Créditos: Rafael Oliveira/TJRJ
05-08-2026 às 16h28
Fabiana Sobral*
No alto do Corcovado, os braços abertos do Cristo Redentor ganharam, na segunda-feira, 3 de agosto, uma nova cor: o laranja, símbolo mundial de alerta contra a violência às mulheres. O gesto marcou o 2º Ato da Campanha “Judiciário pelo Fim do Feminicídio”, em alusão aos 20 anos da Lei Maria da Penha — enquanto, no Rio de Janeiro, 7.383 processos envolvendo feminicídio, consumado ou tentado, seguem em tramitação entre janeiro e 28 de julho de 2026.
A iniciativa é promovida pela Comissão Executiva do XVIII Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid) e pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem), do TJRJ, em conjunto com o Santuário Cristo Redentor e o Consórcio Cristo Sustentável. O primeiro ato da mobilização foi realizado em 13 de novembro de 2025, em São Luís do Maranhão, em parceria com o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).
O evento reuniu autoridades do Judiciário para reforçar o combate ao feminicídio. A campanha divulgou, em linguagem simples, fatores preditivos para o crime, com o objetivo de conscientizar a população sobre os sinais que podem anteceder essa ação violenta. O encontro também marcou a assinatura do Termo de Parceria entre o Fonavid e a Obra Social Leste Um – O Sol, que integra o Consórcio Cristo Sustentável.
A coordenadora da Coem, desembargadora Adriana Ramos de Mello, ressaltou os 20 anos da Lei Maria da Penha. De acordo com a magistrada, a lei é um marco decisivo na construção de uma sociedade mais justa, igualitária, comprometida com a proteção dos direitos fundamentais das meninas e mulheres.
“A Lei Maria da Penha representa um divisor de águas na vida de todas nós e sobretudo das meninas e mulheres do nosso Brasil. Ela nasce realmente da coragem dessa mulher que se recusou a aceitar a violência sofrida. A lei representa o resultado de uma longa trajetória das mulheres brasileiras”, afirmou.

Coordenadora da Coem, desembargadora Adriana Ramos de Mello, durante evento nesta segunda-feira, 3 de agosto
A presidente do Fonavid e coordenadora de Projetos Especiais da Coem, Camila Rocha Guerin, abriu a bandeira do Fórum, aos pés do Cristo, como símbolo do evento. A juíza refletiu sobre como a parceria dentro do Fonavid tem o intuito de facilitar o trabalho e, assim, gerar um mundo menos violento para as mulheres.
“O maior prazer de estar à frente do Fonavid é perceber que a nossa revolução é a nossa união. Estamos juntos todos os dias nessa luta de enfrentamento à violência de mulheres, de meninas, de crianças, por um mundo com mais paz.”
A vice coordenadora da Coem, Katerine Jatahy, alertou que as mulheres negras seguem entre as principais vítimas do feminicídio, com crescimento entre mulheres indígenas, quilombolas e ribeirinhas, além dos elevados índices de violência contra mulheres trans. A magistrada refletiu ainda que é necessário compreender a violência em toda a sua complexidade e considerar as diferentes realidades do Brasil.
“O feminicídio não acontece de repente. Ele dá sinais. Esses sinais aparecem quando o agressor controla a vida da mulher, afasta da família, dos amigos, impede que trabalhe ou estude, controla o seu dinheiro e os seus documentos, agride, ameaça, persegue, humilha, descumpre medidas protetivas”, completou.
A juíza auxiliar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Suzana Massako e a presidente do Colégio de Coordenadorias da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), desembargadora Vanja Fontenele, destacaram a união entre as instituições como forma efetiva de diminuir os números alarmantes de feminicídio no país.
A programação contou com um momento de oração, conduzido pela irmã Ana Maria.

Cristo Redentor foi iluminado de laranja, cor símbolo mundial de alerta contra a violência às mulheres
A cor
O laranja é o símbolo internacional da conscientização pelo fim da violência contra mulheres e meninas.
VS/IA

