Ex-pastores Alaerson e Rosileia - créditos: registro em momento social juntos
14-06-2026 às 07h26
Direto da Redação
SETE LAGOAS (MG) – Uma disputa envolvendo os ex-pastores Alaerson e Rosileia e a Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ) em Minas Gerais ganhou novos capítulos após a circulação de informações divergentes sobre a saída do casal da denominação.
De um lado, os ex-líderes teriam divulgado que foram retirados de suas funções pela instituição. De outro, representantes ligados à administração da IEQ afirmam que o desligamento ocorreu por iniciativa dos próprios pastores, que teriam comparecido ao Conselho Estadual da igreja para formalizar sua saída e entregar chaves e bens vinculados à unidade religiosa.
Segundo essa versão, não houve processo disciplinar ou expulsão formal, procedimento que, de acordo com as normas internas da denominação, exigiria instauração de processo específico e garantia de ampla defesa.
Acusações sobre atividades externas
O caso ganhou contornos mais complexos após surgirem alegações de que Alaerson, que exercia funções ligadas à contabilidade de regiões eclesiásticas e integrava o Conselho Fiscal do Conselho Nacional de Diretores (CND), teria desenvolvido atividades empresariais paralelas relacionadas ao setor financeiro.
Conforme relatos apresentados por integrantes da igreja, ele teria participado de uma sociedade vinculada a um banco digital e passado a captar clientes, incluindo pastores e líderes religiosos. A acusação sustenta ainda que parte dessas pessoas acreditava que as operações possuíam algum tipo de respaldo institucional da IEQ, algo que, segundo a própria denominação, jamais existiu.
Os mesmos relatos afirmam que tais atividades não teriam sido previamente comunicadas às instâncias superiores da igreja e poderiam gerar conflitos éticos e administrativos em razão das funções exercidas por Alaerson dentro da organização religiosa.
Uso de imóveis da igreja também é questionado
Outro ponto de controvérsia envolve a utilização de terrenos pertencentes à Igreja Quadrangular em Sete Lagoas.
Segundo os denunciantes, os espaços teriam sido alugados para feirantes, prática considerada incompatível com a finalidade institucional dos imóveis. A alegação é de que essa utilização poderia gerar riscos relacionados à imunidade tributária da entidade e à responsabilização por eventuais incidentes ocorridos durante as atividades.
Também há contestação sobre declarações atribuídas ao casal relacionadas à aquisição de terrenos e patrimônios da igreja. Integrantes da IEQ sustentam que os bens foram adquiridos pelo Conselho Estadual da denominação em Minas Gerais.
Auditoria aponta inconsistências financeiras
As acusações mais graves dizem respeito à área financeira.
De acordo com informações divulgadas por membros ligados à administração da igreja, teriam sido identificadas divergências entre registros contábeis e valores efetivamente encontrados em contas bancárias.
Entre os apontamentos estão:
- Um saldo contábil de R$ 115.974,36 que, segundo os relatos, não teria sido localizado em conta corrente;
- Uma diferença envolvendo aproximadamente R$ 294 mil registrados contabilmente, enquanto a conta apresentaria saldo próximo de R$ 11 mil;
- Suposta ausência de registros referentes a entradas financeiras do mês de março de 2026;
- Saques realizados em contas da igreja no período da entrega das chaves da instituição.
Pagamentos e lançamentos levantam dúvidas
Os documentos também mencionam dois lançamentos classificados pelos denunciantes como “suspeitos”.
O primeiro refere-se a uma nota fiscal de R$ 70 mil relacionada à avaliação de um imóvel pertencente à igreja. A despesa teria motivado questionamentos internos sobre a necessidade e justificativa do serviço contratado.
O segundo envolve o pagamento de 13 boletos vinculados à empresa de contabilidade de Alaerson, incluindo títulos com vencimentos futuros. Os responsáveis pelas denúncias afirmam que a operação precisa de esclarecimentos adicionais.
Somados, os lançamentos questionados ultrapassariam R$ 211 mil, segundo os dados apresentados.
Além disso, também foi levantada a suspeita de utilização da conta corrente da igreja para movimentações ligadas à empresa de contabilidade e a despesas de caráter pessoal, alegação que não teve comprovação apresentada no material analisado.
Conflito segue cercado por versões opostas
Enquanto integrantes da Igreja do Evangelho Quadrangular defendem que as medidas adotadas tiveram como objetivo preservar a instituição e corrigir possíveis irregularidades, apoiadores do casal sustentam que houve injustiça no tratamento dispensado aos ex-pastores.
O caso evidencia uma profunda ruptura entre as partes e permanece marcado por acusações mútuas, questionamentos administrativos e divergências sobre os reais motivos que levaram ao encerramento da trajetória de Alaerson e Rosileia dentro da denominação.
Até o momento, não foram apresentados no material analisado documentos judiciais ou decisões definitivas que confirmem as acusações relatadas. O espaço permanece aberto para manifestação dos envolvidos.

