Volver Maciel, cantor e compositor de Turmalina, Vale do Jequitinhonha - créditos: divulgação
09-07-2026 às 10h08
Por Soelson Araújo
Há momentos em que o jornalista precisa deixar o bloco de anotações de lado para permitir que a memória fale mais alto. Esta é uma dessas ocasiões.
Escrevo não apenas como jornalista, empresário, político e CEO do Diário de Minas. Escrevo como alguém que teve o privilégio de acompanhar, desde a infância, a trajetória de um menino chamado Volber Maciel, nascido em Turmalina, uma pequena cidade cravada no Alto Vale do Jequitinhonha, onde os sonhos sempre precisaram ser maiores que as dificuldades.
Conheci Volber quando éramos apenas garotos. Crescemos sob o mesmo céu, caminhamos pelas mesmas ruas, ouvimos os mesmos sinos da igreja matriz de Nossa Senhora da Piedade, respiramos o mesmo ar das montanhas e aprendemos, ainda muito cedo, que viver no Jequitinhonha significava acreditar quando quase ninguém acreditava.
Por isso, ao saber que, no próximo dia 12 de julho, meu amigo embarca para a China para integrar o seleto grupo de jurados do Silk Way Stars, senti uma emoção que dificilmente caberia em uma simples notícia.
Não estamos falando de qualquer programa.
Estamos diante de uma das maiores produções musicais da televisão mundial, exibida pela CCTV, a gigante da comunicação chinesa, cuja transmissão alcança mais de um bilhão de espectadores em tempo real. Um espetáculo que reúne representantes de doze países — China, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Vietnã, Malásia, Turquia, Sérvia, África do Sul, Nova Zelândia, Brasil e Geórgia — em uma competição que celebra a música como linguagem universal.
E lá estará Volber Maciel.
Representando o Brasil.
Representando Minas Gerais.
Representando, acima de tudo, o nosso Vale do Jequitinhonha.
Confesso que, enquanto escrevo estas linhas, minha memória insiste em voltar no tempo. Vejo aquele jovem simples, apaixonado pela música, participando de festivais, encantando plateias e colecionando vitórias muito antes de qualquer reconhecimento internacional. Seu talento sempre foi evidente, mas jamais veio desacompanhado da humildade, da disciplina e do respeito às próprias raízes.
Volber nunca precisou abandonar sua identidade para conquistar novos espaços.
Ao contrário.
Quanto mais longe sua música chegou, mais próximo ele permaneceu de sua terra.
É exatamente isso que faz desta conquista algo tão grandioso.
Durante décadas, o Vale do Jequitinhonha foi retratado apenas por estatísticas, dificuldades econômicas e desafios sociais. Pouco se falou da riqueza cultural que brota de suas comunidades, da criatividade de seu povo, da força de seus artistas e da extraordinária capacidade que esta região tem de produzir beleza.
Volber é um dos maiores símbolos dessa realidade.
Sua música carrega a alma do Jequitinhonha. Em sua voz ecoam as histórias de um povo resiliente, criativo e profundamente ligado às suas origens. Não é apenas um cantor premiado em inúmeros festivais. É um intérprete da identidade de uma região que, durante muito tempo, esperou ser ouvida.
Agora, o mundo terá essa oportunidade.
Mais do que um artista brasileiro, milhões de pessoas conhecerão um homem que faz questão de dizer de onde veio. Um filho de Turmalina que jamais esqueceu suas raízes e que transformou a simplicidade do interior mineiro em patrimônio artístico.
Como jornalista, sinto que esta reportagem registra um momento histórico.
Como CEO do Diário de Minas, considero uma honra abrir espaço para celebrar uma conquista que ultrapassa os limites da música.
Mas é como amigo que escrevo as palavras mais sinceras.
Tenho orgulho de você, Volber.
Orgulho de ver que aquele menino sonhador continua o mesmo homem generoso, sensível e apaixonado pela arte. Orgulho de saber que, diante das câmeras de um dos maiores eventos televisivos do planeta, você levará consigo muito mais do que talento.
Levará a dignidade de um povo.
Levará a cultura de Minas Gerais.
Levará o nome de Turmalina.
Levará a força do Vale do Jequitinhonha.
No próximo dia 12 de julho, quando seu avião decolar rumo à China, não será apenas um artista iniciando uma nova jornada.
Será um pedaço da nossa história cruzando continentes.
E tenho absoluta convicção de que, onde quer que sua voz alcance, ela continuará dizendo ao mundo aquilo que nós sempre soubemos:
O Vale do Jequitinhonha nunca foi pequeno.
Pequena era apenas a distância entre seus sonhos e o reconhecimento que eles mereciam.
Boa viagem, meu amigo.
Que bilhões de pessoas conheçam o artista.
E faça do Jequitinhonha um lugar que o mundo jamais esquecerá.
*Soelson B. Araújo é jornalista, escritor, CEO do jornal Diário de Minas e membro da ALVA – Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha

