
Campos do Jordão está próxima de São José dos Campos – apenas 100 km - a pérola do Vale do Paraíba. CRÉDITOS: Divulgação
Getting your Trinity Audio player ready...
|
04-04-2025 às 09h49
Caio Brandão*
Suíça, brasileira? Pode até ser pelo clima, mas longe está do brilho de outras localidades no Brasil, com propostas semelhantes, como Gramado, por exemplo, para não citar outras tantas cidades merecedoras de elogios, até mesmo Santo Antônio do Pinhal, que em sua singeleza e com apenas sete mil habitantes, exibe administração conduzida por gestores que têm amor pela sua terra.
O empecilho maior, como sempre, é o político, porque grupos de mesmo naipe se revezam no poder e seguram no baralho as cartas de sempre, com muitos curingas, apadrinhamentos e sustentação de compromissos eleitoreiros, sempre recorrentes.
Campos do Jordão tem orçamento previsto para 2025 na casa de 380 milhões de reais. Muito? Não, porque Gramado, no Rio Grande do Sul, que conta com população também na casa dos 40 mil habitantes, tem previsão orçamentária para o corrente ano na cifra de 525 milhões.
Se levarmos em conta que a capital mais próxima de Gramado é Porto Alegre, com população de 1 milhão e 300 mil habitantes, com renda média domiciliar de 2.400 reais – essa riqueza não diz muita coisa, quando comparada à população de São Paulo, Capital, de 11 milhões e 800 mil pessoas e renda per capita de 5.500 reais.
Gramado está a cento e poucos quilômetros de Porto Alegre, e Campos do Jordão a 250 km da capital do Estado. A diferença entre as redes rodoviárias é gritante; Campos do Jordão é servida pela Via Dutra e a Rodovia Airton Senna, com pistas multiplicadas e pavimento de primeira qualidade.
Ademais, Campos do Jordão está próxima de São José dos Campos – apenas 100 km – a pérola do Vale do Paraíba. Também não está longe de Campinas e até mesmo de Belo Horizonte, em Minas, que dista suportáveis 500 km pela rodovia Fernão Dias, com pista duplicada, e que também é alcançada pela capilaridade do prestígio da chamada Suíça Brasileira.
Então, por que Campos do Jordão exibe números muito inferiores a Gramado? O problema está na qualidade da infraestrutura de turismo de segunda linha que a cidade oferece, e que não se compara ao capricho e à delicadeza do trato que os gestores gaúchos dispensam à sua cidade butique.
Gramado é limpa, organizada, segura, bem iluminada, ruas pavimentadas e capinadas, e com tudo o mais que faz o glamour de um ponto turístico é o segredo, além da participação maciça da iniciativa privada. Tudo isto voltou à vida, apesar de Gramado ter sido assolada, no ano passado, pela maior enchente de sua história.
Em Campos do Jordão os gestores ainda não perceberam que o Portal à entrada da cidade é cartão de visita, imagem que crava a primeira impressão ao recém-chegado. A rodovia que desagua no Portal poderia estar repleta de hortênsias, ao longo de no mínimo 500 metros de suas laterais, adubadas, podadas e bem cuidadas. A placa com o nome de Campos do Jordão, fixada no alto do Portal, sequer é iluminada e normalmente confeccionada em material plástico, que se degrada com facilidade e costuma estar sempre enrugado. Radares, logo na chegada, também não são benvindos.
O turista não deve ser penalizado quando chega, e sequer quando vai embora. Para reduzir a velocidade dos veículos bastam placas com dizeres de boas-vindas e de agradecimentos, que ficam de bom tamanho. Agora, soa a notícia de que as obras em andamento no Portal, orçadas em 5 milhões de reais, vão dar vida ao local. Cinco milhões? Melhor ficar de olho aberto, Senhor Prefeito.
Do lado esquerdo do Portal, na chegada à cidade, destaca-se enorme área baldia, equivalente a dezenas de campos do futebol, terreno que serve de depósito de entulho, estacionamento de carros, caminhões e ancoradouro de caçamba de lixo, quando poderia ser local pavimentado e de estacionamento de ônibus e serviços de lanchonete, guarda-volumes, banheiros. Atualmente os turistas, no Portal, mendigam o favor fisiológico aos lojistas, agência bancária, posto policial e serviço de taxis e vans.
Infelizmente parte dessa área está sendo subtraída para a implantação de rua desnecessária – incluída nos 5 milhões da reforma do Portal – o que deve inviabilizar o projeto ora sugerido. Vale observar que a rua em construção – que provavelmente nem consta como rua projetada na planta oficial do Município – não tem sequer 200 metros de extensão. O km de rua pavimentada, com asfalto usinado a quente, em perímetro urbano, tem preço médio da ordem de 1 milhão a 1,4 milhão de reais. No perímetro urbano o preço desse tipo de obra cai devido, principalmente, às despesas indiretas, de menor valor. Estou falando de obra com terraplanagem, sub-base, base, compactação e imprimação, e BDI dentro de padrões adotados pelo DER/SP e os divulgados pelo SINICESP, além de parâmetros encontrados em acórdãos dos Tribunais de Contas do Estado e da União. Ademais, o terreno em questão é de propriedade, em parte do Município e em parte do Mosteiro de São João, das Irmãs Beneditinas. Resta saber na propriedade de quem está sendo aberta a referida rua. A matrícula do imóvel poderá esclarecer a questão, mediante o levantamento dos limites e confrontações do imóvel.
Limitar o acesso de ônibus ao centro e ao ponto turístico do Capivari é medida urgente e rigorosamente necessária. No Portal a atual administração melhorou o asfalto no entorno – até que enfim – e plantou delicadas flores de época, também incluídas nos 5 milhões, além de enfeitar o lugar com uma areia grossa, branca e granulada. Ficou bonito, mas resta saber se as flores sobreviverão ao frio que se aproxima, e se a grama não vai invadir a areia decorativa. Faltou fazer, para a areia, berço de concreto, para evitar o problema. A areia branca, entremeada de mato crescido e abundante, será um festival de mau gosto e demonstração de amadorismo.
É difícil, para pessoas com razoável capacidade de gestão, entender o porquê de os gestores de Campos do Jordão não manterem a principal via que corta a cidade do Portal ao Capivari, como um tapete de asfalto liso, sem buracos e ondulações, e com as faixas de divisão de pista sempre visíveis e conservadas – o olho de gato também é desejável -.
A pista dessa Avenida, no sentido Capivari/Portal, do lado oposto ao da Padaria Roma, levou meses para ser recuperada. Um trecho de no máximo 200 metros, que levava à indignação os visitantes abastados, dirigindo os seus carros de luxo, inclusive Ferraris, Mercedes Benz e outros tantos mimos. Foi feito conserto meia-boca, como sempre, porque a boa e elementar técnica de recuperação asfáltica oferece coisa melhor.
Outrossim, esta avenida deveria ser a via elegante da cidade e mediante, na medida do possível e a médio prazo, a concessão de alvarás de localização apenas para comércio voltado para o turismo, excluídos borracheiros, lojas de motos usadas, de baterias, de canos de descarga de veículos, materiais de construção, oficinas e afins, que deveriam passar para as ruas paralelas.
Vamos falar de capina? É desanimador o cenário da cidade. O mato cresce a rodo, não apenas na Vila Abernéssia, como em centenas de ruas. A pintura branca dos meios-fios raramente é renovada, o que seria um adereço barato para valorizar a via principal dos jordanenses.
Chama a atenção o fato de os prestadores de serviços, que trabalham em obras envolvendo tijolo, areia, brita e cimento – construção civil – simplesmente espalharem o entulho pelos canteiros para, depois, jogar por cima as placas de grama, que terão germinação e poda comprometidas. Por que isto acontece? Não existe fiscalização da Secretaria de Obras? A remoção de entulho está contemplada na planilha de preços contratados, mas os empreiteiros têm a complacência da Administração?
Aliás, do ponto de vista ambiental, a fiscalização poderia orientar o proprietário de uma casa à rua Joana Costa César, que na cumeeira do telhado instalou centenas de fios de aço pontiagudos, para evitar o descanso das aves nativas. Por acréscimo, essa rua Joana Costa César é um mistério, porque na gestão anterior foi preparada para pavimentação, inclusive com a colocação de meios-fios e o asfalto jamais foi aplicado.
Vale à pena verificar se o empreiteiro recebeu pagamento e se esqueceu de completar o trabalho. Contudo, pior é a situação de um radioamador e aposentado do Banco do Brasil, que reside na proximidade, na rua A, cuja pista de rolamento é de terra batida, e que há quarenta anos suplica seja dado nome ao logradouro e que a rua seja pavimentada. Se for por falta de nome, Prefeito, ofereço o meu: Comendador Caio Brandão – fui agraciado com todas as comendas outorgadas pelo meu Estado, Minas Gerais – porque é ultrajante morar em uma rua que, além de ter piso de terra batida, ainda é designada apenas por letra, nomenclatura pobre, que evidencia preguiça mental dos gestores municipais ao longo de quatro décadas. Quantos logradouros, sem nome, existem em Campos do Jordão?
Há oito anos moro nesta cidade. Na rua onde resido, Comendador José Scheaffer, os buracos são velhos conhecidos e tratados mediante conserva de asfalto a frio mal aplicado, que renascem em pouco tempo e cada vez maiores. A rua tem tráfego intenso, de veículos de passeio e de ônibus de turismo, além daquelas geringonças horríveis – caminhões velhos e adaptados – que ocupam mais da metade da largura da rua e não dispõem sequer de cintos de segurança para os passageiros.
Aliás, há uma curva, em determinado ponto da via, em que os ônibus não conseguem seguir caminho sem, antes, para fazer a conversão, ir para a frente e para trás, em sucessivas manobras. Também não existe faixa divisória da pista de rolamento. Ademais, no local conhecido como Ducha de Prata, a Prefeitura aprovou a construção de dezenas de lojas, cujos frequentadores e os ônibus que os transportam tumultuam o local. Não há estacionamento, os ônibus são deixados no acostamento da rua, impedindo a passagem dos demais veículos, e o trânsito costuma ser liberado na base do tapa e de palavrões. “Coisa de doido”, diria o “Faustão”.
Por falar em Faustão, o Pronto Socorro da cidade está a cinco quilômetros do centro, em local depois do Palácio do Governo, quando deveria estar o mais próximo possível da população, inclusive para atendimentos de urgência nas madrugadas, quando não se encontram taxis disponíveis.
Vale lembrar que o Ginásio de Esportes, que parece estar em desuso e em interminável reforma, poderia ser destinado ao Pronto Socorro e as práticas esportivas levadas para outro local, próximo à sede da OAB, onde existem áreas amplas e disponíveis. Para o novo Pronto Socorro a Prefeitura poderia usar parte dos 84 milhões de reais que lhe são repassados, anualmente, pelo Ministério da Saúde.
Ahh!!! Pobre Campos do Jordão!!!
O que lhe falta para enxergar aquilo que não vê? O atual prefeito está no momento certo para demitir, romper com o passado e preparar-se para novos tempos, com compromissos de modernidade e foco nos seus próprios projetos. Toda concessão que fizer lhe será cobrada e dela os custos pagará solo, em diversas instâncias.
Difícil? Sim, muito, porque ele foi vice-prefeito de dois antecessores e vai ter que livrar-se do temor reverencial, que ainda o submete aos seus inspiradores, em que pese agora ter novo aliado, o governador de São Paulo, que felizmente não se envolve em reivindicações de miudezas.
Muitos pedidos a acolher, com comissionados “insubstituíveis” a preservar, empresas” in pectoris” a manter e com preços superfaturados a se submeter, doadores a atender, e outras tantas miçangas execráveis, mas que estão no tabuleiro.
Se for esperto, não deve contratar nem parentes, nem apadrinhados políticos. Contrate apenas aquele que for capaz de demitir como ato rotineiro e faça-o com destemor, sob pena de perder a autoridade. Tem o Caê, em mãos, a ferramenta para se projetar politicamente e ganhar espaço no Estado e nacionalmente, por que não?
Precisa romper com a gestão paroquial que amarra o desenvolvimento da cidade, afasta a iniciativa privada, inibe as PPPs e faz com que a Suíça Brasileira seja um pote de interesses opacos. Campos do Jordão é vitrine, mas tanto pode projetar, construir, como denegrir e destruir.
Nas cidades do entorno alguns prefeitos não se deram bem, como Ana Cristina, de São José dos Campos, condenada a 14 anos de prisão. O voto não perdoa a incompetência, a desídia e o desmando, principalmente numa cidade turística e sem indústria de transformação, que depende das economias de seus visitantes para crescer com modernidade e qualidade de vida. O comércio estará sempre atento e vigilante, fazendo as suas contas. Quanto mais bem cuidada a cidade estiver, melhor para o comércio e para a arrecadação de impostos, e a recíproca também é verdadeira.
Em Campos do Jordão, os caseiros e empregados domésticos são obrigados a manter carros e motos próprios, com os seus parcos salários, inundando a cidade com veículos de precária manutenção e não fiscalizados, porque a cidade não oferece transporte coletivo à altura de suas necessidades. Aliás, pequenas vans de turismo deveriam ter tráfego rápido e regular, indo e voltando aos pontos de interesse, inclusive ao Horto Florestal.
O trenzinho sobre trilhos – não aquele caminhão adaptado a que já me referi – mas o que corta a cidade passando pela Avenida Dr. Januário Miraglia, há tempos não toma banho de balde de tinta e verniz, e continua a manter pálidas as cores do desmazelo e da falta de cuidado do gestor municipal e dos seus desidiosos assessores.
A Estrada de Ferro de Campos do Jordão foi encampada pelo governo de São Paulo, e passará por reforma, ao longo dos seus 47 quilômetros de trilhos. As estações de Pindamonhangaba, Piracuama, Eugênio Lefévre, Abernéssia e Emílio Ribas voltarão a funcionar modernizadas, como estímulo ao turismo na região da Serra da Mantiqueira.
No Centrinho do Capivari, o canal que separa a Rua Antônio Nicola Padula, da Avenida José Manoel Gonçalves, tinha uma mureta – um guarda-corpo – em más condições. A mureta foi derrubada e substituída por cerca viva, que cresce além do desejável. Essa cerca vai impedir a visão de ambos os lados do logradouro, da avenida para a rua e da rua para a avenida. Ou seja, quem está de lá não vê a pista de cá, e quem está de cá não enxerga a via de lá. Simplesmente ridículo, porque o correto, hoje, pela moderna arquitetura é borda infinita – mal comparando – que proporciona visão panorâmica.
Está em tempo de o canal ser revestido e sobre o curso d’água construído platô com quiosques, bancos, coreto, pistas de dança e de patinação, e outras tantas atrações. As pessoas poderiam ir e vir de um lado para o outro, a avenida e a rua somariam um só corpo, que teria ampla visibilidade para os dois lados e o comércio seria fortemente beneficiado.
Prefeito!!! Existem colaboradores pensantes na sua equipe? Ponha-os a trabalhar e se do cargo não estiverem à altura, demita-os. O dinheiro para essas obras existe, com financiamento de longo prazo e a juros razoáveis. No exemplo do canal, a calha tem seção estreita e a obra não é cara – a não ser que se levem em conta os parâmetros dos 5 milhões da reforma do Portal-. O benefício para o local seria enorme.
Não conheço a capacidade de endividamento da Prefeitura de Campos do Jordão, mas pela sua inércia em obras estruturantes deve ser muito larga. Mas, por falar em mureta, a que não foi reconstruída no centrinho do Capivari foi edificada, no estilo “art déco”, nos fundos Mercado Municipal, por onde passa curso d’água em canal infestado por vegetação nativa, que cresce livre, leve e solta.
Vamos falar sobre a periferia? Não agora, porque almejo fazer deste artigo uma série, inclusive com fotos e considerações de terceiros chamados a colaborar, incluindo técnicos, engenheiros, advogados e ambientalistas.
Pretendo, inclusive – o que será apreciado pelo Edil – acompanhar os processos de concorrência pública da Prefeitura, contribuindo com sugestões para o aperfeiçoamento e a lisura das licitações, procedimento a título de ajuda solidária e não remunerada de um contribuinte, o que certamente será, reitero, apreciado e aplaudido pelo Alcaide de Campos do Jordão.
Enfim, acorde, meu caro Prefeito Caê ou não fará jus à formidável votação que recebeu e ficará restrito a se acomodar na vala comum da mediocridade, mediante gestão pífia, que até poderá garantir-lhe a reeleição, mas vai enterrá-lo no mausoléu do conformismo que está emperrando o progresso da cidade ao longo de tantas décadas.
Caio Brandão é advogado, jornalista e administrador de empresas. Na iniciativa privada atuou em multinacionais brasileiras e no setor público, além de conselheiro de bancos oficiais, foi responsável pela implantação do Projeto Jaíba II, o maior projeto de irrigação da América Latina, e presidente da Companhia de Saneamento do Paraná – SANEPAR – Atualmente é um diletante do Direito e dedica-se a causas relevantes e de interesse público.
* Caio Bandão é Advogado, Jornalista e Administrador de empresas. Na iniciativa privada atuou em multinacionais brasileiras e no setor público, além de conselheiro de bancos oficiais, foi responsável pela implantação do Projeto Jaíba II, o maior projeto de irrigação da América Latina, e presidente da Companhia de Saneamento do Paraná – SANEPAR – Atualmente é um diletante do Direito e dedica-se a causas relevantes e de interesse público.
Contato: caio.brandao@uol.com.br