27-10-2026 às 15h00
Samuel Arruda*
BRASÍLIA possível saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil com destino aos Estados Unidos tornou-se um dos principais assuntos políticos desta terça-feira (27). A Polícia Federal (PF) apura informações de que o parlamentar teria deixado o território brasileiro pela fronteira com a Argentina, de onde seguiria em uma aeronave particular para os Estados Unidos.
A suspeita ganhou força após a publicação de uma reportagem do portal argentino Infobae. Inicialmente, a informação foi negada por aliados políticos de Flávio. No entanto, às 14h11 desta terça-feira, a Jovem Pan publicou uma nova apuração afirmando que o senador já havia deixado o Brasil e estaria a bordo de um avião com destino aos Estados Unidos. Segundo o veículo, a informação foi confirmada por fontes da Polícia Federal e interlocutores próximos à família Bolsonaro e à campanha. O local de embarque e a rota utilizada, porém, não haviam sido confirmados pela reportagem.
PF verifica possível saída do país
Desde as primeiras horas do dia, surgiram informações sobre a dificuldade de localizar Flávio Bolsonaro. Segundo relatos recebidos pelo Diário de Minas, agentes da Polícia Federal teriam procurado o senador em sua residência, em Brasília, e posteriormente na sede do Partido Liberal (PL), sem conseguir informações sobre seu paradeiro.
O jornal não conseguiu confirmar de forma independente esses detalhes específicos. Entretanto, a movimentação da PF para verificar uma possível saída do parlamentar do país foi noticiada por diferentes veículos de comunicação.
De acordo com informações publicadas pelo Metrópoles e pelo UOL, a Polícia Federal entrou em contato com autoridades argentinas para verificar se Flávio havia atravessado a fronteira e embarcado em um voo internacional.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, havia negado pela manhã que o parlamentar tivesse deixado o Brasil. A declaração, registrada pelo Metrópoles, foi direta: “Não saiu”.
Mais tarde, contudo, diversos portais de notícia informaram de que o senador estaria em um avião rumo aos Estados Unidos. O paradeiro exato do parlamentar e o itinerário da suposta viagem continuavam sem esclarecimento público na reportagem.
Argentina nega registro de entrada
A passagem pela Argentina é um dos pontos que permanecem sob questionamento. A Direção Nacional de Migrações argentina informou, segundo reportagem da própria Jovem Pan, que não havia registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país. As autoridades também disseram não haver plano de voo apresentado envolvendo integrantes da família Bolsonaro.
A negativa oficial contrasta com a informação inicialmente publicada pelo Infobae, segundo a qual o senador teria atravessado a fronteira e seguido para Puerto Iguazú, onde embarcaria em um jato particular com destino aos Estados Unidos.
A divergência deixa duas questões em aberto: se Flávio efetivamente deixou o Brasil e, em caso positivo, por qual trajeto teria viajado. Até a publicação das reportagens consultadas, não havia uma explicação pública completa que conciliasse as diferentes versões.
Ordem de Alexandre de Moraes aumenta a repercussão
O episódio ocorre um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal e o proibir de deixar o país.
A decisão, divulgada pelo próprio senador nas redes sociais, está relacionada a um procedimento investigativo que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz. Segundo a Agência Brasil, a medida foi determinada na segunda-feira (26).
Em manifestação pública, Flávio criticou a decisão e afirmou que pretendia entregar os documentos e se defender. A Jovem Pan informou nesta terça-feira que o prazo para a entrega dos passaportes havia terminado às 11h sem o cumprimento da determinação.
Caso seja confirmada a saída do país após a ordem judicial, caberá às autoridades competentes avaliar as circunstâncias e as eventuais consequências jurídicas. A confirmação da viagem, por si só, não substitui a apuração sobre o cumprimento da decisão e sobre a rota utilizada.
Trump oferece US$ 1 milhão por informações sobre fraude eleitoral
Outro fato que passou a circular em meio à repercussão política foi o anúncio do presidente norte-americano Donald Trump de uma recompensa de US$ 1 milhão por informações sobre fraude eleitoral.
A informação é verdadeira, mas exige uma distinção importante: conforme reportagem da agência Reuters publicada em 26 de outubro, Trump anunciou a recompensa para denúncias de fraude eleitoral nos Estados Unidos que resultem na prisão e condenação dos responsáveis. A iniciativa foi apresentada na semana anterior às eleições legislativas de meio de mandato norte-americanas.
Não há, nas informações consultadas, indicação de que a recompensa tenha sido criada especificamente para investigar as eleições brasileiras ou de que exista uma relação comprovada entre o anúncio e a possível viagem de Flávio Bolsonaro.
A coincidência temporal entre os acontecimentos pode alimentar especulações políticas, mas não comprova qualquer ligação entre eles.
O que está confirmado e o que ainda precisa ser esclarecido
Até o momento, há três elementos documentados: a ordem judicial que proibiu Flávio Bolsonaro de deixar o país; a apuração da Polícia Federal sobre uma possível passagem pela Argentina; e a reportagem da Jovem Pan, publicada no início da tarde, afirmando que o senador já estaria a caminho dos Estados Unidos.
Por outro lado, a rota exata da viagem, o local de embarque e a conciliação entre a informação da Jovem Pan e a negativa das autoridades argentinas ainda precisam de esclarecimento. Os relatos sobre buscas na residência do senador e na sede do PL também dependem de confirmação específica.
O Diário de Minas acompanha os desdobramentos. Uma manifestação oficial de Flávio Bolsonaro, da Polícia Federal ou do Supremo Tribunal Federal poderá esclarecer o paradeiro do senador e as consequências da possível saída do país após a determinação judicial.
*Samuel Arruda é jornalista e editor de política

