Créditos: ALMG
04-07-2026 às 12h37
Samuel Arruda*
O desaparecimento de obras de arte, móveis, utensílios domésticos e outros bens que integravam o acervo histórico do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais, tornou-se alvo de investigação da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Durante visita técnica realizada ao imóvel, parlamentares constataram que grande parte do patrimônio que tradicionalmente compunha o palácio já não se encontrava no local. Segundo os deputados, apenas alguns móveis, entre eles um sofá, duas poltronas, uma mesa de centro e um piano, permaneceram nas dependências do edifício, levantando questionamentos sobre o paradeiro de centenas de peças que faziam parte da história política e cultural do Estado.
A fiscalização foi motivada por questionamentos apresentados anteriormente durante audiência do programa Assembleia Fiscaliza. O deputado estadual Leleco Pimentel (PT), autor do requerimento da visita, afirmou que pelo menos 63 itens de valor histórico estariam sem localização conhecida, entre obras de arte, mobiliário, louças, talheres, enxovais e objetos utilizados durante décadas pelos governadores mineiros.
Durante a inspeção, representantes da administração do espaço informaram que, quando a atual gestão assumiu o imóvel, em 2019, grande parte do acervo já havia sido retirada. Segundo eles, restavam apenas alguns lustres e a mesa utilizada pelo governador, que também foram removidos posteriormente.
Além da ausência dos objetos, os parlamentares apontaram mudanças estruturais no imóvel, como a desativação da antiga sala de cinema e o esvaziamento da cozinha, o que, na avaliação da comissão, descaracteriza parte do patrimônio histórico do palácio.
Após a visita ao Palácio das Mangabeiras, os deputados estiveram na Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), responsável pela administração patrimonial do imóvel. A empresa comprometeu-se a apresentar um inventário detalhado dos bens sob sua responsabilidade, acompanhado da documentação referente à movimentação do acervo.
Diante das dúvidas sobre a destinação dos objetos, parlamentares anunciaram que representarão junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e ao Ministério Público para que sejam apuradas possíveis irregularidades na guarda e transferência do patrimônio público.
Governo nega desaparecimento
Em resposta às denúncias, o Governo de Minas informou que não houve desaparecimento do acervo. Em nota oficial, o Executivo afirma que todos os bens existentes no Palácio das Mangabeiras foram devidamente inventariados quando o imóvel deixou de funcionar como residência oficial dos governadores.
Segundo o governo, os objetos foram transferidos para órgãos e entidades estaduais responsáveis por sua guarda, conservação e utilização, permanecendo registrados nos sistemas de controle patrimonial da administração pública. O Executivo sustenta ainda que as movimentações ocorreram dentro dos procedimentos legais e que todos os bens continuam pertencendo ao Estado e disponíveis para fiscalização pelos órgãos competentes.
Patrimônio histórico
Construído na década de 1950 e projetado por Oscar Niemeyer, o Palácio das Mangabeiras foi residência oficial dos governadores mineiros por mais de seis décadas. O imóvel abriga parte importante da memória política do Estado e seu acervo reúne móveis, obras de arte, objetos decorativos e utensílios utilizados ao longo das diferentes administrações.
A investigação agora busca esclarecer se todos os bens foram corretamente catalogados, transferidos e preservados, ou se houve extravio de parte do patrimônio histórico de Minas Gerais.
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*Samuel Arruda é jornalista e editor de política

