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24-08-2026 às 09h14
Samuel Arruda*
Caiado, Renan Santos e Augusto Cury participaram do primeiro debate presidencial de 2026, realizado neste domingo (23); ausência dos três convidados abriu espaço para críticas e ataques durante o encontro
O primeiro debate entre candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 foi realizado neste domingo (23), pela Band, em um cenário diferente do inicialmente previsto. Dos seis presidenciáveis convidados, apenas Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) compareceram ao estúdio.
Os espaços destinados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e ao ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) permaneceram vazios. A ausência dos três acabou se tornando um dos principais temas do debate.
Ausências dominam o início do debate
Logo nos primeiros momentos do programa, os candidatos presentes aproveitaram a ausência dos adversários para fazer críticas. Ronaldo Caiado adotou um tom duro e classificou Lula e Flávio Bolsonaro como “fujões”, questionando a decisão de não comparecerem ao confronto.
Renan Santos também explorou a ausência dos dois principais nomes ausentes. Antes do debate, chegou aos estúdios carregando fraldas com os nomes de Lula e Flávio Bolsonaro, em uma provocação à decisão dos adversários de não participar. Durante o programa, manteve uma postura mais agressiva e direcionou fortes ataques aos dois.
A estratégia colocou a ausência dos líderes nas pesquisas no centro da discussão, transformando os púlpitos vazios em uma espécie de símbolo do debate.
Lula justificou ausência por falta de equilíbrio
A campanha de Lula justificou a decisão de não participar alegando que não havia condições equilibradas para o confronto. A avaliação foi de que o formato reuniria candidatos que não teriam a mesma obrigação legal de participação e poderia criar uma situação considerada desfavorável ao presidente.
Flávio Bolsonaro também decidiu não comparecer. A estratégia adotada por sua campanha foi a de priorizar debates nos quais Lula estivesse presente, evitando, segundo a avaliação de seus aliados, transformar o senador no principal alvo dos demais candidatos.
Zema também ficou fora
A ausência de Romeu Zema completou o esvaziamento do encontro. O candidato do Novo havia sido inicialmente relacionado entre os participantes, mas desistiu do debate após a alteração da data do evento.
Segundo relatos publicados antes e durante o debate, Zema considerou que a mudança havia perdido o sentido depois que Lula também decidiu não comparecer.
Com isso, o encontro acabou reunindo apenas três dos seis candidatos convidados.
Renan adota discurso mais agressivo
Entre os participantes, Renan Santos foi quem adotou a postura mais contundente contra os ausentes. O candidato criticou tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro e utilizou termos duros para atacar os dois.
O tom chegou a provocar reação de Augusto Cury, que criticou a agressividade e defendeu uma discussão política menos baseada em ataques pessoais.
A postura de Renan também marcou sua tentativa de se apresentar como uma alternativa dentro do campo da direita, sem se alinhar diretamente ao grupo de Flávio Bolsonaro.
Caiado concentra críticas no governo Lula
Ronaldo Caiado, por sua vez, aproveitou o debate para fazer críticas ao governo Lula e apresentar-se como uma alternativa à polarização entre petistas e bolsonaristas.
O governador de Goiás também buscou transformar a ausência de Lula e Flávio em argumento político. Para Caiado, a participação dos candidatos seria importante para que o eleitor pudesse comparar propostas e posições diretamente.
O debate ofereceu, assim, aos três participantes uma oportunidade de ocupar um espaço que normalmente seria dividido com os dois candidatos que aparecem nas primeiras posições das pesquisas.
Augusto Cury critica a polarização
Augusto Cury também participou do debate depois de ter anunciado inicialmente que não iria ao evento. O candidato havia protestado contra a ausência de Lula e Flávio, mas voltou atrás minutos antes do início do programa, afirmando que decidiu comparecer em respeito aos jornalistas e ao processo de discussão eleitoral.
Durante o encontro, Cury defendeu uma mudança na forma de fazer política e criticou a polarização que domina o cenário eleitoral brasileiro.
Sua presença também evitou que o debate terminasse com apenas dois candidatos no palco, depois da desistência de Zema e das ausências de Lula e Flávio.
Um debate com três candidatos e seis púlpitos
O encontro deste domingo entrou para a campanha eleitoral de 2026 justamente pela ausência de metade dos convidados. O formato inicialmente planejado previa a participação de seis presidenciáveis, mas somente Caiado, Renan Santos e Augusto Cury estiveram frente a frente.
A situação reduziu o confronto direto entre os principais nomes da disputa, mas, ao mesmo tempo, permitiu que os três participantes utilizassem boa parte do tempo para apresentar propostas e atacar os adversários ausentes.
O primeiro debate presidencial de 2026, portanto, terminou tendo como um de seus principais personagens justamente quem não estava no palco: Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema.
A ausência deverá continuar sendo explorada pelos candidatos nas próximas etapas da campanha, especialmente por aqueles que buscam se apresentar ao eleitor como alternativas à polarização entre o PT e o bolsonarismo.
*Samuel Arruda é jornalista e editor de política

