aparece rápido. A operação começa a travar, o atendimento cai e a margem diminui”, afirma.
Empresas mais adaptáveis devem responder melhor ao momento fragmento de 2026
O avanço da inteligência artificial e das plataformas de automação também acelerou mudanças na forma como empresas acompanham produtividade e gestão comercial. Para Ravell Nava, o uso de tecnologia deixou de ser associado apenas à inovação e passou a ocupar papel central na sustentação operacional dos negócios.
“Hoje a empresa precisa de velocidade para interpretar dados, adaptar operações e executar. Quem demora para enxergar gargalos comerciais ou financeiros perde competitividade muito rápido. A tecnologia ajuda justamente a reduzir desperdício operacional e aumentar capacidade de decisão”, afirma.
Ele avalia que empresários mais preparados para 2026 são justamente aqueles que conseguem transformar informação em execução prática. “Os próximos meses devem separar empresas que possuem gestão estruturada, integração operacional e capacidade de adaptação daquelas que ainda operam sem previsibilidade. O ano será favorável para quem tiver clareza de números, processo e capacidade de adaptação”, diz.
Sobre Ravell Nava
Ravell Nava é empresário, estrategista de crescimento e fundador da BRL Educação, escola de negócios voltada à formação prática de empresários no Brasil. Atua no desenvolvimento de métodos de aceleração empresarial com foco em marketing, vendas, gestão e escala, combinando experiência de mercado com aplicação direta no ambiente corporativo.

