Créditos: Freepik
07-07-2026 às 15h40
Eduardo Mariano*
Com 11 feriados prolongados ao longo de 2026, muitos trabalhadores brasileiros terão mais oportunidades de descanso, viagens e momentos de lazer ao longo do ano. Esse calendário mais favorável, no entanto, acende um alerta para o bolso. De acordo com a nova pesquisa “Como os eventos de 2026 impactam o bolso do consumidor”, 49% dos entrevistados afirmam esperar que seus gastos sejam maiores em comparação a anos com menor quantidade de feriados prolongados.
Os dados do levantamento realizado pela Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados para a cadeia de consumo, em parceria com o Opinion Box, também mostram que 10% acreditam que os feriados vão fazer suas despesas diminuírem, enquanto 23% consideram que as datas vão apenas redistribuir os gastos já previstos para o ano. Já 18% creem que o maior volume de períodos de folga não irá alterar em nada.
Os resultados indicam que não há um único pico de consumo ao longo do ano, mas múltiplos momentos que demandam despesas adicionais, como viagens curtas, alimentação fora de casa, deslocamentos e atividades de lazer. Para parte dos consumidores, o efeito prático não está no aumento absoluto dos gastos, mas na reorganização do orçamento — seja por meio da antecipação de compras, da redução de itens ou do adiamento de decisões de consumo.
Feriados aumentam a percepção de imprevisibilidade no planejamento financeiro
O estudo da Neogrid/Opinion Box investigou como os feriados prolongados devem influenciar o planejamento financeiro pessoal ou familiar dos brasileiros em 2026. Para 32% dos respondentes, o calendário torna a organização do orçamento mais imprevisível, ao passo que 11% avaliam que ele a torna muito mais imprevisível. Por outro lado, 16% acreditam que os feriados tornam a programação financeira mais previsível, e 4% afirmam que ela passa a ser muito mais previsível. Já 34% dizem que o calendário de feriados não afeta a forma como organizam suas finanças, enquanto 4% não souberam avaliar.
Nesse contexto, quando questionados se pretendem controlar mais os gastos em relação a anos sem grandes eventos, a maioria dos brasileiros (65%) afirma que deseja controlar um pouco mais ou muito mais o orçamento. Outros 30% dizem que devem gastar da mesma forma, independentemente de datas festivas ou pontos facultativos. Apenas 4% relatam que pretendem reduzir o controle ou gastar menos em comparação a anos com menos eventos no calendário.
Consumo se distribui em múltiplos picos ao longo de 2026
Os feriados prolongados são, essencialmente, momentos sociais. A pesquisa revela que 55% dos entrevistados costumam gastar mais com passeios e lazer nessas ocasiões, seguidos por 50% que mencionam alimentação e bebidas. Viagens aparecem com 40%, levando em conta tanto deslocamentos longos quanto saídas regionais. O delivery registra 25%, reforçando a busca por conveniência durante os dias de descanso, e 23% afirmam aproveitar o período para realizar compras voltadas à casa, ao passo que 10% dizem não gastar mais nesses períodos.
O cenário aponta para um novo ritmo de consumo no país, caracterizado por micropicos frequentes de demanda por experiências e abastecimento, combinados com maior pressão sobre o orçamento e a necessidade de controle financeiro. Para o varejo e as cadeias de suprimento, isso exige maior capacidade de adaptação a uma demanda mais distribuída ao longo do ano, com planejamento mais preciso para evitar rupturas e excessos de estoque.
Metodologia
A pesquisa “Como os acontecimentos de 2026 impactam o bolso do consumidor” ouviu mais de 1,2 mil brasileiros total ou parcialmente responsáveis pelas compras do lar de diferentes classes sociais e faixas etárias a partir de 16 anos.
Clique aqui e acesse a pesquisa completa.

