Créditos: IA/Divulgação
11-08-2026 às 15h36
Cris Miranda*
O futuro financeiro de grande parte da população está sob pressão e o alerta já aparece nos dados. Levantamento com base no ano de 2025 do Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) em parceria com o Datafolha, mostra que 60% das pessoas que ainda estão na ativa esperam depender do INSS para se manter na aposentadoria. O problema é que, na prática, essa dependência tende a ser ainda maior. Entre os aposentados, 93% têm na previdência pública sua principal fonte de renda.
O dado escancara um descompasso entre expectativa e realidade, e levanta um ponto crítico: a baixa preparação financeira para o longo prazo. Hoje, apenas 16% da população começou a construir uma reserva para a aposentadoria.
A combinação entre alta expectativa de dependência do INSS e baixo nível de planejamento financeiro à longo prazo indica um risco estrutural. Na prática, isso significa que milhões de pessoas podem enfrentar uma queda significativa de renda no futuro ou precisar adiar a aposentadoria.
“O grande desafio não é só depender do INSS, mas depender exclusivamente dele. Sem uma renda complementar, a tendência é que o padrão de vida caia de forma relevante”, explica Cecília Perini, líder regional da XP em Minas Gerais.
Além disso, o próprio comportamento ajuda a explicar o cenário. Como a aposentadoria ainda parece distante para muitos, o planejamento acaba sendo deixado para depois e o tempo, que poderia ser um aliado, vira um fator de pressão.
Em Minas Gerais, esse alerta ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento acelerado da população e do aumento da longevidade. Entre 2010 e 2022, o número de pessoas com 60 anos ou mais no estado contabilizou aproximadamente 3,6 milhões de pessoas, posicionando o estado atrás apenas de Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro em proporção. Idosos com mais de 65 anos representam 12,4% da população total do estado.
O cenário é reforçado pela elevada expectativa de vida da população brasileira. Em 2024, a expectativa de vida chegou aos 76,6 anos, crescendo 2,5 meses em relação a 2023. Diante dessa realidade, especialistas alertam que o planejamento financeiro de longo prazo se torna cada vez mais importante para garantir autonomia, segurança e qualidade de vida na terceira idade, para além do INSS.
Falta de urgência compromete o futuro
O estudo mostra que a maioria ainda não incorporou o planejamento de longo prazo à rotina financeira. A priorização de demandas imediatas e a dificuldade de criar reservas fazem com que a aposentadoria seja tratada como um objetivo secundário.
“Existe uma sensação de que ainda dá tempo, mas quanto mais se adia o início, maior precisa ser o esforço lá na frente. Começar cedo faz toda a diferença”, reforça Cecília Perini. Mesmo com renda apertada, especialistas apontam que o planejamento pode e deve começar com pequenos passos. O primeiro deles é organizar as finanças e criar o hábito de investir com regularidade.
Na sequência, é importante buscar alternativas que ajudem a construir uma fonte complementar de renda para o futuro e tragam mais segurança financeira na aposentadoria. Além de investimentos em renda fixa, fundos e outros ativos alinhados ao perfil de cada investidor, a previdência privada aparece como uma das possibilidades para quem deseja planejar o longo prazo de forma mais estruturada.
Entre as modalidades disponíveis, os planos PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) estão entre os mais conhecidos do mercado. O PGBL costuma ser indicado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda, já que permite dedução das contribuições dentro do limite previsto em lei. Já o VGBL tende a ser mais utilizado por quem declara no modelo simplificado ou busca uma alternativa voltada ao planejamento patrimonial e sucessório. “A aposentadoria não se constrói de uma vez só. É um processo. O mais importante é começar e manter consistência”, afirma.
O avanço da educação financeira no país ainda não se traduziu em preparação efetiva para o futuro. E, se o cenário atual se mantiver, a tendência é de aumento da dependência da previdência pública justamente em um contexto de maior pressão sobre o sistema.
Mais do que uma escolha, planejar o longo prazo passa a ser uma necessidade. Caso contrário, o futuro financeiro seguirá cada vez mais vulnerável.

