Apresentação de balé com superação - créditos: divulgação
18-10-2026 às 16h46
Márcia Queirós e Silvânia Arriel*
Portadora da síndrome de Arnold-Chiari, Wilmara Marliére de Paula já enfrentou 55 internações e encontra na dança uma forma de superar desafios. No dia 25 de outubro, às 19 horas, ela realiza o sonho de reunir 100 bailarinos e violonistas no espetáculo “Entre o Céu e a Terra – Somos Todos Diferentes”, no Grande Teatro Sesc Palladium, em Belo Horizonte. A apresentação inclui pessoas surdas, cegas e autistas com nível 1 e, também, sem deficiência.
O show representa uma grande realização para Wilmara: reunir no palco um grande grupo de artistas e mostrar que as diferenças não impedem ninguém de desenvolver suas capacidades. Este será o maior espetáculo do projeto Céu e Terra desenvolvido desde 1997 pela bailarina e o marido, o músico Wéberty Marliére, que ensina dança e balé a crianças e adultos com deficiência.
O espetáculo terá dois atos, com sete números musicais no primeiro e sete apresentações de dança no segundo. Entre as canções que embalam os ensaios está “Anunciação”, de Alceu Valença. Os preparativos começaram em fevereiro e mobilizam participantes de diferentes idades: as aulas de balé atendem crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, enquanto as de violão reúnem alunos de 8 a 80 anos.
Para Wilmara, a proposta vai além de uma apresentação artística. “Precisamos combater o preconceito, mudar a sociedade e o coração das pessoas. A arte tem um grande poder de transformação”, afirma.
Da dor à dança
A vida da bailarina Wilmara Marliére de Paula é marcada por uma rotina de desafios entre hospitais e palcos. Mesmo diante das dores, das limitações e das incertezas impostas pela síndrome de Arnold-Chiari, uma malformação congênita que afeta o sistema nervoso central e pode provocar alterações neurológicas, Wilmara segue dançando e dedicando parte da vida ao projeto.
Wilmara compara a sensação de sair do hospital à de um cisne que alça voo, mais forte e com vontade renovada de dançar. A apresentação deste mês de outubro terá um significado especial: Wilmara pretende subir novamente às pontas dos pés para interpretar “A Morte do Cisne”, um dos momentos mais aguardados por ela. “Todas as vezes que entro no palco, sinto que Deus me carrega no colo. Quando subo ao palco e danço, é como se recebesse um certificado de vida”, declara.
Quase 30 anos dedicados à inclusão

A história de Wilmara com a dança também se confunde com a construção de um método de balé pioneiro, criado para pessoas com deficiência. O trabalho de balé é conduzido por sua irmã Meiry de Paula, professora titular, e por sua filha Maria Clara Marliére, que atua como professora auxiliar. A equipe procura respeitar as particularidades de cada aluno, adaptando as estratégias pedagógicas e propondo atividades que estimulem a interação, a autonomia e a confiança.
Wilmara acompanha essas conquistas com entusiasmo. Ela brinca com as crianças, dá conselhos, incentiva e comemora cada avanço. Os sorrisos, os gritos de alegria e a superação de movimentos antes considerados impossíveis são, para ela, algumas das maiores recompensas do trabalho. “Vejo a dança como um recurso terapêutico coadjuvante na transformação desses alunos”, afirma.
O projeto também oferece aulas de violão para 54 alunos, entre pessoas surdas, cegas, autistas com nível 1 de suporte e sem deficiência. Segundo Wilmara, a metodologia foi desenvolvida pelo marido especialmente para atender às características desse público. O trabalho musical amplia as possibilidades de expressão e participação, enquanto os ensaios para o espetáculo revelam o envolvimento e a evolução dos estudantes.
Ao longo de quase 30 anos, o Colégio Arnaldo apoia a iniciativa, cedendo espaço para a realização das aulas. A montagem deste mês conta ainda com o patrocínio das empresas Supermix e Hexagon, por meio da Lei Rouanet.
Serviço
Espetáculo: Entre o Céu e a Terra – Somos Todos Diferentes
Data: 25 de outubro de 2026
Horário: 19h
Local: Grande Teatro Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046;
av. Augusto de Lima, 420), centro de Belo Horizonte
Ingresso solidário: 2 litros de leite, que serão destinados ao Programa Sesc Mesa
Márcia Queirós e Silvânia Arriel, assessoria de imprensa

