Créditos: Divulgação
26-08-2026 às 11h34
Egeu Macedo*
Um estudo da Fundação Dom Cabral, desenvolvido em um mestrado profissional em Administração e baseado em entrevistas com lideranças cooperativistas do estado, identificou 22 barreiras à transformação digital em cooperativas de café e leite de Minas Gerais. A pesquisa, baseada em entrevistas com lideranças do setor no estado, aponta que a intenção de digitalizar a gestão já existe entre os cooperados, mas a implementação esbarra em obstáculos que vão muito além da falta de recursos financeiros. Entre os principais estão a dificuldade de pequenos produtores em utilizar ferramentas tecnológicas, a resistência à adoção de novas soluções, a limitação da conectividade em áreas rurais e a escassez de recursos para investimentos, tanto por parte das cooperativas quanto dos produtores.
O cenário mineiro reflete um movimento que atravessa o agro brasileiro como um todo. Responsável por 25,13% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025, segundo o Cepea/CNA, o agronegócio vive uma disputa crescente entre organizações que já incorporaram a tecnologia à gestão e à produção e aquelas que ainda enfrentam dificuldades para avançar nesse processo. Levantamento do Sistema OCB/InovaCoop identificou sete tendências tecnológicas com potencial para transformar a competitividade das cooperativas agropecuárias nos próximos anos. Entre elas, a rastreabilidade aparece como uma das principais demandas, impulsionada pela exigência crescente dos consumidores por transparência em toda a cadeia produtiva.
Campinas como exemplo de inovação
Enquanto cooperativas de café e leite de Minas Gerais ainda buscam formas de superar essa resistência cultural ao digital, o interior paulista vive outro momento. A região de Campinas se consolidou nas últimas décadas como um dos principais polos de inovação para o agronegócio do país, abrigando o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma vizinhança acadêmica que ajuda a explicar por que tantas startups do setor, as chamadas agtechs, escolheram se instalar ali.
Esse contraste geográfico ilustra um descompasso que pesquisadores do setor já vinham observando: de um lado, cooperativas que testam inteligência artificial e sensoriamento de ponta na gestão da produção; de outro, organizações que ainda lidam com barreiras estruturais básicas, como conectividade e capacitação digital dos cooperados.
Para Luis Carlos Crema, advogado, contador e empresário com 33 anos de atuação prestando serviços jurídicos e contábeis a cooperativas em todo o Brasil, esse descompasso entre as duas pontas, cooperativas que ainda relutam em digitalizar a gestão e os polos que produzem tecnologia de ponta para o setor, retrata bem o momento de transição vivido pelo agronegócio brasileiro. “O produtor vive uma realidade muito particular dentro de uma cooperativa: ele é, ao mesmo tempo, dono, fornecedor e cliente do próprio negócio. Quando a tecnologia chega sem entender essa tripla função, ela acaba sendo vista como algo estranho à rotina dele, difícil de confiar”, afirma Crema, que recentemente assumiu a posição de CEO do ST7 COOP, sistema de gestão voltado a cooperativas agropecuárias.
Crema atribui parte da resistência identificada pelo estudo da Fundação Dom Cabral à forma como o mercado de tecnologia historicamente tratou a contabilidade cooperativista. “Não é a mesma contabilidade de uma empresa comum. Ela precisa ser feita de duas formas, uma convencional, outra cooperativista, levando em conta o que chamamos de ato cooperativo. Quando o sistema não nasce entendendo essa diferença, o produtor sente que está lidando com uma ferramenta que fala outra língua”, explica.
Uma corrida que já não é mais opcional
O movimento de digitalização também aparece nos indicadores do setor. O Radar Agtech Brasil 2025 registrou 2.075 startups voltadas ao agronegócio em operação no país, crescimento de 5% em relação ao ano anterior, demonstrando a expansão contínua do ecossistema de inovação voltado ao campo. Ao mesmo tempo, pesquisas do setor de tecnologia mostram que cerca de 40% das empresas brasileiras já utilizam ferramentas de inteligência artificial em alguma etapa de suas operações, aproximando o país dos níveis observados em mercados mais maduros da Europa e evidenciando que a IA deixou de ser uma iniciativa experimental para se tornar um instrumento de competitividade.
Entre as recomendações do estudo da Fundação Dom Cabral estão a criação de programas contínuos de capacitação digital para produtores, a ampliação do acesso à internet em áreas rurais, o desenvolvimento de plataformas com design simples e centrado no usuário do campo, o estímulo à intercooperação entre cooperativas para ganhar escala e reduzir custos, e o fortalecimento da governança sobre o uso de dados, em linha com a LGPD. Para Crema, esse último ponto é decisivo. “Antes de qualquer funcionalidade, o produtor precisa sentir que a informação dele está protegida e que vai ser usada para ajudá-lo a vender melhor o que produziu. Sem essa confiança, nenhuma tecnologia avança no campo”, diz.
Sobre o ST7 COOP
O ST7 COOP é um sistema de gestão empresarial (ERP) desenvolvido pela SOLTERRA SOLUÇÕES INTELIGENTES S.A., holding com sede em Campinas-SP e escritório em Minas Gerais, para atender, de forma ativa, as necessidades das cooperativas do agronegócio. Com 27 módulos integrados, que cobrem contabilidade cooperativa, automação fiscal, CRM cooperativista, gestão de estoque, logística, comércio exterior, análise de crédito e inteligência artificial embarcada, o sistema foi construído em torno do ato cooperativo, mecanismo que rastreia a participação de cada associado nos resultados da cooperativa. Pode ser implantado em servidores próprios ou em nuvem, e é compatível com diferentes bancos de dados. A IA nativa do sistema, denominada IA-ST7, permite interação por voz, automação de compras e suporte ao planejamento estratégico. O software integra o portfólio da SOLTERRA SOLUÇÕES INTELIGENTES S.A., empresa do SOLTERRA GROUP.

